Giseli Rodrigues

Especialista em Leitura e Produção de Textos, Gestão de RH e Gestão Empresarial. Psicóloga em formação. Viciada em livros, viagens e chocolate. Fã de José Saramago e Almodóvar. Gosta de Arte Abstrata e rabisca com frequência. Tem um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore. Mais textos podem ser encontrados em http://amorcronico.wordpress.com

Onde há violência, não há amor

Onde há dor, desrespeito, ameaça, humilhação, medo, violência e agressão não existe amor. Porque só sabe amar quem tem amor para dar.


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Frequentemente, são noticiados casos de crimes contra as mulheres. Muitas são mortas, mutiladas, agredidas ou violentadas por seus próprios parceiros. Pelos mais diversos motivos. Todas as vezes que um crime passional vem à tona eu fico me perguntando: quando foi que o amor se transformou em ódio? Pessoas que amam são capazes de espancar, violentar e ameaçar? Se o amor é uma coisa boa, como acredito que seja, pode levar à dor, sofrimento e destruição?

Só sei que enquanto você lê este texto tem uma mulher sendo agredida por um homem que deveria amá-la. E isso é muito triste. Com as recentes campanhas nas redes sociais algumas tomaram coragem para divulgar suas histórias e denunciar seus algozes. Mas muitas mulheres ainda estão dormindo com o inimigo e vivendo em situação de risco dentro de suas próprias casas.

Alguns relacionamentos, ainda que não levem à morte nem estampem capas de jornais, deixam sequelas dolorosas. Todos nós já ouvimos histórias de mulheres que são impedidas de trabalhar, estudar e decidir por si mesmas. Histórias de homens que proíbem as mulheres de usar o que quiserem, de ter o corte de cabelo que desejam, de irem a qualquer lugar ou falar o que pensam.

Em pleno século XXI ainda tem quem acredite que o ciúme doentio é manifestação de amor, que o homem tem a última palavra, que mulheres devem obedecer a seus companheiros e se sujeitar a todo tido de sofrimento para manter um relacionamento – ainda que ele só traga tristezas.

Não é minha intenção julgar os relacionamentos amorosos alheios, até porque prefiro acreditar que por mais doentia que seja uma relação hoje, existiu amor, paixão e admiração um dia. E, por isso mesmo, deve ser difícil assumir que o que parecia um sonho virou pesadelo. Ainda mais em uma sociedade que, o tempo todo, nos leva a crer que amar é sofrer.

Eu, no entanto, acredito que relacionamentos amorosos são compostos por pessoas que veem o outro como um companheiro, não como propriedade particular. Apoiam-se, incentivam uns aos outros, se respeitam, se compreendem, e têm amor próprio. Por isso concluo que nem todo casal protagoniza uma história de amor, porque só sabe amar quem tem amor para dar.

Exatamente por isso, desejo que todas as pessoas sejam capazes de amar e serem amadas, que cultivem o amor – estando sozinhas ou acompanhadas. Onde há dor, desrespeito, ameaça, humilhação, medo, violência e agressão não existe amor. Amor, amor mesmo, é aquele sentimento que faz com que desejemos ser melhor do que somos. Tornando o mundo um lugar bem melhor de se viver.


Giseli Rodrigues

Especialista em Leitura e Produção de Textos, Gestão de RH e Gestão Empresarial. Psicóloga em formação. Viciada em livros, viagens e chocolate. Fã de José Saramago e Almodóvar. Gosta de Arte Abstrata e rabisca com frequência. Tem um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore. Mais textos podem ser encontrados em http://amorcronico.wordpress.com .
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