virasertão

Registros, testemunhos e imersões de existências que se querem

Marcelo Ribeiro

Menos é mais: com leveza a vida é melhor

Por que o menos seria mais? Uma vida com leveza, com menos coisas possibilitaria uma melhor qualidade de vida? Durante uma viagem de bike na Estrada Real, vivenciei estas perguntas entre subidas e descidas, carregando um monte de tranqueiras que nada me ajudaram na experiência da viagem. Aliás! Aprendi muito. Querem saber o que? Convido-os a leitura.


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Ultimamente a máxima “menos é mais” se tornou uma tônica nas falas e também nos cotidianos de muitas pessoas. Embora aparentemente enigmática e de múltiplas origens (há quem afirme que esta máxima tem origem no meio artístico, sobretudo em relação as escolas de teatro que buscavam a “essência” nos aspectos dramáticos, enxugando tudo que pudesse ser supérfluo), “o menos é mais” ganhou ressonância em um estilo de vida que apela à qualidade e à sustentabilidade, como crítica, por exemplo, a sociedade do hiperconsumo.

No meu caso, tal discurso ganhou uma dimensão existencial quando me aventurei, juntamente com outros colegas, a percorrer a Estrada Real de bike, encarando as infinitas descidas e subidas, algumas deveras íngremes (na verdade fizemos o trecho chamado Caminho Novo, que vai de Ouro Preto – MG à Petrópolis – RJ). Nesse tipo de aventura, normalmente carregamos as bikes com os apetrechos de viagem, porém nem sempre há equilíbrio entre o que levamos de essencial e supérfluo.

Mesmo sabendo que nos trechos percorridos haveria muitas vilas e pequenas cidades que permitiriam prover eventuais necessidades, terminei levando um monte de tranqueira desnecessária, culminando em excesso de bagagem. Levei barraca (que terminei não usando), roupas demais, pneu sobressalente, duas câmaras, dentre outras coisas que nada ajudaram. O resultado não poderia ter sido outro, ou seja, o bagageiro não aguentou, quase fiquei na mão e o pedal se tornou um suplício.

Em determinado momento da viagem, tive a sorte de me desvencilhar de algumas coisas, diminuindo o peso que carregava e pude ainda fazer uma revisão na magrela, consertando o bagageiro e ajustando o sistema de freios, que já estava pifando.

Daí em diante, o pedal foi outra história e o desempenho muito mais aproveitável. Lição: quando a gente está leve curte mais a viagem (que é também a viagem da vida).

Alguns dos meus parceiros da Estrada Real também compartilharam essa lição. Lembro que diziam que tentavam viver um dia de cada vez, aproveitando o máximo, mas vivendo com o que podiam “carregar”. Diziam ainda que da próxima vez tentariam levar apenas o essencial.

Toda essa experiência, como disse, ganhou concreticidade para mim e agora fico refletindo e mesmo tentando passar essa mensagem para os demais. Afinal, “carregar menos coisas” na vida nos deixa mais leves e, nesse sentido, “o menos é mais” porque passamos a aproveitar melhor a existência, sobretudo naquilo que é essencial.


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