viver à deriva e sentir que tudo está bem...

A vida é uma colcha de retalhos. Todos da mesma cor...

Geraldo Costa

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell)

Litoral do Rio Grande do Sul e a sua importância ecológica mundial

“Defender e melhorar o meio ambiente para as atuais e futuras gerações se tornou uma meta fundamental para a humanidade.”


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“Chegamos a um ponto na História em que devemos moldar nossas ações em todo o mundo, com maior atenção para as consequências ambientais. Através da ignorância ou da indiferença podemos causar danos maciços e irreversíveis ao meio ambiente, do qual nossa vida e bem-estar dependem. Por outro lado, através do maior conhecimento e de ações mais sábias, podemos conquistar uma vida melhor para nós e para a posteridade, com um meio ambiente em sintonia com as necessidades e esperanças humanas…”

Trechos da Declaração da Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente (Estocolmo, 1972), parágrafo 6.

Organizada pela Unesco, em 1972, a Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, reunida em Paris, quando foi instituída a Lista do Patrimônio da Humanidade, para inscrição de bens de valor excepcional ao redor do mundo. Poderiam ser inscritos nessa lista bens patrimoniais com critérios Culturais ou Naturais.

Consideraram como Patrimônio Cultural, obras arquitetônicas, esculturas, pinturas, inscrições, grutas ou grupos de elementos com valor universal excepcional, do ponto de vista da história, da arte ou da ciência. Além de obras produzidas pelo homem, ou obras conjugadas do homem e da natureza, integram a categoria de Patrimônio Natural monumentos naturais, formações geológicas e fisiográficas “e as zonas estritamente delimitadas que constituem habitat de espécies animais e vegetais ameaçadas, com valor universal excepcional do ponto de vista da ciência ou da conservação” (UNESCO, 1972).

O litoral rio-grandense apresenta vários caracteres peculiares. Existe uma uniformidade de estrutura em toda a sua extensão, com exceção a Torres; há um paralelismo de disposição evidente dos elementos da paisagem, já que tudo se orienta em direção sudoeste-nordeste e por último a multiplicidade de coloridos produziu uma paisagem exclusivamente rio-grandense que não há similar em todo o Brasil .

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A paisagem litorânea é alterada frequentemente, seja pela interferência direta ou indireta do homem ou por fatores físicos, químicos e/ou biológicos. As zonas costeiras são afetadas pelas mudanças do clima e do nível do mar, além da exploração pelo homem, que leva ao declínio gradativo dos recursos em diversas escalas, principalmente na escala regional. Entre as atividades do homem que alteraram consideravelmente a paisagem do litoral, através do desmatamento, bem como por drenagens, destacam-se: criação de gado, plantação de arroz e grandes extensões de monocultura de eucaliptos e de Pinus.

A vegetação

A delimitação real dos domínios da Mata Atlântica tem gerado muitas discussões. Originalmente, se estendia do Ceará ao Rio Grande do Sul e praticamente acompanhava todo o litoral brasileiro, cobrindo 1.306.421 km2 do território; atualmente, restam 8% do bioma original . A Mata Atlântica é constituída por florestas de planície e de altitude, matas costeiras e de interior, ilhas oceânicas e ecossistemas associados, como restingas, manguezais e campos de altitude.

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A ocupação estrangeira do território brasileiro se deu pela costa, através de um pensamento de conquista e uso de um número máximo de recursos, sem nenhuma pretensão de conservação e manejo e sim atendendo a evolução econômica.

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Mesmo restando tão pouco da cobertura original, a Mata Atlântica ainda é uma das florestas com maior biodiversidade do mundo. Muitas espécies ameaçadas de extinção e/ou endêmicas dependem desse bioma para a sua sobrevivência e conservação.

A vegetação que observamos atualmente na faixa litorânea em Imbé pertence à restinga, que é um ecossistema associado à Mata Atlântica. No entanto, a forte pressão antrópica e o aumento da urbanização fizeram com que restassem poucas áreas com condições favoráveis ao estabelecimento e a conservação da vegetação. Mesmo assim, em algumas faixas de dunas no Imbé ainda podemos avistar a flora e a fauna associada que fazem parte da restinga.

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As areias litorâneas oferecem um substrato desfavorável à vida vegetal. Alguns fatores dificultam o estabelecimento de vegetais na planície litorânea. Entre eles: a areia é pobre em substâncias nutritivas para as plantas, a permeabilidade quanto a água é alta, há uma quantidade de sal marítimo que imobiliza grande parte da água infiltrada, o calor do sol é intenso e faz evaporar a umidade das camadas superficiais, o vento causa um impacto nas partes aéreas dos vegetais e é o principal responsável pela mobilidade das dunas, que muitas vezes acaba soterrando regiões nas quais vegetais conseguem se fixar.

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No entanto, mesmo com todos esses fatores que dificultam a fixação e a sobrevivência dos vegetais nesse ambiente, a natureza sempre se mostra desafiadora. Existem espécies vegetais tolerantes e adaptadas a essas condições. Algumas características fisiológicas e/ou morfológicas na planta podem aumentar a sua tolerância, como por exemplo: ser suculenta, apresentar abcissão foliar, possuir um reduzido número de estômatos, e apresentar glândulas de excreção de sal, entre outras.

A vegetação de restinga é bastante complexa e vai desde tipos herbáceos até arbustivos e arbóreos. As dunas podem ser divididas em primárias (antedunas), secundárias e terciárias. As dunas primárias constituem uma comunidade pobre na riqueza de espécies, formada basicamente por Paspalum vaginatum, espécie extremamente tolerante à salinidade. Nas dunas que se estendem paralelamente à costa, as secundárias e terciárias, há uma diversidade mais elevada onde comunidades diferentes alternam-se devido a maior ou menor influência do lençol freático. Espécies como Hydrocotyle bonariensis e Panicum racemosum são características nessas dunas.

