viver à deriva e sentir que tudo está bem...

A vida é uma colcha de retalhos. Todos da mesma cor...

Geraldo C.

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário"
(George Orwell)

Eu gostaria que você dançasse.

As primeiras décadas da República são em geral caracterizadas como um período de absoluta exclusão, em especial para trabalhadores negros e pardos deixados de lado por uma abolição que não se preocupou com seu acesso à cidadania.


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Como resultado, esses sujeitos são muitas vezes representados como vítimas passivas do novo regime em seus primeiros tempos. É na contramão dessa ideia que se desenvolve o argumento deste livro. Sua proposta é a de analisar como homens e mulheres afrodescendentes fizeram de seus clubes dançantes e carnavalescos um meio de inserção na nova ordem republicana. Divertindo-se com seus maxixes, forrobodós e sambas, eles desnudaram as contradições daquela ordem que tentava excluí-los, assumindo papel ativo no próprio processo de redefinição da nacionalidade que se afirmaria ao longo da década de 1920.

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O livro "A cidade que dança. Clubes e bailes negros no Rio de Janeiro (1881-1933)". Fruto de pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos anos, ele trata das muitas associações dançantes que começaram a aparecer às dezenas em todos os bairros do Rio de Janeiro a partir das últimas décadas do século XIX.

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Formadas em geral por cerca de 20 a 50 associados, elas tinham como componentes, em sua maior parte, os trabalhadores negros e pardos da cidade, que faziam desses grêmios um elemento importante de suas experiências. Acompanhar a história desses clubes dançantes entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do XX é não apenas uma forma de compreender o processo através do qual se conformaram ritmos e musicalidades que seriam ao longo das décadas seguintes tomadas como nacionais, como o próprio samba, mas também um meio de acompanhar as disputas e tensões a partir das quais esses novos símbolos da nacionalidade puderam se afirmar a partir da década de 1920.

Leonardo Affonso de Miranda Pereira é professor associado do Departamento de História da PUC-Rio, com doutorado em História Social pela Unicamp (1998). É autor de O carnaval das letras (Editora da Unicamp, 2004) e organizador de História de Quinze Dias (Editora da Unicamp, 2009), com crônicas de Machado de Assis.


Geraldo C.

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell) .
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