Soraya Rodrigues de Aragão

Soraya Rodrigues de Aragão é psicóloga, psicotraumatologista, escritora e palestrante. Realizou seus estudos acadêmicos na Unifor e Università di Roma. Equivalência do curso de Psicologia na Itália resultando em Mestrado. Especializou-se em Psicotraumatologia pela A.R.P. de Milão. Especializanda em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde - Universidad San Jorge (Madri) e Sociedad Española de Medicina Psicosomática y Psicoterapia.

Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. É autora do projeto «Consultoria Estratégica em Avaliação Emocional».

Quando o relacionamento virtual se torna paixão

A paixão na “vida real” já traz em seu bojo questoes como a busca do outro no que falta em nós mesmos e da realizaçao das nossas fantasias e idealizações.

E quando isso é virtual? Imaginem o turbilhão de fantasias desta paixão idealizada e de sobra, virtualmente?


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As redes sociais nos trouxeram a oportunidade de encontrarmos pessoas interessantes e que tenham alguma afinidade conosco, bem como reencontrarmos amigos que há muito tempo não víamos e que não mantínhamos contato.

Deste modo, a internet é um excelente meio para (re)aproximar pessoas. Estas relações interpessoais, se avaliadas positivamente, necessitam de investimento, ou seja, precisam ser trabalhadas através do contato “real”, através do toque, do afeto e do “olho no olho”, dinâmicas que não podem ocorrer em chats ou salas de bate-papo.

Apaixonar-se é algo complexo: envolve questões comportamentais, bioquímicas, neurofisiológicas, hormonais e psíquicas. No inicio da paixão temos a tendência de nos relacionamos com um ser idealizado através das nossas projeções, fantasias e necessidades que precisam ser satisfeitas e das carências afetivas que necessitam ser preenchidas.

Por outro lado, queremos mostrar ao ser amado o melhor de nós, representando um aspecto importante no processo de conquista. A criação de expectativas tanto nossa quanto do outro, se não elaboradas através de vivências reais, podem conduzir a um relacionamento de desilusão e frustração.

Uma paixão pode durar aproximadamente de 6 meses a 2 anos. Para a manutenção desta paixão, o organismo dispende muita energia, o que seria biologicamente contraproducente manter a pessoa apaixonada por muito mais tempo.

Quando o frenesi da paixão passa, é quando percebemos o individuo tal como é. Neste momento nos questionamos que a pessoa não se comporta mais da mesma maneira. Em outras palavras, não reconhecemos mais os aspectos que eram inerentes à pessoa e mantenedoras da relação.

É exatamente neste momento que podemos capturar a pessoa tal como ela é, sem as nossas idealizações e fantasias. Por outro lado, não podemos manter por muito tempo o que não somos, vindo à tona aspectos reais da nossa personalidade.

As fantasias se esvaem … as máscaras caem. Encontramo-nos face a face com o outro naquilo que de fato somos e naquilo que de fato o outro é: este é o momento da verdade. Neste ponto de ebulição, cabe ao casal ter condições para passar para a próxima etapa ou não.

Caso o relacionamento tenha subsídios para passar para a etapa seguinte, surge um relacionamento maduro e sólido. Caso isto não aconteça, nos vitimizamos, culpabilizamos o outro, tentamos modifica-lo na esperança de restituir o ser idealizado, o que é inviável.

Na impossibilidade de mantermos um relacionamento idealizado, este “cai por terra” por falta de sincronicidade e identificação, bem como pela busca de compensações por aquilo que não encontramos em nós, nem no outro.

Esta é uma breve descrição do que significa “estar apaixonado” em uma situação da “vida real.

Mas, quando o relacionamento virtual se torna paixão?

A paixão na “vida real” já traz em seu bojo todas as questões acima relatadas: na busca do outro no que falta em nós mesmos e das nossas fantasias e idealizações.

E quando isso é virtual? Imaginem o turbilhão de fantasias desta paixão idealizada e de sobra, virtualmente?

Com as novas formas de subjetivação e dos desdobramentos no psiquismo resultantes do relacionamento virtual, como é esse “apaixonar-se” na internet? Como substituir a carência cinestésica na estruturação do vínculo afetivo na fase inicial do relacionamento? Nos apaixonamos do mesmo jeito, mas com um detalhe: a possibilidade de uma desilusão amorosa em um relacionamento virtual cresce exponencialmente, até mesmo porque existe a possibilidade do perfil não corresponder à pessoa de fato. E quando isto acontece, o que fazemos com o que sentimos? O que fazemos com as nossas expectativas?

As dinâmicas relacionais virtuais são cheias de expectativas e surpresas as quais muitas vezes não estamos preparados para enfrentá-las.

Desta forma, é preciso muita maturidade emocional para nos envolvermos em um relacionamento real e principalmente virtual. É necessário aprender a fazer leituras ambientais, estar atento aos pequenos detalhes.

Igualmente importante é compartilhar com amigos ou familiares o relacionamento virtual, pois quando estamos envolvidos emocionalmente, não interpretamos bem os fatos e temos a tendência de achar que a pessoa não tem defeitos.

Por outro lado, o desconhecido, o desbravamento de novos horizontes nos fascina. Somos atraídos pelo diferente, inusitado, novo, enigmático. Tudo isto somado à comodidade do computador, com pessoas e tipos para todos os gostos em meio à descartabilidade que norteia os nossos relacionamentos, podemos escolher com quem nos relacionar.

Não sou contra nem a favor dos relacionamentos virtuais. Muitas pessoas encontram através da internet amizades duradouras e até mesmo casamentos bem sucedidos, como podem encontrar pessoas indevidas, golpistas, etc.

A internet é uma ferramenta que pode ser benéfica ou maléfica. Portanto, a dica mais importante é: Como tudo na vida, tudo depende da forma como você usa.


Soraya Rodrigues de Aragão

Soraya Rodrigues de Aragão é psicóloga, psicotraumatologista, escritora e palestrante. Realizou seus estudos acadêmicos na Unifor e Università di Roma. Equivalência do curso de Psicologia na Itália resultando em Mestrado. Especializou-se em Psicotraumatologia pela A.R.P. de Milão. Especializanda em Medicina Psicossomática e Psicologia da Saúde - Universidad San Jorge (Madri) e Sociedad Española de Medicina Psicosomática y Psicoterapia. Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. É autora do projeto «Consultoria Estratégica em Avaliação Emocional». .
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