vamos falar sobre isso

Tudo o que ninguém quer falar.

Estêvão Reis

para saber sobre mim pegue um ônibus, venha até a minha casa e tome um café comigo.

Ferido pela igreja?

Não confio em pessoas que não questionam nada. Ou são pessoas sem opinião própria ou são bajuladores.


ferido-pela-igreja.png

Já perdi as contas de quantas vezes fui classificado como alguém que foi ferido pela igreja.

Os que me veem de longe e decidem que precisam criar um rótulo para aquilo que me tornei acreditam que aconteceram coisas dentro da noiva que me afastaram da comunidade da fé, ou que uma barreira foi levantada pelas cicatrizes que me foram feitas. Afinal, a igreja é formada por humanos, certo?

Porém, há um problema nessa teoria.

Ao apresentar qualquer questionamento dentro das igrejas evangélicas você é automaticamente taxado como alguém “ferido pela igreja”.

Não questione a liderança, não proponha uma nova maneira de pensar, não diga que a letra da Lei se tornou mais importante do que o amor ao próximo. Levantar o tapete e deixar a poeira aparecer faz de você alguém que foi ferido por outros irmãos na fé e agora está tentando libertar esse ódio.

O problema é que o processo é exatamente o contrário. Apenas após levantar questões ou apontar erros é que a Igreja passa a te ferir.

Se eu, como um ser humano pensante que é capaz de ler as Escrituras e comparar a igreja evangélica atual com os princípios transmitidos por Jesus questiono determinados comportamentos conservadores e tradicionais da instituição sou rotulado como um rebelde, um fora da curva, um incapaz de ser liderado. Abafam o diálogo, tampam o sol com a peneira afinal, mudanças exigem limpeza.

É nesse ponto que a igreja passa a ferir através do silêncio, do isolamento, na falta de diálogo e na intolerância.

Contudo, esse padrão começou muito antes. O próprio Cristo sofreu dessa maneira.

E daquele dia em diante, resolveram tirar-lhe a vida. Por essa razão, Jesus não andava mais publicamente entre os judeus. Ao invés disso, retirou-se para uma região próxima do deserto, para um povoado chamado Efraim, onde ficou com os seus discípulos. (João 11:53-54)

Em João 11, Jesus já havia iniciado seu ministério. Realizava milagres, andava pelas cidades levando boas novas e anunciava salvação a milhares de pessoas. Contudo, em determinado momento, seus ideais e princípios passaram a abalar a tradicional lei judaica e, é claro, isso enfureceu os religiosos da época. Após ressuscitar Lázaro, um milagre que tomou proporções grandiosas, os líderes da “igreja” da época decidiram que seria melhor eliminar Jesus para evitar futuros problemas.

Jesus questionou o status quo, levantou dúvidas e propôs uma mudança. Mas os religiosos preferiram matá-lo.

Hoje, inúmeros cristãos morrem por serem excluídos das comunidades cristãs apenas por questionarem, por exporem seus pensamentos e abrirem seus corações e, assim como Jesus, são forçados a se retirar para uma região desértica com alguns poucos amigos.

Eu amo a igreja, e amo a tal ponto de conseguir identificar suas falhas ao mesmo tempo em que apresento a cura.

Não sou um defensor de uma espiritualidade individualista. A igreja é um corpo e um membro isolado não sobrevive. Contudo, a Noiva de Cristo precisa aprender a receber de braços abertos os que questionam, os que debatem, os que respeitam a autoridade ao mesmo tempo em que querem crescer junto com seus líderes.

Não confio em pessoas que não questionam nada. Ou são pessoas sem opinião própria ou são bajuladores.

De minha parte, prefiro ser rotulado como alguém “ferido” do que abraçar o erro e a intolerância.


Estêvão Reis

para saber sobre mim pegue um ônibus, venha até a minha casa e tome um café comigo..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/sociedade// //Estêvão Reis