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Geraldo Costa

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell)

LEVIATÃ ENTRE NÓS...

Leviatã é um dos livros políticos mais importantes do ocidente, cuja influência ultrapassa as diferentes realidades políticas do mundo e nas épocas, mantendo a obra como um referencial para o estudo do Poder e da Política.


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A obra foi escrita por Thomas Hobbes, matemático e filósofo inglês do século XVII. Hobbes, nascido em 1588 buscou nessa obra entender a realidade política da sociedade inglesa do início do século XVII, período conturbado para os ingleses, tanto no campo cultural quanto no religioso e político.

O nome da obra, Leviatã, faz referência ao monstro bíblico, também referido por outras culturas, que é representado de várias formas ao longo do tempo e que seria uma das criaturas mais temíveis e poderosas do mundo.

O livro tem como tema central a organização social. Hobbes busca com o livro, explicar seu modo de compreensão de como a sociedade se estrutura e as razões pelas quais os homens são o que são e fazem o que fazem e como a política é pensada, aplicada e interfere nesse contexto.

Segundo o autor, o homem nasce egoísta e em busca de satisfação de suas necessidades e que o mundo não pode satisfazer plenamente a necessidade de todos os homens. Nesse Estado Natural do ser humano que busca a satisfação de necessidades e vontades, o homem desconhece a Lei e a Justiça, considerando, a princípio, esses ideais como limitadores ou mesmo inexistentes.

Assim sendo, o ser humano busca satisfazer suas necessidades através do domínio sobe o outro, exercido pelo uso da força e da astúcia.

Essa tentativa de domínio sobre o outro, levada a cabo por cada indivíduo gera, segundo o autor, um estado permanente de guerra de todos contra todos. Uma situação insustentável, pela busca desenfreada de sobrevivência de todos num mundo de recursos limitados.

Para que esse Estado Natural caótico e destrutivo não reine na existência humana, passa a ser necessário, segundo o autor, que haja um Pacto Social, um acordo entre todos, onde os direitos ilimitados justificados pela busca da sobrevivência e da satisfação de necessidades e vontades sejam limitados em prol de uma autoridade maior, soberana, que organize a sociedade, distribuindo os recursos de acordo com as possibilidades e necessidades e garantindo a paz.

Essa ideia surge como uma justificativa teórica para a prática política. Com a teoria, o governo dos soberanos (sobretudo absolutistas) passa a ter base racional, buscando adequar a lógica de poder aos novos tempos.

Essa lógica é necessária à medida que o antigo paradigma do direito divino dos reis, quando se justificava por benção e designação de Deus (ou de deuses) toda e qualquer medida do soberano, passa a ser questionado pelos novos ideais, distanciados da visão religiosa de mundo. O poder e seu exercício passam a ser a justificativa para a manutenção da paz social.

Cumpre lembrar que a referência ao Leviatã bíblico, monstro retratado como sendo de proporções homéricas e poderes gigantescos se encaixa muito bem como metáfora do poder absoluto dos reis do início da Idade Moderna e da Monarquia como regime de governo que tudo controla e em todos os campos atua. O livro em si é uma análise apurada do momento político inglês, principalmente do governo de Oliver Cromwell, que assumiu o poder na Inglaterra após graves crises e conflitos e o exerceu com mãos de ferro, dando a Hobbes uma clara noção de seu Leviatã.

A obra é, portanto, peça fundamental para o entendimento do comportamento humano, sobretudo no que tange ao poder, sua organização, exercício e compreensão pelo homem, além de ser um dos pilares fundamentais tanto da sustentação daquele regime quanto da compreensão do universo político, guardadas as devidas diferenciações e proporções, em todo o mundo e em todos os tempos.

Por que Leviatã de Hobbes vai tomando forma ,despertando no universo do Brasil, como nas manifestações contra mulheres, onde à polícia e a justiça nada faz para conter o ódio e a violência? Por que tem sido alimentado o fascismo de fundamentalistas cristãos que agridem refugiados, agridem muçulmanos e agridem a diversidade cultural, e os que denunciam a intolerância?

O fascismo passou a ganhar grupos de jovens fascistas, que em determinado momento foram conhecidos como as Camisas Verdes ou Ação Integralista Brasileira que foi um movimento político brasileiro ultranacionalista, corporativista, conservador e tradicionalista católico de extrema-direita. Inspirado no fascismo italiano e no integralismo lusitano, foi fundado em sete de outubro de 1932 pelo escritor e jornalista brasileiro Plínio Salgado, passaram a contar com a cumplicidade da sociedade civil, de uma parte do judiciário italiano da época e da polícia de Roma.

Hoje a cumplicidade da sociedade civil deveria refletir e olhar o seu passado como os integralistas também ficaram conhecidos como camisas-verdes, suas camisas foram substituídas pela seleção brasileira de futebol. AIB era a sigla do movimento político Ação Integralista Brasileira, também conhecido como Integralismo. Tratava-se de uma corrente político-ideológica brasileira constituída a partir da década de 1920, tendo seu apogeu na década seguinte.

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Seu principal teórico foi o político e pensador Plínio Salgado, nos tempos atuais poderia ser o astrólogo do mal, que mora na Virginia nos Estados Unidos.O Integralismo adotou como lema, as palavras “Deus, Pátria e Família”, coincidências do lema que foram as últimas proferidas pelos lábios do Presidente Afonso Pena, em seus últimos instantes de vida. O bordão "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos" que marcou a campanha do presidenciável e dá nome à sua coligação é uma apropriação de brado da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército.

O lema foi muito questionado devido à semelhança com o brado nazista de "Alemanha acima de tudo" (no alemão, "Deutschland über alles").

Até quando alimentaremos o Leviatã , o monstro do egoísmo, do desrespeito pelo outro, da intolerância religiosa, do ódio aos movimentos sociais e à esquerda em geral?

Até quando alimentaremos o Leviatã da indiferença à dor do outro e agora também a indiferença aos tiros que atingem nosso irmão, atingem a democracia, o Estado de Direito e esperança de milhares de pessoas?

Este caldo explosivo remete-nos para a teoria do Estado elaborada em meados do século XVII, por Thomas Hobbes, na sua obra Leviatã. O filósofo inglês, descrente da bondade natural do ser humano, definiu-o, nas suas relações, com a célebre frase:

“O HOMEM É O LOBO DO HOMEM”.

Texto de Apoio

O perigoso avanço do fascismo no Brasil e o Leviatã de Hobbes.

L.H. Issa


Geraldo Costa

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell) .
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