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Geraldo C.

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário"
(George Orwell)

Krautrock, à vanguarda alemã dos anos 1960

Na década de 1960, quando a música e as artes em geral se lançavam com ímpeto inédito contra os ditames da política internacional, ameaçando o status quo das trincheiras dos meios de comunicação de massa (e dos seus subterrâneos), surgiam na Alemanha os primeiros indícios de que o país ainda era capaz de influenciar a música que os jovens ouviam no mundo.


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Krautrock (Kosmische Musik, Kraut, ou ainda Krautwave) é um nome genérico atribuído às bandas experimentais na Alemanha do fim da década de 1960 e do começo da década de 1970. Originalmente era um termo utilizado de forma pejorativa pela imprensa musical inglesa, e acredita-se que tenha sido criado por ela a partir da expressão popular Kraut, que significa uma pessoa alemã, e por sua vez derivada do prato tradicional alemão chucrute, sauerkraut (literalmente "repolho azedo").No entanto, muito por causa do sucesso dessas bandas, o termo ganhou mais tarde um significado positivo, sendo atualmente visto como um título de reconhecimento ao invés de insulto

Amon Düül

Aproveitando a forte tradição no campo científico e herdando o inconformismo estético de compositores como Karlheinz Stockhausen (1928/2007), bandas de diversas partes da Alemanha entraram em cena, instigadas pela efervescência da contracultura. A maioria delas experimentando com elementos do rock progressivo, gênero onde o sintetizador – e não mais a guitarra elétrica –, formatava a sonoridade. Assim foi gerada uma curiosa vertente, que acabou batizada como Krautrock.

Rótulo britânico

O termo Krautrock foi criado pelo DJ inglês John Peel, quando ele se deparou com o álbum Psychedelic Underground (1969), da banda Amon Düül, de Munique. A música era "Mama Düül und Ihre Sauerkrautband spielt auf" (Mamãe Düül e sua banda chucrute tocam).

Como kraut era também a forma como os alemães eram chamados pelos ingleses na Segunda Guerra Mundial, o termo acabou pegando. E os próprios alemães o acolheram, embora como sinal depreciativo. Definitivamente, não era nada fácil fazer música num país que ainda ansiava por uma nova identidade, depois da aberração do nazismo que imperou de 1933 a 1945.

Tangerine Dream (Berlim)

O evento Internationale Essener Songtage, produzido e idealizado em 1968 pelo jornalista Rolf-Ulrich Kaiser na cidade de Essen, foi fundamental para que os grupos de rock alemães ganhassem autoconfiança e passassem a ser reconhecidos em escala continental. O bem-sucedido festival, que foi considerado posteriormente como Woodstock alemão, abriu espaço pela primeira vez para bandas da Alemanha tocarem diante de um grande público, com cerca de 40 mil espectadores.

Guru-Guru (de Heidelberg),

Xhol Caravan (Wiesbaden)

Amon Düüll

Subiram ao palco, ao lado de atrações internacionais como Frank Zappa e seu grupo The Mothers of Invention, The Fugs, Family e Julie Driscoll.

Em seu livro Das Buch der Neuen Pop Musik (O Livro da Nova Música Pop), publicado em 1969 pela Econ Verlag, de Düsseldorf – a mesma cidade de onde saiu o Kraftwerk –, Rolf-Ulrich afirmou que o evento "foi a primeira grande documentação apresentada na Europa sobre os diferentes gêneros musicais da atualidade e da cultura underground". A imprensa da época entendeu de outra forma, e até a revista Der Spiegel disparou sua crítica contra a suposta "festa delirante da pornografia", como ressalta Rolf-Ulrich em seu livro.

O norte-americano Zappa, um dos papas do rock experimental, já declarava seu interesse pela então emergente música eletrônica, que mais tarde iria desaguar na música do Kraftwerk e na Love Parade, de Berlim. Mas o músico também tinha críticas: "É necessário saber produzir música eletrônica e saber entender a sua tecnologia. Mas infelizmente são poucos os estúdios dedicados a ela e raros os de boa qualidade", afirmou o líder do vanguardista The Mothers of Invention ao jornalista e produtor alemão.

Em 1971, o próprio Rolf-Ulrich Kaiser iria fundar os selos fonográficos Ohr Musikproduktion e Pilz, que desempenhariam importante papel na divulgação do Krautrock. "Enquanto o Ohrmusikproduktion se especializou em sons da esfera psicodélica, experimental e eletrônica, o Pilz ficou com o folkrock. Em apenas três anos, eles lançaram cerca de 50 LPs", afirmou Uwe Husslein em seu artigo publicado no livro Summer of Love – Psychedelische Kunst der 60er Jahre (Verão do Amor – Arte Psicodélica dos Anos 60), da editora alemã Katje Cantz. Até mesmo o grupo Nektar, criado em Hamburgo, mas por músicos ingleses, era considerado uma banda alemã.

Tradicionalmente, o krautrock é sinônimo de ruptura com o paradigma "vejam o quão rápido podemos tocar", substituindo-o por "vejam o quão longe podemos ir". O uso da criatividade em detrimento da velocidade é ressaltado pelo uso frequente do chamado motorik, ou seja, batidas em tempo 4/4 muito utilizado pelas bandas da época.

Embora o termo Kosmische Musik tenha sido usado para designar as bandas do que era entendido (na época) como o rock progressivo da Alemanha, hoje é utilizado com um sinônimo para o Krautrock.Um das compilações mais representativas do gênero pode ser encontrada na coletânea Space Box - 1970 & Beyond, lançada pela Cleopatra Records em 20 de agosto de 1997.

Texto Referencia https://www.dw.com/pt-br/krautrock-a-contribui%C3%A7%C3%A3o-alem%C3%A3-%C3%A0-vanguarda-pop-dos-anos-1960/a-4087165


Geraldo C.

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell) .
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