Giseli Rodrigues

Especialista em Leitura e Produção de Textos, Gestão de RH e Gestão Empresarial. Psicóloga em formação. Viciada em livros, viagens e chocolate. Fã de José Saramago e Almodóvar. Gosta de Arte Abstrata e rabisca com frequência. Tem um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore. Mais textos podem ser encontrados em http://amorcronico.wordpress.com

Quase nunca é para sempre

Não desista do amor. Mas não se culpe se, por acaso, o seu relacionamento não foi vitalício. A maioria não é. No passado eles também não eram, só fingiam que sim.


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Olhe ao redor: quantos casais que você conhece estão juntos há muitos anos? Quais deles ainda estão no primeiro relacionamento? Quantos destes que estão juntos há anos aparentam ser felizes?

Ninguém mergulha de cabeça em um relacionamento acreditando que ele vai terminar. Todos almejam que seja para sempre. E, por isso mesmo, é sempre triste saber que um longo relacionamento acabou. É como se o casal desfeito esfregasse na nossa cara que o para sempre sempre acaba, que nada é definitivo e que os amores têm seu começo, meio e fim.

Por outro lado, é uma felicidade enorme pertencer a um mundo onde as pessoas podem escolher permanecer ou não ao lado de alguém. Podem construir uma vida juntos e recomeçar, tudo de novo, do zero, mais uma vez, quando julgarem que o relacionamento não era mais feliz.

Muitos afirmam que hoje em dia as pessoas não sabem amar, iniciam e terminam um relacionamento com muita facilidade, que são egoístas, não têm paciência, não sabem conviver com as diferenças e se frustram por qualquer razão. Que no passado, sim, as pessoas sabiam amar de verdade e construíam relacionamentos duradouros.

Num passado não muito distante as pessoas permaneciam juntas por medo de enfrentar o julgamento da sociedade, que não tolerava separações. Muitas mulheres dependiam financeiramente do marido e toleravam qualquer coisa, pois não tinham como dizer adeus. Os casamentos vitalícios não eram modelos de felicidade.

Os tempos mudaram. Por mais que alguns afirmem que tenha sido para pior, é sempre melhor ter a opção de continuar junto ou seguir a estrada separadamente do que viver aprisionado em um relacionamento que só faz sofrer e não traz felicidade, porque tem que ser para sempre. Geralmente não é. Alguns permaneciam juntos, pois esse era o certo a fazer. Mesmo com traições, filhos fora do casamento, violência doméstica e tantas outras coisas que temos conhecimento.

Hoje estamos aqui, insistindo em viver relacionamentos que durem para sempre, porque somos românticos incorrigíveis. Porque quando amamos alguém imaginamos a vida inteira ao lado dela. Foi assim que nos ensinaram. Foi assim que vimos nos filmes. Foi assim que lemos nos livros. E é assim que a gente quer que seja.

No entanto, nenhum relacionamento vale a dor de ser infeliz. E os dias de hoje permitem que tenhamos diversos recomeços. Inclusive no amor. Porque se algum relacionamento foi eterno enquanto durou, o próximo pode vir a ser até que a morte os separe. Desde que faça bem. Desde que traga alegria. Desde que haja amor.

Não desista do amor. Mas não se culpe se, por acaso, o seu relacionamento não foi vitalício. A maioria não é. No passado eles também não eram, só fingiam que sim.


Giseli Rodrigues

Especialista em Leitura e Produção de Textos, Gestão de RH e Gestão Empresarial. Psicóloga em formação. Viciada em livros, viagens e chocolate. Fã de José Saramago e Almodóvar. Gosta de Arte Abstrata e rabisca com frequência. Tem um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore. Mais textos podem ser encontrados em http://amorcronico.wordpress.com .
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