transbordar

Porque há pessoas, pensamentos e sentimentos controversos.

Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura.
E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa".

As grandes batalhas mostradas em O Jogo da Imitação

Ao começar a assistir, me senti presa na história de Alan Turing. Logo, o filme fez eu perceber o quanto as vitórias vividas atualmente (algumas ainda pequenas), são resultados das lutas travadas desde 1900 e bolinhas. E não estou me referindo somente as batalhas que envolvem canhões, mas as pessoais. As batalhas de lutarmos por sermos quem somos.


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O matemático Alan Turing, interpretado por Benedict Cumberbatch (Foto: Divulgação)

Filmes que abordam acontecimentos históricos, como a Primeira ou Segunda Guerra Mundial, chamam muita atenção. Quando em meio a isso retratam a história de alguém que realmente viveu momentos de tensão desses períodos, acredito que a atração em assisti-lo aumenta.

Em um final de semana que decidi escolher algum filme biográfico, o primeiro a aparecer na minha busca foi ‘O Jogo da Imitação’ (2014). Já havia ouvido falar, mas não lembrava do que realmente tratava, além de contar a história de um matemático que teve participação extremamente significativa no cenário da segunda grande guerra.

Ao começar a assistir, me senti presa na história de Alan Turing, interpretado brilhantemente por Benedict Cumberbatch. Logo percebi o quanto as vitórias vividas atualmente (algumas ainda pequenas), são resultados das lutas travadas desde 1900 e bolinhas. E não estou me referindo somente às batalhas que envolvem canhões, mas aos combates pessoais. Os que lutamos por sermos quem somos.

O filme conta a história de Alan Turing, matemático, cientista da computação e criador de uma máquina capaz de decodificar mensagens criptografadas, ocasionando na interceptação de comunicados trocados pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Com esse engenho, Turing e mais um grupo de colegas descobriram as estratégias que seriam dadas pelos nazistas. Assim, a invenção criada por Turing foi essencial para a vitória da Inglaterra, para o fim da guerra e a salvação de milhares de vida.

Porém, todo um trabalho de Alan voltado para uma nação foi ignorado pelo governo britânico a quem serviu com total dedicação. Motivo? Turing era homossexual assumido e, naquela época, o governo do Reino Unido considerava como ilegal atos homossexuais.

Diante disso, nem preciso dizer o quanto Alan sofreu até alcançar o reconhecimento merecido. Como considerar criminoso alguém que salvou tantas pessoas por meio de sua inteligência? Como considerar criminoso alguém que não teve o direito de viver sua vida? Como considerar criminoso alguém que não pode amar?

Em um determinado ponto do filme é aberta também a discussão da presença feminina em um ambiente de trabalho tomado por homens. A personagem de Keira Knightley, Joan Clarke, mostra como os homens veem a incapacidade da mulher em ocupar determinados cargos. Há cenas que representam o pensamento retrógrado de que existem cargos específicos e de competências apenas de homens e mulheres.

Infelizmente esses tipos de pensamentos ainda perduram até hoje, mas a luta em descontruir tudo isso se intensifa a cada dia. E cada personagem, cada filme, cada obra que aborde essas temáticas, só ajuda na construção de sermos pessoas melhores e querer que os outros possam ser também.

Que as pessoas possam compreender a mensagem do filme ‘O Jogo da Imitação’, além de entenderem a dimensão e sofrimento que uma guerra pode causar. E também possam enxergar que todos devemos ser respeitados pelo profissinal que somos, por quem somos, por quem amamos e a quem ou qual causa lutamos.


Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura. E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa"..
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