viver à deriva e sentir que tudo está bem...

A vida é uma colcha de retalhos. Todos da mesma cor...

Geraldo Costa

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell)

Universidades Gozam de Autonomia Para Executar Suas Finalidades

Universidade Federal do Rio Grande do Sul em sua autonomia realizou “A cidade e os elementos para uma história musical” tornou-se um projeto da Pró-Reitoria de Extensão (Prorext) sendo responsável a Faculdade de Arquitetura como ação de extensão, programa na modalidade evento com ênfase na área temática cultural na área complementar como comunicação e como linha programática na Radio AM 1080 da UFRGS .


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UNIVERSIDADE É AUXILIAR OS ALUNOS PARA QUE ELES TENHAM UMA OPINIÃO FORMULADA E CRÍTICA DIANTE DA REALIDADE SOCIAL PARA QUE HAJA UM AVANÇO CIENTÍFICO, TECNOLÓGICO E CULTURAL. POR FIM, A UNIVERSIDADE TEM COMO FUNÇÃO O DEVER DE ESTAR COMPROMETIDA COM A CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E IGUALITÁRIA.

O programa iniciou-se no dia 07/05/2003 e terminou em 21/07/2009 apresentado sempre às quartas – feiras das 21,00hs ás 22,00hs.

https://wp.me/s52kk7-hm

Resumo:

Público Alvo: Programa cultural feito para o veiculo radio, a ser apresentado à noite, que visa envolver a comunidade como um todo em especial aos jovens através da linguagem musical contemporânea sobre os problemas urbanos.

Justificativa:

A musica como poder global ao local. A musica nas origens e no crescimento das cidades, o contexto global da urbanização e da mudança urbana através dos processos musicais nas cidades, e as transformações nos bairros e suas periferias. O hip hop como elemento musical como resposta à ideologia dos guetos e seu questionamento poéticos através da musica nas cidades e na miséria social.

O samba rasga como parceiro no conceito da sobrevivência com problemas e políticas de habitação, comércio, transporte, contando o dia a dia e o amor de encontro e desencontros. O consumo coletivo e a justiça social nas cidades, a busca dos anos 70 como inspiração de uma contextualização racional das relações humanas. Comunidades na cidade, o rap como elemento do elo universal com as estruturas globalizantes. Poder, política e governo urbano a musica popular brasileira desafiando o regime militar com sua poesia de um grito parado no ar, nos anos da repressão.

A urbanização do terceiro mundo no sistema urbano global, através das influências do reggae e do ska que tem um único sentido a aproximação da África e seus valores culturais de JAH. Ritmos dos negros escravizados que reluz como um grito universal, o seu lamento onde o blues e o jazz como inspiração de uma raça que atravessaram no tempo param se afirmar e conquistar a sua liberdade. As cidades no mundo em desenvolvimento, buscado dentro do rock a expressão de sua materialização como comportamento social perante o status quo, do flower-power explodem os punks do mundo. Campo-cidade no terceiro mundo tem o compromisso dos diversos ritmos da salsa, merengue, tango, e tantas outras expressões musicais vão se materializando como forma de expressão do processo da contemporaneidade.

Emprego no terceiro mundo, o ritmo da rua falando dos jovens e suas ansiedades dentro da sobrevivência. A habitação dos pobres nos remete as favelas e os sambas de partido alto que contam os desejos dos marginalizados com um toque sutil da alegoria dos poetas do morro do hoje e do amanhã. Problemas ambientais que saem das violas caipiras e se fundem nas milongas e passam pelo agreste e vão de encontro com a caatinga do xote ao xaxado que nos levam a expor todo o seu sofrimento pelos poetas urbanos em cidades de países em desenvolvimento, como um raio em busca de apelo. O futuro das cidades e as cidades do futuro, uma visão pessimista ou não no apelo que nos remete aos sons psicodélicos em busca de um mundo novo. O nosso objetivo; sempre acreditar no mundo melhor e justo.

Objetivo:

Introduzir á musica como instrumento de leitura à problemática do funcionamento geral da cidade do ponto de vista econômico, social, político e geográfico, onde serão apresentados musicas sobre as cidades no contexto global.

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Apresentação na leitura de textos, ou artigos ou sobre um tema urbano relacionando no tempo e no espaço na musica nacional e internacional. Selecionamos trechos de programas com textos que foram transmitidos pela Radio AM 1080 da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

