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Geraldo Costa

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell)

Francisco José Itamar de Assumpção

Francisco José Itamar de Assumpção, mais conhecido como Itamar Assumpção (Tietê, 13 de setembro de 1949 — São Paulo, 12 de junho de 2003) foi um compositor, cantor, instrumentista, arranjador e produtor musical brasileiro, que se destacou na cena independente e alternativa de São Paulo nos anos 1980 e 1990.


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Itamar Assumpção foi um dos grandes nomes e contribuidores da cena alternativa que dominou São Paulo entre 1979 e 1985 - movimento que se convencionou chamar de Vanguarda Paulista e que reuniu artistas que decidiram romper o controle das gravadoras sobre a produção e lançamento de novos talentos. Esses artistas produziam e lançavam seus trabalhos independentemente das grandes gravadoras. Criavam suas próprias micro-empresas e gerenciavam a si mesmos.

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Itamar Assumpção era nome frequente na lista de shows do Teatro Lira Paulistano, em Pinheiros, palco que foi denominador comum a todos os membros da Vanguarda Paulista. Todos os representantes do movimento invariavelmente por ali passaram. Ao lado de Arrigo Barnabé, Grupo Rumo, Premê (Premeditando o Breque) e dos Pracianos (Dari Luzio, Pedro Lua, Paulo Barroso, Le Dantas & Cordeiro e outros), marcou sua obra basicamente por não ter tido interferência das gravadoras, que consideravam sua obra "difícil". Em suas canções, misturava samba com rock e funk, entre outros ritmos estrangeiros, enquanto as letras eram impregnadas de sátira e crítica social.

Foi influenciado pelos trabalhos de músicos de variados gêneros, como Adoniran Barbosa, Cartola, Jimi Hendrix e Miles Davis, além de poetas como Paulo Leminski e Alice Ruiz. Pela rebeldia, ousadia e audácia, artistas como ele ganharam a alcunha de "malditos". Mas Itamar detestava tal rótulo e retrucava. Como polemista se saía bem, talentoso que era com as palavras não só no âmbito poético. O duelo verbal lhe apetecia como forma de defender a integridade do artista e ao observador atento assim parecia dava-lhe prazer triturar argumentos dos que tentavam dirigir o processo de criação do artista.

Em uma de suas tiradas mais famosas disse: "Se tivesse que ouvir conselho, pediria ao Hermeto Pascoal..." "Eu sou artista popular!", bradava indignado.

Seus três primeiros LPs, (Beleléu, Leléu, Eu, de 1980, lançado pelo selo Lira Paulistano; As Próprias Custas S.A., de 1983, e Sampa Midnight, de 1986), foram relançados em CD pela Baratos Afins em 1994. Seu único LP produzido por uma grande gravadora (Continental) é intitulado Intercontinental! Quem diria! Era só o que faltava..., de 1988. Todos com a banda Isca de Polícia. Entre suas canções mais conhecidas estão Fico Louco, Parece que Bebe, Beijo na Boca, Sutil, Milágrimas, Vida de Artista, Dor Elegante e Estropício.

Em 1994, lançou a série Bicho de Sete Cabeças (três LPs também na forma de dois CDs), acompanhado pela banda Orquídeas do Brasil. Em 1995 lançou um CD com músicas de Ataulfo Alves , novamente com a banda Isca de Polícia. O CD foi premiado como melhor do ano pela APCA.

Em 1998, lançou o álbum PretoBrás, que fora concebido como o primeiro de uma trilogia (os dois álbuns que a completariam foram lançados postumamente, com a participação de diversos artistas, que completaram o material que fora deixado incompleto por Itamar).

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Entre composições suas que fizeram sucesso, com outros intérpretes, estão Nego Dito, com o sambista Branca de Neve, Canto em qualquer canto com Ná Ozzetti, Já deu pra sentir e Aprendiz de Feiticeiro, com Cássia Eller, Código de Acesso e Vi, não vivi, com Zélia Duncan . Além disso, participou intensamente da obra de vários artistas ligados à Vanguarda Paulistana como instrumentista, compositor ou produtor.

Um ano depois, foi lançado o álbum Vasconcelos e Assumpção - isso vai dar repercussão, gravado pouco antes da sua morte, composto de apenas sete músicas, em parceria com Naná Vasconcelos.

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Geraldo Costa

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell) .
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