uma nova perspectiva

A arte de olhar os detalhes

Mel Biaso

formada de inspirações, idealizada de sonhos. Acredito que nós leitores somos psicólogos dos grandes escritores.

Carta ao passado

Você se foi, e a cada dia se vai mais um pouquinho, vai de mansinho, sem ninguém perceber você está cada vez mais longe, e o tão glorioso presente vai tomando seu lugar que logo também será esquecido pelo tão esperado futuro.


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Olá passado, como vai você? Resolvi te escrever essa carta, pois estamos cada vez mais distantes, sou das poucas pessoas que sentem sua falta, estamos cada vez mais envolvidos com o presente, com esse pós modernismo atrelado a essa liquidez da sociedade que esquecemos de agradecer o quão bom você foi para nós.

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Não gosto de comparações mas é inevitável pensar em você e não ser grata aos laços que cultivamos, as amizades verdadeiras que conquistamos e os amores sem pressa que vivemos. Hoje em dia com todos os benefícios que a globalização nos trouxe, nos tornamos seres humanos efêmeros, de momentos, seres passageiros, que não ficam, não permanecem, não conquista e nem deixam se conquistar por inteiro. Sinto falta de olhar as ruas repletas de crianças brincando com brincadeiras de sua época, enquanto as mães se sentavam na calçada com as vizinhas e presenciavam longas prozas infestadas de sorrisos, sinto falta de quando a preocupação não era checar o celular a todo momento ávido por uma nova atualização e uma nova notícia. Coisas essas que perderam o valor, foram esquecidas e se tornaram obsoletas com essa onda de modernidade.

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Você se foi, e a cada dia se vai mais um pouquinho, vai de mansinho, sem ninguém perceber você está cada vez mais longe, e o tão glorioso presente vai tomando seu lugar que logo também será esquecido pelo tão esperado futuro. Você se foi e deixou uma geração carpe diem, que está preocupada apenas em aproveitar o momento no qual estão vivendo sem se preocupar com o aprendizado e as consequências de suas ações instantâneas, Recebemos o título de sociedade líquida pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, porque nada é feito pra durar, tudo se esvai sem nenhuma solidez, tudo se perde, e nada se mantém. Você se foi e deixou pra trás um mundo sedento onde sobra liquidez, Você se foi e deixou pra trás um mundo que procura a cura da alma no amor mas não cria laços para não se envolver, um mundo que que pede mais amor por favor mais não consegue manter o amor que lhe chega, um mundo que se sustenta de Rivotril, sofre de ansiedade pelo que ainda não foi vivido ou morre de depressão por não acompanhar os tempos modernos.

Seja lá por onde você anda, passado, eu resolvi lhe escrever esta carta pois sinto sua falta. Peço que ao recebê-la me envie uma confirmação de leitura e me dê uma resposta nem seja breve, pois nos tempos de hoje estamos o tempo todo sendo monitorados pelas redes sociais.


Mel Biaso

formada de inspirações, idealizada de sonhos. Acredito que nós leitores somos psicólogos dos grandes escritores..
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