1080AM – RÁDIO DA UNIVERSIDADE

EPISÓDIO: BANDA NA CIDADE

Apresentado em 14/05/2003

Insisto na minha caminhada. A chuva agora é uma realidade, mas não chega a ser problema. Leves e esporádicos pingos d’água que não são suficientes para deixar a roupa molhada. Quase chegando ao centro o visual do Campus Universitário nos remete à história de Porto Alegre. Um século de existência de cursos de ensino superior. A cidade onde vivemos tem uma tendência em ser pioneira. Uma das primeiras a ter cursos universitários, 1ª cidade a contar com uma legislação urbanística com caráter de lei. Chegando a Sarmento Leite me deparo com a esquina que hoje é maldita apenas para atravessar a rua, mas antes foi maldita pela inquietação dos jovens que jamais aceitariam calado a repressão de um governo tirano. As cabeças pensantes estavam na universidade, e de lá partia a reação à opressão militar. De lá para as ruas. Para a esquina maldita. Não precisei de muitos passos e me encontro no centro da cidade. Com um pesar imenso observo a falta de preservação da Arquitetura mais genuína e que, por si só contaria boa parte da história da cidade. Muitos exemplares desta arquitetura ainda existem. Muitos numericamente, pois, percentualmente poucos, muito poucos. Li uma vez. Decorei e penso agora naquela poesia do Mario Quintana:

Poema de circunstância

Onde estão os meus verdes?

Os meus azuis?

O arranha-céu comeu!

E ainda falam nos mastodontes, nos brontossauros, nos tiranossauros.

Que mais sei eu…

Os verdadeiros monstros, os Papões, são eles, os arranha-céus!

Daqui

Do fundo

Das suas goelas.

Só vemos o céu, estreitamente, através de suas gargantas ressecas.

Para que lhes serviu beberem tanta luz?!

Defronte

À janela onde trabalho

Há uma grande árvore…

Mas já estão gestando um monstro de permeio!

Sim, uma grande árvore…

Enquanto há verde,

Pastai, pastai olhos meus…

Uma grande árvore muito verde… Ah!

Todos os meus olhares são de adeus

Como o último olhar de um condenado!

Musica: Júlio Reny/ Cine Marabá.

EPISÓDIO: SEM DESTINO.

Apresentado em 04/06/2003

A liberdade apresenta-se restrita. Existem metas a serem cumpridas para se conquistar a liberdade perante a sociedade. Seja como nós. então será livre, diria comitiva dos cidadãos corretos. Ou então, mude-se daqui, para bem longe, então será livre. A capital do Brasil foi construída como uma obra única. Trabalhadores se apresentaram para esta missão. Brasília é a caçula do Brasil. Criação muita querida, portanto. Estão entre as três cidades que mais tiveram agitação no cenário musical no Brasil. Principalmente pelo som do Rock’n Roll. Nordestinos, paulistas, goianos, foram os precursores da nova classificação popular existente no Brasil, os Candangos. E a ordem foi a seguinte. Construam a nossa cidade como a missão da sua vida na terra. Depois saia. As cidades satélites estão de braços abertos para vocês e família. O bairro da Restinga foi construído, a 40 km do centro de Porto Alegre para que os moradores da Ilhota pudessem ser livres. Antes havia sido uma vila encravada na Cidade Baixa. Lá a população negra vivia. Agora não mais. A vila Planetária, que hoje poderia ser chamada de Condomínio Planetário, devido à urbanização pela qual passou. Mas não sem ouvir o protesto daqueles que defendiam, se os “diferentes” querem ser livres, não há outra solução aceitável senão a remoção deles para a periferia. Preencha uma série de requisitos e será livre. Livre?

Plebe Rude – “Até Quando Esperar”

Peter Tosh – “400 Years”

EPISÓDIO: URBANIZAÇÃO MUSICAL

Apresentado em 11/06/2003

Eram 03h46min em 10/07/01 quando abri o Jornal do Brasil á meia noite com lonas e lençóis e pedaços de madeira. Menos de seis horas depois, estava criada a mais recente favela carioca com aproximadamente cinco mil pessoas A invasão começou à meia-noite do último dia 21. Às 6h, cerca de 650 barracos estavam de pé. Fugindo da fome, Silma Maria Santos Silva, de 42 anos, saiu do Maranhão em 1984 rumo ao Rio de Janeiro. Em 1966, uma enchente levou o que tinha construído. Alugou um quarto por R$ 180, 00, mas ficou desempregada e teve que entregar o imóvel. No dia seguinte, com um serrote na mão. Colocava de pé seu novo lar. Silma e outras cinco mil pessoas ocuparam dois terrenos particulares em Jacarepaguá, com quase 10.000 m².Precariamente fincadas no chão com pedaços de madeira e cobertas com plástico preto e lençóis, as “construções” chegam a criar a mais nova favela já nasceu com nome – Comunidade Novo Rio.

URBANIZAÇÃO MUSICAL

Cidades sem fachadas.

A imagem da cidade depende de sua forma de crescimento que pode ser caótico ou ordenado, e isso se reflete também de modo extraordinário no modo de vida das pessoas, que precisam reconhecer-se naquilo que vêem. Václav Havel escritor checo disse: A falta de interesse pelas fachadas, pela imagem da cidade, é um elemento erosivo que corrói também os ser humano por dentro. Uma cidade sem justiça equitativa pode ter a beleza que quiser, nunca será capaz de desenvolver uma cultura verdadeiramente urbana. Pessoas que prejudicam a comunidade ou que a relegam ao abandono acabam prejudicando a si mesmas, entrando elas próprias numa espécie de processo de deterioração. Por isso atribuo à comunidade urbana tanta importância para o desenvolvimento cultural

EPISÓDIO: NOTAS DE VIAGEM.

