Giseli Rodrigues

Especialista em Leitura e Produção de Textos, Gestão de RH e Gestão Empresarial. Professora. Escritora. Viciada em livros, viagens e chocolate. Fã de José Saramago e Amodóvar. Gosta de Arte Abstrata e rabisca com frequência. Tem um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore. Mais textos podem ser encontrados em http://amorcronico.wordpress.com

Respeite o sentimento alheio

Uma pessoa apaixonada que se coloca sempre à disposição, investe energia, doa seu tempo e aceita viver uma relação casual que não terá futuro nenhum é responsável pelas consequências dessa escolha. Principalmente nos casos em que foi avisado e concordou com os termos. Mas convenhamos: apaixonados não sabem bem o que fazem.


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Arrisco dizer que qualquer pessoa adulta já despertou o interesse de alguém pela qual não sentiu absolutamente nada. Ou se relacionou com alguém pela qual não se apaixonou, não gostou, não sentiu algo diferente, mesmo a outra parte morrendo de amores, demonstrando todo carinho do mundo e fazendo de tudo para construir uma relação bacana.

Ninguém é obrigado a ficar com quem não gosta só porque o outro está apaixonado. Para ser amor precisa ser recíproco. Os dois precisam estar felizes, gostar da companhia um do outro, sentir vontade de estar junto. Mas nem todo mundo pensa assim, tanto que não é difícil encontrar quem fique com quem não gosta ou continue um relacionamento que não é de seu agrado, pois prefere estar com alguém a estar só.

Há quem prefira continuar levando, dando esperança, encontrando quem esteja apaixonado por ela, só para passar o tempo. E não considera errado se isso for feito de maneira honesta, sincera e verdadeira, se for dito com todas as letras que a relação não vai passar de alguns encontros espaçados e não tem possibilidade de evoluir.

No entanto, eu tenho dificuldade de entender as pessoas que deixam outras na estante. Que ligam quando bem entendem, não desfazem o contato, não perdem o vínculo, não deixam o outro em paz para seguir seu caminho e, quem sabe, encontrar alguém que mereça o amor que tem para dar. Sabem que os apaixonados estão sempre disponíveis e se aproveitam disso.

Uma pessoa apaixonada que se coloca sempre à disposição, investe energia, doa seu tempo e aceita viver uma relação casual que não terá futuro nenhum é responsável pelas consequências dessa escolha. Principalmente nos casos em que foi avisado e concordou com os termos. Mas convenhamos: apaixonados não sabem bem o que fazem.

Na maioria das vezes eles aceitam migalhas, se contentam com qualquer oportunidade de estar junto de quem deseja, tentam se convencer de que é melhor qualquer tipo de relação a nenhuma. Mesmo que ela seja esporádica, dolorosa e unilateral. Porque o apaixonado sente saudade, sofre, manda mensagem, fica esperando um sinal de fumaça no dia seguinte enquanto para o outro foi uma noite e nada mais. Até ele sentir vontade de novo.

Se você é o apaixonado não correspondido eu preciso dizer que ao desperdiçar energia com quem não quer assumir um compromisso, você perde a oportunidade de conhecer alguém que valha a pena. Mas esta crônica não é para você. É para a pessoa pela qual você se apaixonou. E outras tantas como ela.

Essas pessoas precisam respeitar o sentimento alheio. Respeitar quando o relacionamento termina e o outro não quer mais, mas, sobretudo, quando ele ainda resiste, insiste, quer ficar junto – mas elas não desejam.

Está solteiro, quer só passar o tempo e não vê problema em ficar com alguém que já conhece e está disponível? Fique com quem não está apaixonado por você. Mesmo dizendo abertamente, com todas as letras, que não quer mais do que uma relação casual, quem está apaixonado se ilude. E você estará nutrindo falsas esperanças.

Com tantas pessoas no mundo disponíveis para encontros casuais, você não precisa ficar com quem vai ficar esperando uma ligação no dia seguinte. Não precisa brincar com o sentimento alheio. Siga em frente. E permita que os outros façam o mesmo.


Giseli Rodrigues

Especialista em Leitura e Produção de Textos, Gestão de RH e Gestão Empresarial. Professora. Escritora. Viciada em livros, viagens e chocolate. Fã de José Saramago e Amodóvar. Gosta de Arte Abstrata e rabisca com frequência. Tem um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore. Mais textos podem ser encontrados em http://amorcronico.wordpress.com .
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