transbordar

Porque há pessoas, pensamentos e sentimentos controversos.

Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura.
E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa".

A complexidade de Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Como diz o monstro: “Os humanos são feras complicadas”


sete minutos.jpgCena de um dos encontros de Conor, interpretado por Lewis MacDougall, com o Monstro.

Já ouvimos que nem sempre a vida é fácil. Porém, há momentos em que parece que uma avalanche de coisas ruins surge sem ter hora de ir embora. Em momentos como esses, é natural tentar encontrar algo bom, mas nem sempre todos conseguem. Muitos só querem que tudo acabe. Muitos só querem fugir.

O desejo implícito de fuga e de por um fim nas dificuldades é apresentado no filme Sete Minutos depois da Meia-Noite (2016), tradução brasileira do original A Monster Calls. Um filme visualmente lindo e com um roteiro brilhante adaptado do livro de mesmo nome.

O longa conta a história de um garoto de 13 anos chamado Conor. O protagonista tenta lidar com uma série de situações, como a doença terminal da mãe e o bullying sofrido na escola.

Um dia, Conor recebe a visita de um monstro em forma de árvore avisando-o que o visitará para contar três histórias. No final delas, quem contará a quarta história é o Conor. E não será apenas uma história, será a sua verdade. Seu medo.

A partir dos encontros, histórias e descobertas de Conor, podemos perceber que o enredo trabalha muito mais que a simples imaginação de uma criança. O filme aborda o auxílio da fantasia no extravasamento da dor, no amadurecimento e na preparação para suportar os momentos mais doloridos.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite é aquele filme que por mais que contenha elementos da fantasia e o protagonista seja uma criança, não necessariamente é voltado para o público infantil. Se torna mais um filme para os adultos saberem como lidar com as crianças em situações intensas. E uma amostra de como às vezes nós também não sabemos expressar os sentimentos, feito algumas vezes por meio da escrita ou da arte.

Além disso, o filme traz como reflexão as relações humanas. Os questionamentos sobre as atitudes dos seres humanos são instigados pela árvore enquanto conta suas histórias. Nelas, é apontado que nem tudo é 8 ou 80. Não são todos os casos que existem um mocinho e um vilão, o bom e o mal, o certo e o errado.

Esse meio termo é apresentado como uma forma de explicar que a dor que sentimos, os problemas que enfrentamos, não podem simplesmente sumir. A sensação de dúvida, medo, derrota é normal. E que coisas boas e ruins acontecem e o que podemos fazer é tentar nos preparar. E superar.

Claro que essa superação é relativa, pois cada pessoa possui um jeito, uma personalidade. Mas no final, todos possuem sentimento, só não sabem bem como lidar com eles.

Como diz o monstro: “Os humanos são feras complicadas”


Erica Marques

Paraense, jornalista, louca por séries e apaixonada por filmes. Escorpiana, tenta ser meiga, acredita ser romântica e na mudança através das obras cinematográficas e da leitura. E tem como regra da vida: "Tudo o que você faz importa"..
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