viver à deriva e sentir que tudo está bem...

A vida é uma colcha de retalhos. Todos da mesma cor...

Geraldo

Resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas...

Carlos Nelson F. dos Santos Tinha Razão

Este texto é sobre o atual momento da preservação do patrimônio histórico nacional é uma homenagem a quem eu conheci com muita satisfação Carlos Nelson Ferreira dos Santos (1943-1989) arquiteto, urbanista, professor universitário e antropólogo brasileiro. Carlos Nelson foi um grande pensador urbano brasileiro. Seu compromisso profissional foi sempre o de pensar a cidade a partir de uma práxis transformadora, o que conseguiu fazer de uma forma muito particular e reveladora de seu espírito criativo, inovador, questionador, polêmico.

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Nas raízes de uma história a natureza faz morada. Em silêncio, a casa construída em 1763, sente o peso da idade e o abandono. As raízes das árvores que hoje a habitam também pedem socorro. Telhado, paredes e assoalhos - por insistência - continuam a demonstrar sua imponência e a importância cultural da arquitetura luso-açoriana. Mas até quando?

Patrimônio prestes a virar ruínas

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Santo Amaro do Sul, fundado há mais de 250 anos, está situado às margens do Rio Jacuí, entre Rio Pardo e Triunfo. É um dos primeiros povoados do Rio Grande do Sul. Marcado pela arquitetura colonial portuguesa, é considerada pelo Iphan, em sua página, como uma das Vilas que possui um dos mais significativos conjuntos urbanos de origem portuguesa do Estado. Nessa região, em meados do século XVIII, situava-se a fronteira entre os impérios Português e Espanhol, território habitado por índios.Em 1881, Venâncio Aires pertenceu ao município de Santo Amaro, sendo o 4º Distrito. Este pertencimento durou dez anos e seis dias

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PRESERVAR NÃO É TOMBAR; RENOVAR NÃO É PÔR TUDO ABAIXO.O artigo de Carlos Nelson F. dos Santos, na Revista Projeto, de 1986. O Arquiteto, urbanista e antropólogo fluminense, nesta obra, discute o conceito de preservação patrimonial no espaço urbano - meio de constantes mutações, produto de pluralidades - estabelecendo as relações entre guardar e proteger que movimentam as ações de preservação, e as reformulações/recriações que mantêm vivos estes espaços sociais.

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Carlos Nelson F. dos Santos sobre seu artigo que foi vetado pela Revista do Patrimônio Histórico Nacional pelo seu editor na época. Quando ficou pronto, foi vetado pelo editor, sob o pretexto de que ofendia os brios da arquitetura nacional. Procedimento dos mais estranhos, em se tratando de trabalho assinado, escrito e desenhado no capricho, após insistentes convites. Não sei, não... Deve ter ido muito direto ao alvo. Paciência. Carrego a honra de ter sido censurado pela Nova República bem antes de Godard (Rio, 1984).

Acessar o Link para o texto original.

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Carlos Nelson afirmava que na cidade o espaço fala. Fala de quê? De uma organização econômica, sem dúvida. Esta, por sua vez, se refere a uma estruturação social que se realiza através de um modo de vida característico. A última expressão pode, sem favor, ser substituída por cultura. A cultura constituída por esses milhares de obviedades que todo mundo tem de saber, se deseja sobreviver.

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Na visão de Carlos Nelson que naquele período no final da década de 80, já não era tão prioritário tombar edifícios monumentais a politica de preservação implantada já apresentava sinais de sua capacidade de analise sobre o que fazer com eles e naquele período começava a ficar difícil inventar e conservar tantos museus. Muito mais urgente seria manter as cidades vivas, oxigenar a sua água, em vez de troca-Ia de vez, deixando apenas os peixes e alguns enfeites fixos no aquário. Hoje podemos entender quando Carlos Nelson fazia a relação com Gaudi com a analogia que queria dizer com "ser original é voltar às origens".

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Carlos Nelson alertava o jeito que vinha sendo praticada, a preservação tornava-se um estatuto que consegue desagradar a todos: o governo fica responsável por bens que não pode ou não quer conservar; os proprietários se irritam contra as proibições, nos seus termos injustos. De uso pleno de um direito; o público porque, com enorme bom-senso, não consegue entender a manutenção de alguns pardieiros, enquanto assiste à demolição inexorável e pouco inteligente de conjuntos inteiros de ambientes significativos.

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Hoje o que esta ocorrendo e continuara é o abandono do conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação e sua sobrevivência estará a cargo de uma falta de politica cultural e falta de recursos econômicos desta forma os fatos memoráveis da história do Brasil e seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico, será o fiel da balança, da sua sobrevivência. Nesta escala os monumentos naturais, sítios e paisagens que importem conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela natureza ou criados pela indústria humana, estarão sem nenhuma forma de proteção.

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A falta de pessoal, técnicos e recursos será o instrumento que cobrara a falta de responsabilidade na fiscalização aos bens tombados sem a fiscalização correta que deveria ser realizada pelo Instituto para verificar condições de conservação, e qualquer intervenção nesses bens que deveriam ser previamente autorizada, não estará ocorrendo pela sua maquina frágil e inoperante, pela ausência de aporte de recursos.

