um abraço para o mundo

A vida é uma porta sem tranca e uma janela sem tramela

Frederico Tomazetti

Nasci Gaúcho, fui adotado por Minas Gerais, programado computadores para ganhar a vida e escrevo para alegrá-la.

Poli-monoteísmo, o mal do mundo

"Que faz mais mal a humanidade, a religião ou os bancos?" Antônio Abujamra, hoje do outro lado da vida, fazia esta pergunta a alguns de seus entrevistados no seu "Provocações". É uma resposta difícil, mas acho que pelo menos nos bancos nós podemos tirar nosso dinheiro de lá com mais facilidade...


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Os primeiros sopros de civilização surgiram no mundo, há milênios, foi quando o ser humano começou a sentir em si a presença do sagrado. Algo estava fora mas onipresente, era misterioso e inexplicável.

Surgia então, junto com a razão, a idéia de “DEUS” no mundo e cada povo tinha este sentimento comum, mas distinto.

Aparecem as primeiras religiões, que eram apenas um culto da família aos seus mortos. O “morto” era quem definia a religião da familia. O morto era o deus a ser cultuado no círculo familiar.

Cada família tinha os seus “mortos” para cuidar, venerar, alimentar e lembrar. As famílias respeitavam-se mutuamente, pois cada qual sabia da importância do seu culto e o culto do outro.

Um homem esforçava-se em deixar um descendente vivo pois, depois de morto, ele precisaria receber o culto e o banquete fúnebre que o manteria vivo no outro mundo. Um homem sem descendentes estava fadado à morte depois de morrer.

O culto a um “morto em comum” definia o grau de parentesco entre as pessoas, não tinha nada a ver com genética ou herança de sangue.

E cada família tinha a sua religião, cada um respeitava o culto e os mortos do outro. O mundo vivia em paz neste ponto. Para entender melhor esta história, leia “A cidade antiga” de Fustel de Coulanges.

A humanidade caminhava tão bem, apesar das guerras por território e poder. A religião de cada um era respeitada por todos.

Eis que um dia surge a ideia do “Deus único”, o monoteísmo. No começo a ideia era boa, fazia sentido e visava a união pacífica da humanidade.

Mas os humanos nunca foram unânimes e em pouco tempo surgiram outros deuses-únicos, então cada grupo queria revindicar a unicidade do seu deus.

Foi esta fase da história que Nietzche abomina com veemência em seu livro “O anticristo”. Para ele foi neste momento que a humanidade jogou no lixo milênios de história, de aprendizado e de evolução e entrou em uma época de trevas e retrocesso.

"O único Deus que existe é aquele que eu creio, se você crê em outro, o errado é você". Com este pensamento surgiram os fundamentalistas.

Como toda unanimidade é burra, não custou a aparecer profetas por todos os cantos do mundo dizendo ser o seu povo o escolhido por Deus para herdar a terra, o paraíso, etc. e o outro, que crê em outro deus é amaldiçoado, é inimigo e deve ser exterminado.

Foi então que judeus, muçulmanos e cristãos se auto declararam inimigos e se acham no direito de matar por acreditarem em Deus.

As cruzadas, o holocausto judeu na segunda guerra, as infinitas guerras entre judeus, cristãos e muçulmanos é o resultado disso tudo. Nietzsche tinha razão!

Não vamos longe, aqui entre nós, considerados cristãos há muita discórdia, os dogmas mais separam do que unem, igrejas neo-pentecostais pregam a luta contra o inimigo, que por enquanto recebe o nome de “Diabo” mas pode muito bem mudar de nome e de cor, conforme interesses escusos de quem usa Deus para benefício próprio.

Quando vamos entender que o verdadeiro inimigo é o ódio, o orgulho, o egoísmo e a maldade que carregamos em nós e que nos leva a desejar a destruição do outro, que pensa diferente.


Frederico Tomazetti

Nasci Gaúcho, fui adotado por Minas Gerais, programado computadores para ganhar a vida e escrevo para alegrá-la..
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