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Geraldo C.

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário"
(George Orwell)

A Influencia do Negro na Arquitetura Brasileira

"A história narrada nas universidades é branca. Arquitetos negros estão invisíveis ainda esperando o momento em que serão efetivamente lembrados."


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A invisibilidade do negro é inquestionável dentro da arquitetura e em qualquer outro meio. É como se não existisse. A história narrada nas universidades é branca. A inteligência e a beleza mostradas pela mídia também são. De todas as grandes questões, nenhuma outra é mais disfarçada. O negro não está ausente apenas dos meios de comunicação em geral. O mesmo acontece dentro da história da arquitetura onde a sua presença não se dá de forma qualificada e na dimensão correta. Portanto, se desfaz aqui essa invisibilidade, que por anos retirou os créditos de grandes arquitetos negros.

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Escravizado até os 58 anos de idade, Tebas executou emblemáticas obras do Brasil Colonial e se consolidou como um dos maiores arquitetos brasileiros do século 18.

Pela primeira vez uma publicação se propõe a analisar, em profundidade, o legado e a trajetória de Joaquim Pinto de Oliveira (1721-1811), mais conhecido como Tebas.

"Tebas: um negro arquiteto na São Paulo escravocrata (abordagens)", organizado pelo escritor e jornalista Abilio Ferreira, é a primeira publicação de não ficção dedicada ao construtor, reunindo artigos de cinco especialistas. Tebas foi o responsável pela construção do Chafariz da Misericórdia (1792), sua obra mais conhecida, além dos ornamentos de pedra da fachada das principais igrejas paulistanas da época, como a da Ordem Terceira do Carmo (1775-1776), a do Mosteiro de São Bento (1766 e 1798), a da velha Catedral da Sé (1778), a da Ordem Terceira do Seráfico São Francisco (1783) e, também, do enorme Cruzeiro Franciscano da cidade de Itu (1795).

A publicação é do Instituto para o Desenho Avançado (IDEA), em parceria de fomento referente ao edital de chamamento público nº 001/2018, processo administrativo nº 017/2018, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP).

Sobre Tebas: As origens africanas de Joaquim Pinto de Oliveira ainda não são conhecidas. Sabe-se, no entanto, que ele nasceu em Santos e foi transferido para São Paulo, em meados do século 18, pelo seu então proprietário, o português Bento de Oliveira Lima, célebre mestre de obras da região.

A capital vivia, na época, um boom na construção civil, baseada no método construtivo da taipa. Tebas se destacava por ser um especialista na arte e na técnica de talhar e aparelhar pedras, um profissional raro na São Paulo colonial. Seu trabalho era muito requisitado, sobretudo pelas poderosas ordens religiosas presentes na cidade desde a fundação.

Alforriado entre 1777 e 1778, aos 57 ou 58 anos de idade, Tebas morreu no dia 11 de janeiro de 1811, vítima de gangrena, aos 90 anos. O velório e o sepultamento foram realizados na Igreja de São Gonçalo, ainda hoje existente na Praça João Mendes.

Benedito Lima de Toledo, professor emérito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, em entrevista concedida à revista Leituras da História (2012), destacou que Joaquim Pinto de Oliveira soube captar a religiosidade da época e expressá-la de maneira muito pessoal. “Essa expressão da religiosidade”, disse Toledo, na ocasião, “é que o transformou em arquiteto e as suas obras em arte”.

Texto Referencia:

influencia-do-negro-na-arquitetura-brasileira.pdf

https://arquitetoehistoriasdetijolos.wordpress.com/2016/12/02/influencia-do-negro-na-arquitetura-brasileira/

https://outraspalavras.net/cidadesemtranse/um-arquiteto-negro-na-sao-paulo-escravocrata/

https://vitruvius.com.br/index.php/revistas/read/arquitextos/13.145/4372


Geraldo C.

"Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário" (George Orwell) .
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