Apresentado em 18/06/2003

Bem agora continuaremos com a leitura de um trecho de um texto chamado “signos do espaço” que está no livro à cidade desvendada de Paulo Casé. “Da calçada eu os acompanho com o olhar”. é apenas um simples casal. dois seres anônimos. andam num silêncio mecânico, atraídos pelo mar. Agora trocam informações e avaliam a situação. Não estão perdidos, procuram: Outra vez confabulam e parece haver um acordo. Mas ainda se deslocam para um lado e calculam a distância que os separa dos vizinhos e de um jogo de vôlei. A decisão vai ser tomada. o sol é consultado, o vento observado e o terreno sondado com os pés. Ele, até então sereno, retira o pau da barraca e, num gesto brusco, finca-o na areia com todo vigor, marcando o lugar eleito para a sua bandeira. O sítio é aquele, o acharam afinal. Estendem a toalha sobre a areia, como se fosse seu chão, e armam a barraca, como se fosse seu teto. Tomam posse do terreno, particularizando a atmosfera que os envolve. Termina o ritual. Parecem felizes identificados com eles mesmos, e aos poucos suas figuras vão se fundindo com a paisagem geral. eu, à distância, contemplo fascinado aquela dança, aquela cerimônia de conquista, e digo a mim mesmo: “sem saber, organizaram espaços, criaram um microuniverso, fizeram arquitetura.”.

EPISÓDIO: FUTURO NAS CIDADES, UMA VISÃO PESSIMISTA.

Apresentado em 25/06/2003

Nos próximos 15 anos, várias megacidades atingirão a marca de mais de 10 milhões de habitantes, e, salvo exceções como Tóquio e Nova York, a imensa maioria se localizará em países com altíssimas taxas de miséria e de desigualdade social. Estima-se que, aqui no Brasil, a cidade de São Paulo contará com uma população de mais de 20 milhões de pessoas. E isso são quinze anos. Uma pequena parte do século. O que fazer quando as maiorias das mega cidades parecem máquinas velhas que estão emperrando devido à falta de manutenção. Estão seguindo o caminho da melhora? Ou estão seguindo para um abismo onde não conseguimos enxergar o fundo? Onde estão os táxis aéreos urbanos, os mordomos robôs ou as casas na lua? Estas previsões parecem ter sido otimistas demais. Talvez pelo fato de que, quando foram sugeridas, não levou em conta um ponto. As pessoas se multiplicam rapidamente. E todas elas, sem exceção, consomem energia. Mais do que água ou pão. Todas vão precisar de um lugar para viver, com paredes, cadeiras, mesas, camas e tomadas. Se o mordomo robô não puder existir para nos servir, ficaremos contentes se houver, na geladeira do futuro, algum exemplo de comida da época.

Tropicália – Parque Industrial

REFLEXÃO

O programa de Rádio Trip Musical veiculado pela – RÁDIO DA UNIVERSIDADE AM 1080 , tem como inspiração o urbano de forma crítica, onde deixamos clara a nossa opinião contra o prevalecimento do interesse individual de uma minoria sobre o interesse coletivo da cidade. É necessário refletir e avaliar sobre as soluções urbanísticas e suas limitações do projeto arquitetônico quando esse, pelas suas características, infringisse o conforto urbano e o meio ambiente no uso do espaço coletivo. Acreditamos que os fatores que contribuem para a desigualdade social do planeta se apresentam no urbano como um grande espelho que reflete o quadro sombrio da miséria humana em diversas frentes e identifica os desafios com que se defronta a comunidade internacional nos próximos anos. Em todo o mundo, 1,2 bilhões de pessoas vivem com US$ 1 por dia; 2,4 bilhões de pessoas não dispõem de sistemas de saneamento adequados; e uma em cada três pessoas no mundo em desenvolvimento não sabem ler ou escrever. Queremos alertar, a necessidade de começarmos a buscarmos constantemente reflexões, para termos uma noção mais precisa de que o planeta é um ser vivo, e que as nossas cidades são o nosso habitat, e que poderá nos possibilitara criarmos melhor qualidade de vida, com mais equilíbrio de maneira a não agredir o ambiente global e assim começarmos a compreender e aprender sobre melhores padrões de comportamento nas relações humanas para todos os habitantes do planeta terra. Um primeiro passo seria aprimorarmos nossa consciência coletiva, para muitos já considerados utópicos. Impossível?

O Programa TRIP Musical* diz que não!

* O nome foi alterado para “HISTORIAS MUSICAIS” por solicitação da Revista Trip via judicial retirada do nome TRIP,pela questão autoral…

https://estacaohm.wordpress.com/2015/01/10/hm/

A AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA NA CONSTITUIÇÃO DE 05.10.1998

http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista/tes5.htm


Geraldo Costa

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell) .
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