vamos falar sobre isso

Tudo o que ninguém quer falar.

Estêvão Reis

para saber sobre mim pegue um ônibus, venha até a minha casa e tome um café comigo.

​ A primeira coisa que eu aprendi sobre relacionamentos é que não temos o controle

E que essa é a peculiaridade sobre o amor: ele é espontâneo.


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Quando dois rios se encontram há resistência dos dois lados na hora de misturarem suas águas. Cada um possui características únicas e, nesse encontro, há esforço para se unificar. Relacionamentos, por sua vez, são encontro de almas. Almas únicas que se chocam e decidem caminhar juntas, compartilhar a vida. Não são duas metades que se completam, são dois inteiros que formam um novo corpo. E, por carregarem bagagens individuais em cada um dos lados, não é uma equação fácil ou simples, controlável por experimento. É um encontro único.

Eu não sei muito sobre o amor, ainda estou aprendendo, mas a primeira coisa que eu aprendi ao entrar em um relacionamento é que não estou no controle dele. Não é possível prever o que irá acontecer, muito menos como a outra pessoa está se sentindo. Ela não vem com manual de instrução. O amor não vem pronto, ele é construído, feito Lego - peça por peça. Pessoas são imprevisíveis e sabemos apenas a verdade que elas querem que saibamos. Podemos achar que lemos o outro nas entrelinhas, mas somos muito mais complexos que isso.

Também não há gabarito. Não sabemos onde estamos errando a não ser que haja dialogo. Existe uma outra pessoa ali, e ela não é coadjuvante. Ela é protagonista, ocupa 50% da relação. Não é um acessório decorativo. Ela tem voz. E por isso as brigas são inevitáveis: a realidade conflita a expectativa.

Pedir a opinião de amigos é importante, ler a experiência de outras pessoas é essencial, mas cada relacionamento é único, com regras diferentes, novas cartas em jogo e a disponibilidade em construir algo juntos reconhecendo os seus limites.

A verdade é que não sabemos lidar com o outro, mal sabemos lidar com nós mesmos. Aprendi que olhamos apenas para um iceberg de um grande oceano que é a outra pessoa. Olhamos para nossas próprias águas, com nossas peculiaridades e necessidades, e achamos que conhecemos o outro, que sabemos o que ele precisa ou como deveria se comportar e nisso perdemos o que há de mais valioso: a outra pessoa. Nos esquecemos que não conseguimos controlar nem mesmo nossas emoções, e temos a ousadia de achar que sabemos como satisfazer emocionalmente outra pessoa.

Há um abismo entre minhas expectativas (injustas e egoístas) e a realidade de um relacionamento, que tornam a frustração inevitável. Há um vale entre as idealizações e o real, o que vem acontecendo, o que estou vivendo. Esse é o preço que pagamos por ousarmos amar. E isso é incrível. Me recuso a me relacionar com uma extensão de mim, uma ideia do que é amar. Prefiro me aventurar no que posso tocar e sentir, no inesperado e espontâneo. No que é caótico.

O amor é irracional. Do contrário nós não amaríamos tanto. Se houvesse manual ou orientações claras de como se comportar os nossos instintos não viriam à tona. E não existe sorte. Existe muito, e muito, trabalho duro. Pra fazer dar certo, será preciso abrir mão de conceitos estabelecidos, expectativas criadas por nós e aceitar que o outro não é perfeito. E que bom que não é, isso faz dele um ser único.

Você terá que construir a química, a vontade de estar junto. Será responsável por deixar a chama acesa. Se você ama uma pessoa e quer ficar com ela você vai ter que aprender a ouvir, a ceder, a conversar. Terá que lidar com as inseguranças e questões que vem junto com aquela pessoa. Querer estar com alguém e querer fazer dar certo é essencial. E isso está muito além do que eu havia sonhado.

Relacionamentos prontos são construções de contos de fada, literatura, novelas, música pop. Não há nada escrito nas estrelas, nem amor à primeira vista. Não existe uma metade minha por ai pronta para me preencher. Apenas amando entendemos o que é amar. E amar é estar junto, é querer estar junto apesar de, feito crianças, não saber o que estamos fazendo. Cada um vai fazer o que acha que é certo e torcer para que seja o suficiente. É o romance ligado à realidade.

Eu ainda não sei muito sobre o amor, mas estou aprendendo com o tempo que ele é imprevisível, espontâneo, sem controle. Não dá pra prever as cenas dos próximos capítulos, pois eles não existem. Esquece o manual, e se joga. Coloque a mão na massa e faça a sintonia acontecer.

Pessoa ideal não existe. Existem pessoas e o desejo de ficar junto.


Estêvão Reis

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