varal de estrelas

Inspiração que transforma

Thainá Cunha

O presente que o presente é

No best-seller, “O Poder do Agora: um guia para a iluminação espiritual”, Eckhart Tolle aborda a obsessão atual pelo pensamento e o quanto ignoramos, negamos e adiamos o presente. O livro funciona como um manual que nos guia para a nossa essência e para tudo que somos quando paramos de fugir para o passado ou para o futuro.


02.jpg Brigar com o momento presente, muitas vezes, nos impede de apreciar a beleza dos detalhes e a felicidade nas coisas simples.

Um dos livros mais transformadores que já li na vida aborda esse tema tão bonito que é o presente. No livro “O poder do agora: um guia para a iluminação espiritual”, Eckhart Tolle aborda a obsessão atual pelo pensamento e o quanto ignoramos, negamos e adiamos o presente. O livro funciona como um manual para tomada de consciência e para a plenitude desse exato momento. A obra virou um best-seller e é considerada obrigatória para quem deseja trilhar sua própria jornada de autoconhecimento.

Muita gente tem um preconceito enorme com livros de auto-ajuda barata, afinal de contas nessas obras os clichês reinam felizes. Mas nesse guia, Tolle vai além da auto-ajuda e aborda a presença no agora, como um caminho para a espiritualidade e, também para a felicidade. A partir de conceitos do cristianismo, budismo, hinduísmo, taoímos e de outras tradições espirituais, a obra ganha o potencial de despertar nosso verdadeiro ser interior.

O autor escreve como se estivesse nos relembrando de algo que há tempos esquecemos e aborda a importância da auto-observação, da desidentificação com os próprios pensamentos e emoções, para então ter uma vida mais livre e consciente de quem nós realmente somos. Nossas mentes estão tão condicionadas a fugir para o passado ou para o futuro, que simplesmente não notamos que o agora é tudo o que existe, que esse momento é a nossa única realidade.

Ao ignorar e negar o presente deixamos de viver o agora para sonhar com o futuro ou para lamentar o passado. Segundo o autor, esse é um dos motivos de nossa imensa insatisfação com a vida e com seus ensinamentos e também um dos motivos pela nossa confusão e falta de paz interior. Ao reunir as diferentes vertentes espirituais, ele tenta nos mostrar que, a partir do momento que aceitamos o que é, aqui e agora, nos abrimos mais para a vida e saímos das tentativas inúteis de controlar tudo e todos o tempo todo.

Eis as principais conclusões que cheguei ao ler esse livro:

“Isso não deveria estar acontecendo”; “Nada acontece na minha vida”; “Quando eu tiver x, y, z vou ser feliz de verdade”; “Eu deveria ganhar mais”; “Eu queria estar trabalhando naquilo que eu amo”; “As pessoas deviam ser mais generosas comigo”; “Ninguém me entende”; “Eu deveria ser mais magra e bonita”; “Eu deveria ter nascido rico, aí sim tudo seria mais fácil”; “Todo mundo consegue o que quer só eu que não”; “Nossa hoje ta tão quente, bem que podia chover um pouco”; “Aff, não para de chover bem que podia sair um sol”... e eu poderia continuar aqui, tipo forever, exemplificando todas as frases que repetimos para nós mesmos quando negamos o nosso maior tesouro: o presente.

Não é à toa que ele é chamado assim, né?! PRE-SEN-TE. O ser humano tenta controlar absolutamente tudo e, quando não consegue, ele simplesmente não aceita e luta com aquilo que é, que está aí, que não tem como mudar. Em que momento nos deixamos levar por essa insatisfação generalizada e por esse desejo de controle compulsivo, gente? É muito mais difícil viver dessa forma e, mesmo sabendo disso, escolhemos sempre o caminho mais espinhoso para trilhar.

Pensa comigo, quando você se pega reclamando de algo, alguém ou alguma situação é por que você gostaria que ela fosse diferente, que você pudesse mudá-la, deixá-la perfeita. Mas eis o balde de água gelada que tenho que virar na sua cabeça: você não vai mudar nada. Nosso instinto reclamão, acha que a raiva e a insatisfação podem alterar as coisas, só que ele está completamente equivocado.

Brigar com a sua situação de vida não vai te levar a lugar nenhum. Até por que ela é apenas uma situação de vida. Ela não é a sua vida. Tudo passa, por mais difícil que possa parecer agora. Ficar puto com o emprego que você detesta, com aquele colega que marcou e não foi, com a chuva que não para de cair, com o seu corpo, com as pessoas. Acredita em mim: não é por aí.

Aceitar o agora, assim do jeitinho que ele é e não como a gente gostaria que fosse é mais do que papo de auto-ajuda barata, é a decisão mais inteligente que você pode adotar. Você tira a pressão do que tem que ser, do que acha que deveria ser, dos acontecimentos passados e futuros e acolhe com mais leveza e amor cada um dos seus dias e momentos. E às vezes, é justamente desse sinal que o Universo precisa para saber que o caminho está aberto e que ele pode agir. Te desafio a ficar uma semana sem reclamar, topa? Você conseguiria? E se, além disso, nessa semana você começasse a olhar para as coisas boas do seu dia e a agradecer por elas? Será que rola? E se as resistências aí dentro de você estão gritando que isso é bobeira, que temos que reclamar sim, começa por elas. Aceita essas vozinhas aí dentro de você, só aceita.

Mas aceita também o desafio de olhar para a vida como o presente que ela é. De tomar uma boa dose de humildade para saber que tudo está como deveria estar, você está onde deveria estar e é lá na frente que você vai agradecer por esse momento que vive agora. Bora recrutar mais gente pra esse desafio junto de nós! Crescer junto é mais gostoso, se puder compartilhe esse texto e deixe sua experiência aqui embaixo, vou adorar saber!


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