Giseli Rodrigues

Especialista em Leitura e Produção de Textos, Gestão de RH e Gestão Empresarial. Psicóloga em formação. Viciada em livros, viagens e chocolate. Fã de José Saramago e Almodóvar. Gosta de Arte Abstrata e rabisca com frequência. Tem um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore. Mais textos podem ser encontrados em http://amorcronico.wordpress.com

Relações violentas

O amor precisa fazer bem. Não pode deixar cicatrizes no corpo nem na alma.


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Recentemente me colocaram em um grupo, no facebook, sobre relacionamentos abusivos. Um grupo com milhares de mulheres e uma série de conteúdo sobre violência contra a mulher e, sobretudo, relatos sobre relacionamentos abusivos. Muitas mulheres pedem ajuda para analisar o modo como são tratadas e identificar se os seus companheiros são abusivos ou não.

Por que estou escrevendo sobre isso? Porque muitas vezes ouvimos que algumas mulheres gostam de apanhar, gostam de ser “mulher de malandro”, estão em relacionamentos violentos e abusivos porque querem e escolheram. Mas, dentro de uma relação doentia, muitas pessoas perdem o seu referencial, têm dúvidas se estão sendo respeitadas ou não, algumas vezes não viveram outras experiências e nem sabem como funciona uma parceria saudável.

Estou certa de que nenhuma mulher gosta de ser agredida, humilhada, destratada, insultada, traída, ameaçada, amedrontada. Nenhuma. Mas algumas nunca chegaram a conhecer o que é amor, nem mesmo dentro de suas próprias famílias. Outras se apaixonaram por homens que, inicialmente, eram amorosos, e aos poucos apresentaram suas faces manipuladoras, abusivas e violentas.

Pessoas são universos complexos e os motivos que as levam a continuar em relações que fazem mal são mais difíceis de julgar do que podemos imaginar. São inúmeros os motivos. Algumas mulheres não têm para onde voltar, dependem de seus companheiros financeiramente, suas famílias não as aceitam de volta, têm filhos e acreditam que uma separação será dolorosa demais para as crianças, acreditam que são culpadas pelas agressões que sofrem, acham que merecem passar por todo o sofrimento que vivem, pensam que o companheiro irá mudar e que elas são responsáveis pelo comportamento deles.

Cada pessoa tem a sua história. Que não nos cabe julgar. Aliás, todo o julgamento que temos feito ao longo do tempo, colocando nossos dedos em riste para afirmar que cada um tem o relacionamento que merece e sofre porque escolheu, afasta ainda mais a possibilidade dessas mulheres falarem abertamente sobre seus sofrimentos e procurar ajuda.

Então, toda vez que sentir vontade de julgar uma mulher que sofre – ou sofreu – qualquer tipo de agressão por parte do companheiro e comentar “como ela continua essa relação?”, “merece passar por tudo isso mesmo”, “como ela ainda corre atrás dele?”, “voltou para ele porque gosta de sofrer”, faça o exercício de se colocar no lugar do outro. Eu sei que é difícil, mas procure entender que tomar a decisão de se livrar de algo que faz mal também é doloroso – principalmente quando a violência é tanta que a pessoa envolvida nem sabe mais como é viver em paz.

Sobre violência é bom ressaltar que nem toda agressão é física. Se a pessoa com quem você se relaciona te ameaça, te impede de falar com os amigos, te isola, diz que você é incapaz de atingir seus objetivos, pede suas senhas, vigia o que você faz, te persegue, obriga a fazer sexo, se recusa a usar preservativo, retém seu dinheiro, não te deixa estudar ou trabalhar, lamento dizer: esse é um relacionamento abusivo.

O amor precisa fazer bem. Não pode deixar cicatrizes no corpo nem na alma.

Crônica publicada no Amor Crônico em 28 de novembro de 2017.


Giseli Rodrigues

Especialista em Leitura e Produção de Textos, Gestão de RH e Gestão Empresarial. Psicóloga em formação. Viciada em livros, viagens e chocolate. Fã de José Saramago e Almodóvar. Gosta de Arte Abstrata e rabisca com frequência. Tem um filho, escreveu um livro e plantou uma árvore. Mais textos podem ser encontrados em http://amorcronico.wordpress.com .
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