um garoto da fazenda que não veio de krypton

após cuidar da plantação, sobra tempo para expor o que penso.

FABRÍCIO FERNANDES

O FALCÃO DE HELEN MACDONALD E A SUA SUPERAÇÃO SOBRE A PERDA

Helen Macdonald é uma escritora premiada, historiadora, poeta, que de repente tem que encarar a morte do seu pai. O livro F de Falcão narra este magnifico relato autobiográfico, de dor, perda e superação.


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A morte chega a todos, de diversas formas, amigos, vizinhos, animais de estimação. Porém, quando falamos sobre o laço de sangue, auxiliando nosso mundo ao redor, a manifestação de sentimento pode ser brutal e devastador. Helen narra sua intriseca passagem de perda e devestação.

Aceitar a morte é sentir a dor e a desolação da alma, ficar de joelhos, diante de um mundo cruel, perde um pai, carinhoso e afetivo que esteve presente em toda sua vida, pode levar a imobilidade do tempo, para dentro de nos. O que é dia? e noite?, quando a preocupação turva, toma conta do nosso corpo, a perda se intensifica. Parasita sobre a alma e o coração. A vida se torna desgostosa, sem prazer, alegria ou esperança, para mundo particular da autora. Compreendia que o luto poderia ser incessante, se não fizesse algo para si própria. A superação pode demorar dias, meses, anos, e como travamos essa batalha interior pode fazer toda a diferença.

A diferença para Helen estava em seu açor, apelidado carinhosamente de Mabel. Mas não encare isso, como um aspecto de fácil aceitação por parte do falcão, pelo contrário, o que compreendemos é a disciplina entre os dois. O destemor nos olhos selvagem do seu mais novo companheiro. O medo de que alcance voo e nunca mais o retorne para sua dona é a todo momento. Tentar controlar a insegurança, ansiedade, criar uma rotina, levando em conta o luto, enquanto sua vida está de cabeça pro ar, exige um severo condicionamento, como fica claro por essa passagem:

“Dois olhos enormes, selvagens, me encaram por uma fração de segundo, e depois desaparecem. Antes que o açor possa se dar conta do que está acontecendo, tento voar para longe o mais rápido possível. Impedido pelos jesses, grita em uma afilação aguda à medida que percebe suas circunstâncias desfavoráveis. Não consegue fujir. Eu o ergo mais uma vez para a luva. Sob as penas, percebo os tendões, os ossos e aquele coração acelerado. Ele se debate com as asas de novo. E de novo. Detesto isso.”

Boa parte da história, é por esse embate. Certos momentos julgava que ela queria dominar Mabel, felizmente estava enganado de minhas previsões. O que se pretende a todo custo, é demonstrar benevolência, honrar a vida do seu falcão. Jamais faltar com respeito e egoísmo. É um dos pontos fortes da narrativa. O medo é gerado do ponto de vista da autora, que se relaciona ao leitor, pensando que a todo momento Mabel, poderia voar para longe e nunca mais retorna. E acredite, esse medinho é constante na leitura.

F de Falcão, é uma obra que narra a superação da morte. E vai além. O ser humano tem uma diversidade monstruosa e particular de encontrar o seu equilíbrio. A vida é marcada de acontecimentos ruins e bons. Podem nos levar ao esquecimento nebuloso da mente e vagar por um lado escuro e sombrio, por tempos incertos. Mas sentimos que uma hora é preciso fazer algo, se mover. Para Helen,a vida animal de um açor, que a fez se movimentar, passo a passo. Dar novas cores e sentido a sua existência.


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