vida - manual do usuário

Amores, dores e tudo mais sobre a aventura de viver.

Viviane Battistella

Psicóloga, psicoterapeuta, especialista em comportamento humano. Escritora. Apaixonada por gente. Amante da música e da literatura.

SÓ VIM PARA LER OS COMENTÁRIOS - Manifesto em defesa do autor desconhecido.

Inspirando-me em Voltaire eu lhes digo: nós defendemos o seu direito de dizer cada palavra, mesmo que você não concorde conosco, apesar disso, tenho uma notícia, você não tem o direito de nos agredir ao expressar a sua opinião sobre o que escrevemos.


agressão virtual.jpg Vamos deixar uma coisa clara aqui. Somos autores desconhecidos, aceitos e aqui escrevemos. Passamos pelo crivo do editor, então, digamos que a coisa aqui é séria. Escrevemos por amor, pela dor, pelo prazer. Escrevemos porque gostamos e, modéstia a parte, sabemos. Tem muito, tem tudo de nós nos nossos textos, tem o mundo que é visto daqui do canto da gente.

Ninguém aqui é dono da verdade, ninguém aqui é Fernando Sabino, nem muito menos Oscar Wilde. Somos apenas privilegiados por esse tempo atual no qual muitos podem nos ler. Tempos legais que por um lado nos levam para longe em segundos, mas que por outro lado mostram uma quantidade enorme de gente intolerante, desrespeitosa e sem muita educação que nem nos conhece e nos agride só porque não concorda com o que escrevemos.

É, se você for continuar lendo, eu vou falar sobre os comentários que você faz nos nossos textos e vou te dar uma notícia bem chata: você não fala de nós quanto comenta, você fala de si! Seja o seu comentário um elogio sincero ou uma crítica agressiva e sem propósito, entenda, a nós psicólogos é bem fácil perceber muito de cada um de vocês, principalmente quando nos critica simplesmente porque o que nós escrevemos mostra a nossa visão que, sobre aquele tema, é diferente da sua.

Se a nossa opinião é só a nossa opinião, então por que ela te incomoda tanto a ponto de você nós agredir? Ou você entra na loja para “agredir” a blusa que você viu na vitrine e não gostou? Então, se aquele texto é “um lixo” ou o “pior texto” que você já leu na vida, vire as costas e pronto, passe reto. Tem tanta coisa melhor não é mesmo? Discorde! Discorde sempre, isso é bom, é saudável, mas faça com respeito, com educação, afinal de contas, a gente nem se conhece! Agora, agredir “ao lixo”? Estranho né? Sabe o que pode ter acontecido, nossas palavras doeram em você né? Te bagunçaram. Acontece, já aconteceu comigo e é assim que a gente muda, e cresce.

O pior comentário que já li foi em um texto de outro autor, muito bom por sinal, em outra revista na qual escrevi. Um comentário desrespeitoso, cruel, no qual o rapaz chegava a pedir que o editor excluísse o colunista. Pensei na hora: “Será que esse ser humano acha mesmo que tem o direito de dar ordens ao editor?” Também vi muitos comentários nos meus textos que, sinceramente, eu não merecia. Acredito que se você não gosta das nossas palavras, o mais correto é ignorar. As críticas vêm quando, apesar de discordar, você coloca o seu ponto de vista educadamente, se interessa pelo assunto e está disposto a iniciar uma discussão. Aí é válido! Aí é legal!

Dos comentários que mais me chamou a atenção em um de meus textos, me lembro de um no qual a moça me criticou e eu topei a conversa porque no fundo ela não estava discordando, estava me pedindo “socorro”. Vi nas palavras dela dor, sofrimento e vi que o que eu escrevi a tocou. Por mais que ela tentasse se mostrar “bem resolvida”, a forma como agiu denunciava que ela, mais do que ninguém era o exemplo do que eu então descrevia. Tentei me aproximar mas o que ela queria não era conversa, era agredir.

Não seria mais legal ignorar quando as nossas palavras não lhe servem? Não parece uma criancice enorme ficar agredindo desconhecidos nessa ânsia imatura de querer ter razão? A unanimidade é burra. Você tem o direito de discordar, mas não tem o direito de nos agredir por isso. Fica feio e, se aos vinte e poucos anos você está cheio de certezas, vou lhe contar uma coisa, elas vão desaparecer, todas elas, de modo que aos quarenta você vai se envergonhar do que faz agora e vai estar cheio de dúvidas sobre tudo.

Cuidado com essa agressividade toda porque, daqui do nosso canto, além de interpretar, ficamos pensando como você age quando quer se relacionar afetivamente. Vejam que interessante: os textos que são “recorde de público” na obvious e fora dela são os textos sobre o amor. Se você clica neles, se interessa por eles, você quer um amor, mas agindo assim, vai ficar difícil encontrar um. Se a sua intolerância e falta de educação chega ao ponto de agredir um autor desconhecido pela internet, fico aqui imaginando o seu olhar e modo de agir com o outro ao vivo, quando ele chega bem mais perto e se mostra bem mais.

Relacionamentos existem na vida real, aqui no mundo virtual, as relações são parciais e fragmentadas. Não se deve agredir um desconhecido pelas redes sociais e não se pode ser tão intolerante. Desculpem mas a intolerância parece sinal de pouco intelecto. Agradecemos aos comentários, adoramos as críticas que realmente são críticas e adoramos os elogios, claro. No mais - de coração - a sua opinião agressiva e projetiva, nós dispensamos. Todos nós, autores desconhecidos temos uma característica em comum, gostamos muito de ler e aprendemos a escrever lendo. Ninguém escreve sem antes ter lido muito e se apaixonado por ler. Sabemos e respeitamos nomes que realmente fizeram diferença nesse mundo e sabemos muito bem que não somos nada. Estamos apenas nos expressando, e de certa forma, expressando a nossa arte. Somos gente séria e antes de sermos aceitos, passamos por uma avaliação. Estamos sujeitos, mas não ao desrespeito.

Uma sugestão: comece a escrever!


Viviane Battistella

Psicóloga, psicoterapeuta, especialista em comportamento humano. Escritora. Apaixonada por gente. Amante da música e da literatura..
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