Samira Calais

Roda gigante eterna

Sinto o pôr do Sol me invadindo. Sinto a textura da areia na sola dos pés.
Vejo abraços e braços, longos e compridos. Vejo aquela risada quente e aquele sossego.
Espero os olhos cúmplices se conversando. Espero ver o Sol amanhecer amarelo acompanhado do gosto de vinho na boca. Fecho os olhos. Onde estou?

Como trilha sonora para ler o texto sugiro a linda "A melhor hora da praia", da Nação Zumbi, que me inspirou para escrever esses versos.


Sinto o pôr do Sol me invadindo.

Sinto a textura da areia na sola dos pés.

Sinto meus olhos navegarem em águas frescas.

Sinto meu corpo quente se resfriar no vai e vem cristalino.

Sinto meus sentidos se cegarem com o brilho no céu.

Sinto a música completar meus espaços em branco.

Pressinto raízes e lembranças, girando como ciranda.

-

Fecho os olhos. Balanço a cabeça. Onde estou?

-

Vejo um sorriso largo me recebendo.

Vejo cores e sabores, misturados com cheiros e toques.

Vejo abraços e braços, longos e compridos, firmes e entrelaçados.

Vejo aquela risada quente e aquele sossego.

Vejo a despedida se aproximando.

Vejo a alma completa pela janela.

Prevejo lágrimas, mas sinto que dessa vez são só sorrisos.

-

Onde estou?

-

Espero o aconchego do entrelace de pernas.

Espero a pele arrepiada e o toque firme.

Espero os olhos cúmplices se conversando.

Espero a sinfonia de risadas como trilha de fundo.

Espero sentir o silêncio confortável e o barulho quieto.

Espero ver o Sol amanhecer amarelo acompanhado do gosto de vinho na boca.

Espero. Espero...

-

Estou aqui. Estou comigo. Estou com muitos e muitas. Estou longe.

Eu sou muitos lugares, muitas cores, muitos cheiros, muitas pessoas.

-

Se o nome disso for saudade, eu sou feita inteira dela.

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