um paradigma no espelho

busco no mundo aquilo que me faz falta e me causa excesso

JESSICA CICCONE

Entre cinzas de uma cidade incansável, busco as respostas das perguntas não proferidas. Aceito propostas e acredito em promessas. Em uma viagem de pensamentos levo a mochila cheia de palavras

DEIXAR PRA LÁ

Com o tempo talvez eu perceba que não é questão de desapego, é questão de amor próprio.


O cigarro caiu no chão, e então pensei: deixa pra lá.

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Então pensei: deixar pra lá. O que isso realmente significa. Não que eu não o quisesse, e muito menos porque eu tinha um maço cheio de cigarros como ele. Não foi isso. Foi mais por não ser o ideal, por ter atingido um ponto que não seria mais adequado.

Também não digo que na hora não deu raiva, que eu realmente pensei em pegar do chão e fingir que nada tinha acontecido. Mas essa minha fase de fingir que nada aconteceu já passou, agora eu sei muito bem das consequências que teria pegar aquele cigarro do chão.

Seguir em frente e não olhar pra trás foi difícil, não irei mentir. Até desanimei e guardei o maço inteiro na mochila e decidi parar de fumar. Dessa vez foi mentira. Seria até esquecê-lo ou virar a esquina, o que acontecesse primeiro. A verdade é que no começo não parava de pensar em como poderia ter evitado tudo isso, muito drasticamente pensamos até que a solução seria nunca ter começado a fumar, mas sejamos realistas, melhor pensarmos em como não deixar o cigarro cair outra vez.

Que fique claro também, aquele que caiu não volta mais, nada irá adiantar pensar em como seria se ele não tivesse caído ou como poderíamos ter evitado a tragédia. Acabou. A essa altura talvez a chuva já o tenha molhado, quem sabe até alguém tenha levado. Não importa mais.

Com o tempo talvez eu perceba que não é questão de desapego, é questão de amor próprio.

E no fim, deixar pra lá foi mais fácil do que esperava. Mais prazeroso do que fumar aquele cigarro. Mais rápido do que virar a esquina.


JESSICA CICCONE

Entre cinzas de uma cidade incansável, busco as respostas das perguntas não proferidas. Aceito propostas e acredito em promessas. Em uma viagem de pensamentos levo a mochila cheia de palavras.
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