transbordar

Porque há pessoas, pensamentos e sentimentos controversos.

Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura.
E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa".

Por mais filmes de suspense/drama como A Pele que Habito

A Pele que Habito causa diversas sensações e Almodóvar consegue mostrar em seu longa que ainda há filmes que realmente fazem jus ao gênero.


A pele que habito.png O cirurgião plástico Robert Legard (Antonio Banderas) e a paciente Vera (Elena Anaya). Foto: Divulgação

Em 2012, durante uma conversa sobre boas produções cinematográficas de suspense/drama, um amigo me indicou A Pele que Habito, lançado em outubro de 2011. Seis anos depois consegui assistir o filme e, de brinde, aprendi duas lições.

A primeira: ainda existem longas-metragens de suspense/drama que realmente fazem jus ao gênero.

Esse tipo de filme é um dos meus preferidos e, para mim, muitos não conseguem cumprir a tarefa de passar o que lhe é devido. Tenho a impressão que muitos longas se prendem a ‘mesmice’, apresentam roteiros sem nexo e até deixam no espectador a sensação de perda de tempo em frente a TV ou computador.

Porém, na minha visão, A Pele que Habito consegue deixar essas ideias para trás e mostra que ainda há obras dignas de estarem nas categorias que lhe foram definidas.

O filme conta a história do cirurgião plástico Robert Legard, interpretado por Antonio Banderas, obcecado em criar a pele perfeita. Uma pele imune a dor, queimadura e super resistente. A criação é feita da mistura de DNA humano com (PASMEM!) suíno.

Os testes são feitos em uma paciente com quem Legard tem uma estranha relação: a enigmática Vera, personagem da brilhante atriz Elena Anaya.

Aos poucos, é mostrado durante o filme flash backs de situações de alguns personagens que levaram Robert ao estado de obsessão que se encontra, como a morte da esposa, tentativa de abuso sexual e morte de sua única filha, perseguição ao acusado e detalhes da vida do homem que invade sua casa.

Algumas cenas são um pouco arrastadas, mas não sobrepõem as que causam angústia e, principalmente, surpresa. Falar mais do que isso é estragar o que o filme tem de melhor: a construção da narrativa ao redor da fixação de Legard em executar sua pesquisa e a relação com a paciente Vera.

A Pele que Habito causa diversas sensações e quem assistir pode defini-lo como um filme inquietante ou até sem sentido. Porém, não pode descartar que as dúvidas causadas inicialmente provocam a curiosidade em querer saber o final dessa história. Além disso, o diretor Pedro Almodóvar consegue mostrar em seu longa a possibilidade de assustar, gerar expectativa e reflexões após a subida dos créditos.

Agora, voltando ao início do texto, a segunda lição que aprendi foi: jamais deixe para depois (ou muito depois, como foi meu caso) de assistir um filme indicado por alguém.

Nunca mais encontrei o amigo que me recomendou o filme, mas quero agradecer a ele pela dica e por fazer esse obra-prima estar entre meus textos escritos. Meu muito obrigada!


Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura. E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa"..
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