vida - manual do usuário

Amores, dores e tudo mais sobre a aventura de viver.

Viviane Battistella

Psicóloga, psicoterapeuta, especialista em comportamento humano. Escritora. Apaixonada por gente. Amante da música e da literatura.

RELAÇÕES PERIGOSAS

Por que tantas mulheres estão se metendo em relações virtuais? O que buscam? Por que elas se apaixonam a ponto de confiar em um desconhecido sem se dar conta do risco que correm?


perigos-da-internet.jpg

Eu estava na plateia da gravação do programa do Dr. Flávio Gicovate. Chega uma pergunta enviada pela internet na qual a ouvinte diz estar deprimida. Ela tinha um “namorado” de outra cidade e a relação acontecia no mundo virtual. Na intimidade ela havia se mostrado nua em sua webcam e agora sofria pois com o fim da relação ele havia fotografado uma das cenas e ameaçava mostrar a foto – inclusive ao filho dela.

O mundo virtual facilita a vida, as relações e é sabido que desde o lançamento da primeira edição da revista Playboy, mulheres nuas fazem sucesso. Na revista elas consentem, estão de acordo e receberam por isso – a meu ver, nada de errado. Nas fotos, nos vídeos e na profissão, mulheres ganham a vida com o próprio corpo, não vou me posicionar contra. Acredito na liberdade de escolha de cada indivíduo. O problema não está nem nas fotos nem nos vídeos, mas sim em mulheres carentes e imaturas buscando príncipes encantados em um ambiente onde cada um pode fingir ser quem quiser. Nessas relações elas não só caem na exposição indevida dos seus corpos, mas também são vítimas de golpes financeiros.

Desde que o mundo é mundo, nós mulheres nos apaixonamos com muita facilidade, procuramos amparo, idealizamos nossos sonhos e a nossa admiração. Buscamos “príncipes” que nos tirarão do borralho e nos falarão palavras bonitas. Somos todas presas fáceis tanto de serial killers ou golpistas estelionatários, quanto de homens que buscam aventuras, muitas vezes extraconjugais, e que, para isso, seduzem, mentem, juram amor. Talvez o que as mulheres busquem seja serem admiradas, desejadas - o que é muito saudável - porém, não se pode confiar tão cegamente assim em alguém que nunca se viu. O amor é um sentimento que implica sim numa certa cegueira, mas nem sempre sexo vem acompanhado de amor. Há alguns anos, assistindo um programa que a apresentadora Astrid Fontenelle gravava no aeroporto de Guarulhos, uma mulher, muito feliz aguardava por seu “namorado virtual” que chegaria da Austrália para busca-la para o “felizes para sempre”. Astrid resolveu aguardar com ela, afinal era esse o tema do programa. Depois de alguns minutos a mulher recebe um telefonema do tal homem, falando inglês, solicitando o depósito de um dinheiro em uma conta, alegando estar preso na polícia federal. A assistente da apresentadora pega o telefone, o sotaque dele era árabe e aos poucos, fomos vendo o castelo se desmoronar, ali, ao vivo, em frente ás câmeras. A tal mulher estava sendo vítima de um golpe. Foi triste de assistir.

Acredito que, as mulheres que têm sofrido com as consequências desse tipo de relação precisam descobrir porque “se apaixonam” assim tão rápido e com tanta facilidade, é preciso trabalhar as razões de tanta carência, tanta falta de amor próprio e de tanto desamparo. Amor nasce com o tempo, devagar, e é oriundo de uma relação real e próxima. Amor é calmo, vem lento e vai crescendo, alicerçado em confiança e cumplicidade. Sou defensora ferrenha do amor, mas desacredito que ele nasça antes que se olhe nos olhos, que se sinta o cheiro e as pernas tremendo pela presença daquela pessoa.

Como concluiu Dr. Flávio em resposta a tal ouvinte, nada pode ser feito em relação a ter entrado numa roubada vinda de uma relação virtual, a não ser esquecer e aprender com a experiência de cabeça erguida, pois nossa sociedade ainda é muito mais machista do que pensamos. Pessoas ainda afirmarão que “a mulher é culpada” e que “se meteu nisso porque quis”. Sim, ainda somos vistas assim por muitas de nós mesmas! Desde a adolescência até a terceira idade, mulheres correm o risco de sofrer alimentando falsas esperanças de que “aquele” é o príncipe que chegará em seu cavalo branco. Esqueçam moças, e se quiserem assistir a dois filmes úteis sobre “príncipes” assistam Shrek e A Bela e a Fera. Naqueles personagens pouco principescos é que mora o amor.

Em proporção menor, claro que existem casos de casamentos muito bem sucedidos que nasceram de relações virtuais, mas a quantidade de mulheres se lamentando e sofrendo nos nossos divãs é muito maior. Acredito no bom uso da internet e das redes sociais, pode-se conhecer muita gente, fazer muitos contatos, mas relações de verdade, só existem no mundo real. O amor? Também.


Viviane Battistella

Psicóloga, psicoterapeuta, especialista em comportamento humano. Escritora. Apaixonada por gente. Amante da música e da literatura..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Viviane Battistella