Soraya Rodrigues de Aragão

Psicóloga, psicotraumatologista,Expert em Medicina Psicossomatica e Psicologia da Saude. Escritora e palestrante.Estudante de Sexologia. Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; Supere desilusões amorosas e pertença a si mesmo, Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2019 e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. Sites: www.sorayapsicologa.com e www.alquimiadavida.org. Email: [email protected]

Transtorno do Estresse Pós-Traumático não é vitimismo

Somente quem vivenciou a dor de um trauma sabe que embora seja necessário se reestruturar, esta tarefa pode não ser tão simples, nem fácil.Respeitemos o sofrimento do outro. Vivenciar dores emocionais nunca foi vitimismo.


O Transtorno do Estresse Pós-Traumático está classificado entre os Transtornos de Ansiedade e se caracteriza por sua cronicidade e por ter sido obrigatoriamente desencadeado e desenvolvido a partir de um evento percebido e vivenciado como ameaçador à sobrevivência do indivíduo e onde os mecanismos de defesa de luta e fuga “falharam” naquele determinado momento, configurando, assim, um trauma.

Importante ressaltar que quanto mais cedo o trauma for trabalhado e ressignificado, melhor é o prognóstico do Transtorno do Estresse Pós-Traumático, também chamado de TEPT.

TEPT e vitimismo:

Tenho recebido alguns relatos de pacientes que sofreram trauma e que não são devidamente compreendidos por parte de pessoas de seu convívio. Estes pacientes geralmente são criticados e classificados como fracos, que se deixam levar por situações em que precisariam quase que subitamente “tomar as rédeas da sua vida” e seguir adiante sem ao menos ter digerido a catástrofe que assolou a sua existência.

Quanto à necessidade de superação e fortalecimento da resiliência, isto é indiscutivelmente positivo, válido e necessário. Contudo, ressaltar que a pessoa é uma fraca, uma incompetente, que não sabe vencer os seus próprios problemas e conflitos, que está com vitimismo ou até mesmo se aproveitando da situação para ter ganhos secundários, denota uma extrema crueldade e falta de solidariedade. Cada um tem o seu tempo e seus recursos psicológicos para superar uma perda, um luto, uma dor. Parece que tudo tem que ser para ontem. Hoje em dia, as pessoas não têm sequer o direito de trabalhar suas próprias angústias e aflições.

Como diagnosticar o TEPT:

O diagnóstico é realizado por um psicólogo ou psiquiatra. Para fechar um diagnóstico de TEPT, é necessário que o paciente tenha sofrido ao menos um trauma e apresente os sintomas elencados a seguir. Estes devem persistir por mais de 30 dias.

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Sintomas do TEPT:

Dentre os sintomas, os mais comuns estão: os flashbacks (revivescência do evento traumático), taquicardia, tremores, sudorese, problemas gastrointestinais, sentimentos de incapacidade, insegurança, culpa, raiva, medo, tristeza, pesar, desesperança, desconfiança, descrédito na vida e evitação fobica (evitação de lugares e circunstâncias que causem medo ou pavor de que o mesmo evento ocorra novamente). Além destes, também são comuns alterações da memória, comprometimento da qualidade do sono, tais como insônia e mesmo pesadelos, irritabilidade e hipervigilância. Também podem ocorrer a ideação suicida, a despersonalização e a desrealização.

Tratamento do TEPT:

O tratamento ideal é a associação da medicação com a psicoterapia. Um método que traz excelentes resultados no TEPT é a técnica EMDR, uma sigla inglesa que em português significa Dessensibilização e reprocessamento pelos movimentos oculares. Esta modalidade consiste na estimulação dos dois hemisférios cerebrais através do movimento dos olhos. Esta técnica é cientificamente comprovada e eficaz e não trabalha somente questões traumáticas, mas transtornos de ansiedade, depressivos, fobias, estresse, dentre outros.

A importância da família e rede de apoio social:

Muito importante é a adesão da família e o acompanhamento da rede social de apoio que consiste nos amigos, nos grupos terapêuticos que abordem vivências traumáticas de modo que os pacientes possam trocar experiencias, entrando em contato com histórias de pessoas que conseguiram ressignificar e ultrapassar suas perdas e traumas. Contudo, nenhum procedimento substitui o tratamento psicoterapêutico e em alguns casos, o tratamento medicamentoso.

Conclusão:

Cada um “sente na pele” suas dores e pesares e não cabe a ninguém julgar ou desvalorizar a magnitude desta experiência que se cristalizou em trauma. Dentre as falas mais comuns temos: “ocupe sua mente que com o tempo passa”; “Você é um fraco, precisa superar isto”, "se fosse eu já tinha tocado a vida" ou “Isto não foi tão importante, quando vai passar?”.

Somente quem vivenciou a dor de um trauma sabe que embora seja necessário se reestruturar, esta tarefa pode não ser tão simples, nem fácil. Respeitemos o sofrimento do outro. Vivenciar dores emocionais nunca foi vitimismo.


Soraya Rodrigues de Aragão

Psicóloga, psicotraumatologista,Expert em Medicina Psicossomatica e Psicologia da Saude. Escritora e palestrante.Estudante de Sexologia. Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Autora do livro Fechamento de Ciclo e Renascimento: este é o momento de renovar a sua vida. Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2016; Supere desilusões amorosas e pertença a si mesmo, Edições Vieira da Silva, Lisboa, 2019 e do Livro Digital: "Transtorno do Pânico: Sintomatologia, Diagnóstico, Tratamento, Prevenção e Psicoeducação. Sites: www.sorayapsicologa.com e www.alquimiadavida.org. Email: [email protected] .
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