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As dunas secundárias e terciárias possuem um papel ecológico importante na formação e na fixação das dunas costeiras, já que apresentam adaptações ao contínuo soterramento pela areia transferida pelo vento . No entanto, apenas uma faixa pequena da planície litorânea em Imbé ainda possui dunas secundárias e terciárias, estas foram substituídas por calçadões e por construções de quiosques, casas e etc. Mesmo assim, em função da fragilidade dos ecossistemas de restinga, a vegetação que existe, exerce um papel fundamental para a estabilização dos sedimentos e a manutenção da drenagem natural, bem como para a preservação da fauna residente e migratória associada.

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A fauna

O Rio Grande do Sul tem uma importância ecológica mundial no que diz respeito às aves migratórias. Além destas, muitas aves residem na costa litorânea, e podem ser vistas com facilidade em Imbé. Algumas espécies que ocorrem no Imbé estão organizadas numa lista (Tabela 1).

A listagem a seguir teve como base o material elaborado pelo Ceclimar e pela UFRGS (Aves de Imbé-Litoral Norte/RS), tendo sido este revisado e atualizado com base na lista proposta pelo CBRO (Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos) 2006, Listas de Aves do Brasil. Versão 10/02/2006.

AVES DO LITORAL NORTE DO RIO GRANDE DO SUL.

Além destas aves citadas na lista, algumas aves marinhas pelágicas migram para o litoral gaúcho, como albatrozes, petréis e pingüins.

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Em relação aos cetáceos, grupo representado por baleias, botos e golfinhos, até o momento, é conhecida a ocorrência de 42 espécies para o Brasil, sendo que o Rio Grande do Sul é a área com uma das maiores diversidades do país. Atualmente, são registradas 34 espécies para a água do Estado, o que representa 80% de todas as espécies do país. No entanto, muitas dessas espécies não são avistadas por serem oceânicas.

As espécies de cetáceos mais freqüentemente encontradas são Pontoporia blainvillei (toninha), Tursiops truncatus (golfinho-comum), Eubalaena australis (baleia-franca) e Delphinus delphis (delfim-comum) .

Entre os pinípedes, as espécies mais observadas são Otaria flavescens e Arctocephalus tropicalis, principalmente durante o outono e a primavera . Os outros pinípedes são visitantes ocasionais.

Relação pescador-boto-tainha no estuário do Rio Tramandaí

Entre Tramandaí e Imbé, no Rio Tramandaí e no Rio Mampituba, existe uma forte cooperação entre o homem e os botos, os pescadores se introduzem no mar até a cintura, enquanto o boto ecolocaliza o cardume e o conduz até próximo à costa, avisando do melhor momento para o tarrafeio. Essa interação, entre os pescadores e os botos, pode ser vista acontecendo com uma certa facilidade na barra; de um lado os homens possuem sucesso na pesca e por outro, os botos aproveitam as tainhas que escapam da rede. Golfinho.jpg1.jpg

A pesca é altamente ritualizada e parece envolver comportamento aprendido tanto no homem como no delfim. Pesca especializada culturalmente transmitida. Os estuários funcionam como regiões de reprodução e crescimento para muitas espécies de peixes, que se beneficiam das condições de “abrigo” e da disponibilidade de alimentos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Estamos vivendo uma crise ambiental mundial, ao mesmo tempo, há um crescente comprometimento para resolver os problemas atuais. Dessa forma, devemos pensar num gerenciamento costeiro de qualidade, na qual esteja incluído o manejo adequado de todos os recursos naturais, para que haja uma redução da ameaça a flora e a fauna, possibilitando dessa forma uma vivência mais harmônica do homem no litoral. Esse gerenciamento deve ser pensado de forma a conservar a biodiversidade e respeitar o habitat na qual estamos inseridos e dependemos dele para uma boa qualidade de vida.

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Para que possamos usufruir o que a paisagem nos proporciona e utilizar os recursos naturais do litoral gaúcho por muitas gerações, é necessário que haja conhecimento científico, consciência e gerenciamento. Para isso, devemos buscar as conexões responsáveis pela manutenção do ecossistema; pensar na conservação em escala apropriada, ou seja, não apenas em conformidade com as fronteiras políticas estabelecidas pelos governos; reconhecer que o ser humano faz parte dos ecossistemas e que valores humanos influenciam a conservação ou destruição dos ecossistemas.

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Algumas medidas podem ser feitas para ajudar na conservação do litoral, como a limitação de extração de recursos naturais, controle do lançamento de resíduos, do uso do solo e etc. Devemos juntar esforços na conscientização (educação ambiental), na fiscalização (leis cumpridas) e na pesquisa científica para a melhor compreensão da estrutura, na composição da flora e fauna, das interações entre o homem e o meio ambiente.

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Ministério do Meio Ambiente vive momentos de verdadeira catarse , pela primeira vez na história, o Brasil tem um presidente da República e um ministro do Meio Ambiente com discurso anti ambiental a promover, eles próprios, o desmonte do que deveriam proteger, dizem especialistas, que lamentam o quadro do setor, às vésperas do dia Dia do Meio Ambiente, celebrado todo 5 de junho. Esse ano, porém, não há comemoração, mas lamento. Para eles, desde que tomou posse, o atual governo adotou uma avalanche de medidas perigosas e assumiu um discurso violento contra a preservação ambiental.

Texto de Apoio

https://arquitetoehistoriasdetijolos.wordpress.com/2018/02/13/a-preservacao-da-paisagem-natural-e-urbana-de-imbe/

Bióloga Me. Bianca Spindola

Arquiteto e Urbanista J. Geraldo V. da Costa


Geraldo Costa

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell) .
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