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A vida é uma porta sem tranca e uma janela sem tramela

Frederico Tomazetti

Nasci Gaúcho, fui adotado por Minas Gerais, programado computadores para ganhar a vida e escrevo para alegrá-la.

O outro lado da força

Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante, surge uma saga que nos trás muitas reflexões que já deveriam ser corriqueiras em nossas vidas, mas como ainda não somos os humanos daquela galáxia, precisamos aprender muito ainda sobre a força. Este artigo trás uma visão diferente de STAR WARS, uma visão que talvez muitos já tenham tido, mas poucos tiveram a coragem de escrever.


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Já foram lançados seis episódios da saga idealizada por George Lucas e a sétima já está pronta para despertar, agora sob o signo da Disney. Há muita publicidade, muita divulgação e oficinas para atrair as crianças e adultos que se apaixonaram pela eterna luta entre Jedis e Siths na grande tela. Mas aqui vamos abordar o outro lado da força, vamos observar STAR WARS com outro foco, um ponto de vista, talvez percebido por algumas poucas pessoas que não se cansam de assistir a série e prestam atenção em pequenos detalhes.

STAR WARS relata a vida em uma galáxia distante, não faz menção nenhuma ao planeta terra, nesta galáxia existem seres humanos e não-humanos de toda ordem espalhados por diversos planetas e sistemas estrelares, onde a criatividade do autor pode divagar por todo tipo de característica física e psíquica dos personagens. Além dos seres vivos, há os seres robóticos, também com diversos formatos e tamanhos, a grande maioria com a finalidade de servir aos seres vivos. Os próprios médicos e enfermeiros representados nos filmes, são seres robóticos.

Na base da trama está “a força” que emana de todos os seres vivos e controla o universo podendo ser utilizada tanto para fazer o bem quanto para levar a pessoa ao seu lado obscuro, onde há ódio, medo e desejos de vingança, esta energia que envolve todo o universo é neutra, ou seja, depende do direcionamento que é dada a ela para o bem ou para o mal.

Todos os seres vivos da galaxia possuem, em quantidades distintas, “midi-clorians” na corrente sanguinea, elas são formas de vidas simbiontes, que co-existem para ajuda mútua e com elas é possível interagir com “a força”.

Com estes elementos em mãos, um poderoso Lord Sith, após muito estudo e dedicação, conseguiu, através da força, manipular as “midi-clorians” para criar vida, seu experimento culminou com o nascimento do personagem central de toda a trama: Anakin Skywalker que ainda criança, vivendo como escravo, apresentava características excepcionais para um humano. Após ser libertado, cresce como um Jedi mas seduzido de forma inescrupulosa pelo lado sombrio da força, pelo seu amor cego a esposa, pelo medo da morte, pela ânsia de poder e pela manipulação política, tornou-se assim, “Darth Vader” o maior vilão da galaxia e o mais amado da história do cinema.

Uma das primeiras coisas de que se percebe na história, ao tirarmos os olhos do pontos técnicos, comuns aos críticos de cinema, é que não há preconceitos no filme, os humanos, sejam brancos, sejam negros, vivem em harmonia entre si e também com os seres não-humanos, a liderança se dá pelo conhecimento da força, pela sabedoria em seu uso, seres não-humanos, como o mestre Yoda, são elementos muito sábios e exemplos de vida para todos.

Existem personagens bons e maus de todas as espécies vivas e também robóticas. Não existe uma espécie dominante e o que diferencia lideres de liderados é o poder do conhecimento e não o berço em que nasceu.

Embora a familia Skywalker tenha uma herança genética destacada, ela não é utilizada de forma a disseminar preconceito e separação de classes, afinal o universo é imenso e possui milhões de formas de vida que devem ser respeitadas.

Outra característica que se destaca na série de filmes, é a forma de encarar a morte. Para os seres vivos, a morte faz parte da vida, é algo que cedo ou tarde irá chegar. A morte de um personagem humano não é mais ou menos sentida do que a de um personagem não-humano, no geral, não existe o medo da morte e quando isso ocorreu, no momento em que Anakin se transforma em Darth Vader, foi considerado como um elemento que ajudou a levá-lo para o lado sombrio. Anakin tinha medo da morte, morrer lhe causava dor e sofrimento, para ele, a morte era sinônimo de perda e todos os demais personagens não possuem esta característica, esta visão de perda que a morte aparentemente nos trás.

Os personagens robóticos mostram como é possível conviver harmoniosamente com a tecnologia, eles são usados para servir os seres vivos e muitas das tarefas comuns do dia-a-dia são delegadas a eles, até mesmo cuidados médicos são responsabilidades dos robôs.

As máquinas são programadas com o conhecimento mas a sabedoria é uma característica exclusiva dos seres vivos. Em uma cena rápida mas bem interessante entre o Jedi Obiwan Kenobi e o personagem não-humano Dexter, fica bem claro esta intenção do autor. Dexter, ao ajudar o Jedi a decifrar a origem de um objeto, comenta ironicamente ao amigo: “Achei que os Jedis sabiam a diferença entre o conhecimento e a sabedoria!”

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É a sabedoria que forma lideres e o respeito dos mais jovens com os mais velhos ocorre sempre dentro deste enfoque, mais uma vez sem divisões de classes por espécies ou origem planetária.

O Bem e o Mal também é um foco muito discutido na trama, embora exista uma clara separação entre Jedis e Siths, a todo momento é possível questionar o que é o Bem e o que é o Mal, o próprio Anakin, ao voltar-se para o lado sombrio da força, o fez com a intenção de salvar a vida da esposa, para ele seria uma atitude para o bem dela. Outros personagens também destoam da filosofia Jedi e formam uma linha de pensamento paralela, voltada para o lado sombrio achando que estavam tomando a decisão correta.

Muitas outras lições poderiam ser tiradas desta ficção intergaláctica, só a visão política, por exemplo, poderia ser tema de muitos outros artigos e discussões acaloradas.

STAR WARS é um convite a reflexão e aborda temas importantes que, aparentemente ficam em segundo plano, mas ao se observar com mais cuidado, surgem em sua frente claramente, levando o telespectador a uma linha de raciocínio que apenas as produções artísticas de alto padrão conseguem fazer. É por este motivo que a saga de Lucas possui tantos seguidores apaixonados em todos os confins da galáxia, chegando inclusive ao ponto de fãs mais ardorosos fundarem uma religião baseada nos princípios Jedis e se auto-denominarem Jediistas, onde a força, a livre-escolha, o não-preconceito e o respeito aos fenômenos da natureza são considerados sagrados.


Frederico Tomazetti

Nasci Gaúcho, fui adotado por Minas Gerais, programado computadores para ganhar a vida e escrevo para alegrá-la..
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