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Rio Doce da Lama ao Caos

“Estou enfiado na lama, é um bairro sujo onde os urubus têm casas e eu não tenho asas, mas estou aqui em minha casa onde os urubus têm asas”. Lama ao Caos, banda Nação Zumbi.

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O rompimento da barragem de Mariana significou uma hecatombe ambiental, dos 228 municípios total ou parcialmente incluídos na bacia, 26 localizam-se no Espírito Santo e 202 em Minas Gerais nas mesorregiões do Vale do Rio Doce, norte da Zona da Mata e sudeste da Metropolitana de Belo Horizonte. As principais cidades da bacia em Minas Gerais são Ipatinga e Governador Valadares e, no Espírito Santo, Colatina e Linhares. A população total residente na bacia é da ordem de 3,2 milhões de habitantes.

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AS CONSEQUÊNCIAS PODEM SER DIVIDIDAS:

(a) impactos humanos (sociais e políticos);

(b) impactos econômicos;

(c) impactos ambientais e impactos envolvendo a interação entre todas essas dimensões.

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Em termos de impactos humanos, além da perda de vidas, de pessoas feridas ou relacionadas aos traumas individuais e coletivos que certamente irão ocorrer, temos a necessidade de realocação/reconstrução não somente de provimento de moradias e de infraestrutura urbana, mas também a criação de novas alternativas de desenvolvimento econômico e social das pessoas diretamente e indiretamente envolvidas no desastre.

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Os impactos econômicos são graves e variados. Eles vão muito além dos distritos de Bento Rodrigues e Paracatu. Atingem em cheio os municípios de Mariana, Ouro Preto e Ubu (ES), mas também vários outros da região do quadrilátero ferrífero de MG, inclusive a cidade de BH. Importante mencionar que esse desastre certamente trará importantes consequências no cenário político de MG e, principalmente, nas relações entre o Estado mineiro e seus políticos e as empresas de mineração e seus gestores.

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Os impactos ambientais vão acontecer em todo o cenário atingido pela lama das represas que se romperam. Podemos listar os principais impactos ambientais que estão ocorrendo  irão ocorrer em função desse acidente:

(a) interrupção temporária do abastecimento de água em função da má qualidade de água;

(b) assoreamento de trechos do rio e de alguns de seus tributários (acredito que seja um impacto irreversível);

(c) Bioacumulação de metais e de outros poluentes advindos das barragens rompidas em peixes e outros componentes da biota aquática (reversível, em longo prazo, de três a cinco anos);

(d) remoção e comprometimento de trechos significativos da vegetação ciliar; (e) mudanças na biologia das espécies, em decorrência do assoreamento, perda de volume e profundidade, com consequente aumento da temperatura média da água dos rios afetados;

(f) alterações na paisagem tais como mudanças de cursos, aparecimento de alagados marginais;

(g) problemas de aumento nas doenças de veiculação hídrica associado à perda temporária na qualidade dos serviços de saneamento, dentre outros impactos ambientais que possam vir ocorrer.

O tempo de retorno às condições que prevaleciam antes do acidente será muito variável e tudo vai depender do tipo de impacto ambiental a ser realmente estimado:

(a) qualidade da água: terá um tempo de retorno pequeno (alguns dias a meses), dependendo da intensidade das chuvas, principalmente.

 (b) contaminação da biota por metais e outros agentes tóxicos: vai demorar em aparecer (de alguns meses a um ano), mas esse tipo de impacto pode permanecer durante alguns anos em toda a calha do rio Doce, assim como na represa da Pampulha.

(c) assoreamento das calhas dos rios: irreversível em grande parte da área afetada, a não ser na região mais próxima das barragens rompidas que deverá ser totalmente dragada e recuperada, provavelmente. Mesmo nessa hipótese, a recuperação dessas áreas do entorno deverá levar de dois a cinco anos, no mínimo, dependendo dos resultados dos inquéritos, licitações, e cumprimento de várias exigências legais de toda ordem.

(d) vegetação ciliar (ripária): pode demorar décadas, para algumas espécies de crescimento mais lento.

(e) extinção de espécies endêmicas, típicas do rio Doce: caso seja constatada alguma extinção, trata-se de algo irreversível.

(f) doenças de veiculação hídrica: variável, dependendo da rapidez da reconstrução da infraestrutura de saneamento que foi destruída. Esse tópico deverá ser atacado prioritariamente e por isso, imagino que deverá ser de pouca duração no tempo (três meses a um ano).

(g) perda de biodiversidade: pode demorar de anos a décadas para ser restabelecida, dependendo dos programas de recomposição da biota que devem ser montados.

 

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EM SÍNTESE, COLOCAR MAIS INTELIGÊNCIA, CONTROLE E TRANSPARÊNCIA NESSES SETORES IMPORTANTES DA ECONOMIA E EXIGIR DELES MAIS SUSTENTABILIDADE, O QUANTO ANTES.

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Maior controle de segurança para barragens, usinas, plataformas "off Shore, portos, aeroportos e toda e qualquer outra grande estrutura feita pelo homem cujo colapso possa causar grandes danos em termos humanos, socioeconômicos e ambientais.

Importante melhorar as estratégias de planejamento estratégico e gestão das empresas desses setores, incluindo nesse planejamento a possibilidade real de colapso das obras mencionadas acima.

Melhorar em muito o monitoramento ambiental “sensu latu” que é feito no Brasil não somente com aperfeiçoamento e modernização, mas, sobretudo dando mais possibilidade de auditar e controlar esse sistema.

Envolver as nossas universidades no processo de aumento de sustentabilidade da indústria nacional, através de mecanismos que induzam uma maior aproximação das universidades públicas com o setor privado.

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CABEÇA DE BURRO E O FUTURO DE MARIANA de Ricardo Motta Pinto Coelho Professor do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios (LGAR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Rogério Fonseca Doutorando da Pós-Graduação em Ecologia pela UFMG texto escrito pelos professores sobre a reflexão de Mariana e Rio Doce, e todas as consequências que envolveram esta acidente catástrofe ambiental.

https://zerohora.atavist.com/mariana

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