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pensamentos e reflexões para uma vida mais autônoma e feliz

LUIZ CARLOS SANTI

Sou absolutamente otimista e acredito que pequenas coisas, pequenos gestos, podem fazer do nosso mundo um lugar melhor para todos.

Louis Armstrong e Blue Jasmine

Já dizia o notável Henry Ford que a maior virtude de um empreendedor é nunca desistir, algo que deveríamos levar mais a sério se realmente desejamos conquistar coisas maiores em nossas vidas, como fez Louis Armstrong, as prostitutas de Storyville e um punhado de músicos que além de criarem o Jazz, tinham em comum apenas enormes desafios....


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Muito provavelmente minha personalidade melancólica e o gosto pelo silêncio me prepararam para ser um bom ouvinte de jazz ao longo do tempo, como Woody Allen também, eu acredito. O título de um de seus últimos trabalhos deixa no ar um pouco disso, o que é também uma história para lá de interessante para quem ainda não a conhece muito bem. Blue Jasmine, o nome do filme estrelado por Cate Blanchet e Sally Hawkins, tem a ver um pouco com a origem desse movimento musical que ocorreu no final do século XIX em New Orleans, numa boate chamada Storyville onde Charles “Buddy” Bolden criou um estilo que misturava vários outros comuns à época, entre eles o ragtime e o blues, e que ficou conhecido depois como Jazz.

O seu nome muito provavelmente tenha sido dado por algum crítico que queria associá-lo a coisas ordinárias, baratas e sem valor, uma “homenagem” portanto as prostitutas dessa boate onde Buddy tocava e que eram mais conhecidas por usarem um perfume vagabundo com odor de jasmim. Mais tarde esse nome mudou novamente pois “Jass” era muito parecido com “Ass”, o que ás vezes gerava certos constrangimentos, fato que Wynton Marsalis nega pois segundo ele estaria associado a formas mais primitivas de prazer e que apenas serviria para enobrecer a nova arte que estava saindo do forno. Mas seja como for, “Jass” não vingou muito e pouco a pouco a sua grafia mudou para Jazz, o maior presente dos Estados Unidos para o mundo, para desgosto de seus muitos detratores que, se torciam o nariz para o ragtime, simplesmente odiavam o Jazz.

Mas, embora Buddy Bolden possa ter sido um importante personagem na criação de Jazz (ele infelizmente ficou louco muito jovem e foi internado num hospício onde morreu nos anos 1930) Louis Armstrong foi quem lhe deu o status de arte, sendo portanto e merecidamente reconhecido como o pai do Jazz. Ele nasceu e viveu até seus vinte e poucos anos num bairro pobre e violento de New Orleans conhecido como battlefield. Sua mãe foi abandonada pelo marido quando ainda era muito jovem o que a obrigou muitas vezes a se prostituir para poder colocar comida na mesa da família, o que não acontecia com muita frequência, diga-se de passagem.

Por sorte, com sete anos de idade seu caminho se cruzou com os músicos de Storyville, em especial com King Oliver (Armstrong o chamava de Papa Joe) e com uma família de imigrantes judeus russos que tinha uma empresa em New Orleans que fazia entrega de carvão para as prostitutas da boate, além de outras. Armstrong foi trabalhar com eles, que o adotou como um filho, comprou o primeiro trompete surrado numa loja de produtos usados por U$ 5,00. O resto vocês já sabem.

Se você gostou, sugiro a leitura de Buddy Bolden and the Last Days of Storyville, que apesar de ser uma edição antiga, de 2001, é muito bacana e você pode comprar no site da Amazon americana.


LUIZ CARLOS SANTI

Sou absolutamente otimista e acredito que pequenas coisas, pequenos gestos, podem fazer do nosso mundo um lugar melhor para todos..
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