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Nos últimos anos houve o “milagre de tombamentos” sem sequer medirem a capacidade de atendimento técnico sob a tutela do Iphan, dos bens tombados que se subdividem em bens móveis e imóveis, entre os quais estão conjuntos urbanos, edificações, coleções e acervos, equipamentos urbanos e de infraestrutura, paisagens, ruínas, jardins e parques históricos, terreiros e sítios arqueológicos.

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Objetivo do tombamento como patrimônio cultural é impedir sua destruição ou mutilação, mantendo-o preservado para as gerações futuras, mas isto nos obrigara a repensar nesta proposta, que significara que teremos que optar de forma seletiva ou uma seleção natural da preservação cultural. Significa que muitas ficaram pelo tempo.

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Futuro que nos apresenta significa repensar o “Modus Operandi” do IPHAN via Ministério da Cultura para poder a sobrevivência dos bens culturais, o que nos reservara pela frente. Os últimos anos no Brasil através de uma falsa economia com um festival de recursos que seduziram a preservação de bens culturais ira apresentar um longo caminho para repensar a questão patrimonial e futuros recursos .

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A QUESTÃO COMO SE APRESENTA 

 

A preservação do patrimônio cultural no Brasil fica uma duvida sobre a prioridade do Ministério da Cultura via PAC Cidades Históricas, pela falta de recursos que já se apresenta e que se definira nos próximos anos, principalmente com relação ao programa de gestão desse patrimônio que provavelmente na sua dimensão que ira além da intervenção física nos monumentos protegidos e que no final poderá acabar reforçando o sentimento de perda e de cidadania dos brasileiros em relação aos símbolos da cultura, pelo provavelmente abandono.

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PAC / Cidades Históricas, 44 cidades, presentes em 20 estados da federação, reconhecidas como patrimônio nacional e 11 como patrimônio mundial, a recuperação, restauro e qualificação de seus conjuntos urbanos e monumentos, provavelmente ficaram pelo caminho, assim como as linhas de crédito, que seriam disponibilizadas para financiar obras em imóveis particulares localizados em 105 cidades com áreas tombadas pelo Iphan, com juros subsidiados e prazos de pagamento especiais. Como responder as expectativas criadas de tais recursos, aos proprietários que poderiam recuperar suas residências, ou mesmo investir na adaptação de edifícios para exploração econômica, como hotéis, pousada e restaurante.

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A preservação do patrimônio cultural estava articulada às demais políticas públicas, especialmente àquelas de caráter social e econômico, como a educação, a saúde, o turismo e a geração de empregos e oportunidades econômicas. Esta estratégia estará comprometida com a falta de recursos no desenvolvimento local e sustentável, que proporcionaria incentivos à melhoria da qualidade de vida e da infraestrutura.

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Antes de o patrimônio cultural brasileiro ser valorizado mundialmente é necessário nos encontrarmos com nosso passado, onde a pobreza e o subdesenvolvimento que retardaram as transformações e, de certa forma, evitaram a destruição do nosso patrimônio, a queda do crescimento econômico,   aumentaram e  criaram expectativas na questão da preservação do patrimônio cultural nos mais  diferentes lugares do país . A mesma decadência econômica e social que por anos “preservou ” algumas destas áreas deveriam   serem estudadas e avaliadas e informadas  a todos os envolvidos na questão do patrimônio histórico  pela  futura falta de  investimentos na preservação do patrimônio cultural que poderá apresentar  problemas  da estratégia no  desenvolvimento sustentável do país na área do patrimônio cultural ,o que  poderá  causar um retrocesso inimaginável.

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IPHAN  necessita de suporte técnico e legal, inclusive para responder as demandas do Ministério Publico Federal que sabe cobrar ações, mas não consegue imaginar as reais condições de como os técnicos respondem as suas solicitações. No instituto  poderá significar a volta da “fase heroica”, para esta nova geração de técnicos, isto significara  o que nunca terminou, legado que vem passando  de geração em  geração aos   técnicos, que mantenham  o espirito de  lutar  pela preservação e tentar driblar as  péssimas condições de trabalho.

IPHAN via Minc poderá se tornar um personagem como   Dorian Gray, que tenta perpetuar uma beleza pelo tempo, mas vale  lembrar  que a imagem da cidade depende de sua forma de crescimento que pode ser caótico ou ordenado,  isso se refletira de  extraordinária no modo de vida das pessoas, que precisam reconhecer-se naquilo que veem, principalmente pela preservação de habitat através do seu órgão principal de proteção  para  não tornar-se uma caricatura de si mesmo.

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Václav Havel escritor checo disse: A falta de interesse pelas fachadas, pela imagem da cidade, é um elemento erosivo que corrói também os ser humano por dentro. Uma cidade sem justiça equitativa pode ter a beleza que quiser, nunca será capaz de desenvolver uma cultura verdadeiramente urbana. Pessoas que prejudicam a comunidade ou que a relegam ao abandono acabam prejudicando a si mesmas, entrando elas próprias numa espécie de processo de deterioração. Por isso atribuo à comunidade urbana tanta importância para o desenvolvimento cultural.

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Refletir é necessário de forma madura e realista, os próximos anos devera  passar por grandes transformações  do  patrimônio cultural  nas cidades  que vivem se refazendo e jamais estarão prontas. Talvez esse enfrentamento do espaço e tempo será necessário ações de como encarar esta nova fase sem recursos que provavelmente deverão ser guiados pela importância da riqueza de seus acervos sobre o que devera servir como escolha, para futuras intervenções.


Geraldo

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