universo alternativo

Do lado avesso da alma

Taie

Me encontro sempre que me perco. E se me perco, escrevo.

Pré-ensaio sobre a fragilidade humana

“Somos humanos impenetráveis, forjando uma bondade natural inexistente. A razão que nos rege, é irracional.”


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Quando José Saramago (escritor português) escreveu “Ensaio sobre a cegueira”, certamente sua mente entrou em transe.

Um surto no ápice da arte de observar a vida.

Acredito na evolução total da sua consciência.

Diante dessa obra magnífica, pode-se perceber o quão frágeis somos.

Um emaranhado de vida, dor, carne, osso, brutalidade, egoísmo, amor (?).

Precisamos nos educar, dia após dia. Não podemos nos colocar acima de nada.

Renegar o sentimento de superioridade.

Imagine então, toda a população da Terra aos poucos perdendo a visão.

Um a um.

Em todos os lugares. Do nada. Como um vírus. Incontrolável.

Uma nuvem branca tomando-lhe os olhos. E não há absolutamente nada que se possa enxergar além da grande nuvem.

O email não foi enviado, o banho ficou inacabado, o carro longe do estacionamento, o pedestre na faixa de segurança, a criança no parque.

No meio de tudo, o nada.

A humanidade toda, aos poucos perdendo a visão.

Perderíamos a sensatez ou ganharíamos a noção de que ela sempre esteve perdida?

Quantos de nós, conseguiríamos enxergar além do que realmente se vê?

Somos frágeis, mais frágeis quando inventamos uma força que não existe.

Tão frágeis a ponto de perder o equilíbrio quando nos julgamos superiores à qualquer outra forma de vida.

Frágeis por nos prendermos a razão. Acreditando que ela é a salvação.

Humanos impenetráveis, forjando uma bondade natural inexistente.

A razão que nos rege, é irracional.

Por isso, temos de ter cautela. Dosar exclusivamente tudo.

É preciso ter fé em si, mas não agarrar-se a isso sem nada fazer. Sem nada praticar.

Distantes de uma evolução mental conjunta, são raras as mentes que não eclodem a fragilidade nos extremos da existência.

Somos frágeis por não aceitar quem somos.

Animais!

Sim, somos animais.

E a cada milésimo de segundo, precisamos domesticar a selvageria que existe em nosso âmago.

Lembrar que sozinhos não temos nada além insanidade.

Em sociedade, toda loucura se mistura e nos faz acreditar em lucidez.

Essa lucidez ilude-nos com a visão plena (ou quase plena).

É preciso perder para ganhar.

Perder as certezas para duvidar, questionar, conhecer, evoluir.

Ao longo da história da humanidade é notável o tamanho de nossa fragilidade.

De como nos rendemos à ela ao invés de batalharmos pela nossa ascensão física, mental e espiritual.

De como a violência é válvula de escape em situações de risco.

Fraqueza em estado puro.

O caminho mais fácil nem sempre é o melhor a seguir. Quase nunca é.

Não é difícil ser simples, o simples é que é difícil.

Matamos, roubamos, enganamos, estupramos, mentimos com tanta voracidade.

Amar, cuidar, zelar, ajudar, doar-se é trabalho árduo, leva tempo, pede prática.

Por quê?

Criamos crenças, conceitos, doutrinas e conflitos. Guerras. Discórdias.

Constantemente dificultamos a aceitação de quem somos.

Já somos cegos, mesmo se perdêssemos a visão.

Os olhos nos olhares, é o único momento para enxergar o lugar onde a nossa essência não se esconde. Talvez o único lugar do corpo onde se pode ver a alma.

E de quanto em quanto tempo nos sujeitamos à, de fato, VER?

A enxergar além do que pode ser visto. Que tal, fecharmos os olhos e abrirmos a mente?

Conscientizando o inconsciente. (...)


Taie

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