Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos.

Documentário: She’s Beautiful When She’s Angry

“Estou seriamente desanimada pela situação atual, mas ao mesmo tempo, estou com raiva. E uma das coisas que aprendi há décadas atrás, é que quando estamos zangadas sobre algo tão ruim, tomamos atitudes contra esse algo.”
E não estamos todas com raiva?


doc3.jpg

Não é novidade que existem preciosidades na Netflix, e esse documentário é um deles. "She’s Beautiful When She’s Angry" (Ela é linda quando ela está zangada, tradução livre), foi lançado em 2014, e dirigido por Mary Dore, uma cineasta que adora trabalhar com uma perspectiva ativista.

O documentário nos mostra o inicio da luta das feministas dos anos 1960, como elas começaram a perceber o tanto que o patriarcalismo e o machismo faziam mal a sociedade, o que infelizmente ainda tem influência nos dias atuais, e como as coisas estavam extremamente erradas, com as mulheres ganhando pouco, como elas ainda não tinham controle sobre seus corpos, sobre seu destino, suas vidas, seus filhos, elas chegaram ao estopim da raiva, pois tudo que falavam não era escutado, tudo que faziam não era reconhecido, estavam cansadas das mentiras que eram contadas à elas, estavam cansadas da vida dentro de um padrão pelo qual elas nunca pediram. Eu mesma, fiquei com muita raiva ao assistir ao documentário, mas ao mesmo tempo com uma sensação boa, de que se elas conseguiram mudar o mundo lutando pelos direitos das mulheres, nós também podemos conseguir mudar o mundo de alguma forma.

Meu pensamento mais recorrente durante o longa, foi de que algumas coisas ainda não mudaram, como por exemplo a cabeça dos homens, ao acharem que existem coisas de homens e de mulheres, de que existem mulheres que são para casar, de que trabalho doméstico é coisa de mulher e muitos outros achismos, são coisas que poderiam mudar de forma muito simples, mas as pessoas tendem a se apegar profundamente à costumes. Um pensamento que recorre às mulheres da época é que o basta ao machismo não deveria ser uma luta das feministas, mas sim dos homens, um devia chamar a atenção do outro, até isso ser extinto. E não é o que pedimos até hoje? Machismo não é bonito amiguinho, só mostra o quão retrógrado você é.

Assim como a volta da mulher conservadora, tenho visto muitas mulheres repetirem coisas que acredito que nem sabem do que se tratam, demonizam o feminismo, sem lembrar que se não fosse pelo feminismo ela não teria liberdade para votar, para estudar, para escolher se quer casar ou não, se quer ter filhos ou não, e até mesmo não poderia ter profissão, essa é a situação mais absurda dos tempos atuais: Mulher anti-feminismo.

No documentário vemos muitas mulheres afirmando nos anos 1960, que lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos, limpando a casa, e se quer trabalhar no máximo como secretária de um homem, sem subjugar seu trabalho de casa e sua dedicação ao marido, e quantas pessoas vemos ainda repetindo esse tipo de pensamento?

Chega a ser engraçado como as feministas eram vistas na época e como essas lendas e estereótipos continuam sendo usados contra nós. Afirmava-se que feministas não gostavam de homens, e até é verdade, não gostamos mesmo de homem machista, feministas eram vistas como loucas, pois achavam que elas tinham tudo e estavam reclamando de barriga cheia, e vejam só, elas tinham a visão de que podiam ter mais do que se tinha na época e chegamos onde chegamos por causa dessas pioneiras lindas, imaginem o que mais podemos conseguir para o nosso futuro. Foram tantos avanços nessa luta organizada contra o assédio, contra a desigualdade, contra a violência, a favor da libertação sexual, e ao mesmo tempo foram tão poucos avanços.

Aprendi muito sobre as vertentes e como cada uma ia surgindo conforme as deficiências da outra, e se você assim como eu, sente alguma dificuldade em entender por que as feministas se dividem, você vai entender melhor assistindo ao documentário, e verá refletido na história que quando mulheres precisam umas das outras, não importa vertente ou ideologia, elas se unem, pois unidas são muito mais fortes.

Eu acho muito importante esse documentário ser assistido, para todos saberem como começou o feminismo e porquê, e ao mesmo tempo refletir sobre como você está usando os seus direitos adquiridos e por que você não está lutando por mais igualdade entre os sexos.

O documentário tem um ar didático, mas ao mesmo tempo esperançoso, as histórias são magníficas, as mulheres da época são mostradas nos dias atuais, e cada relato é uma flama no coração.

“Estou seriamente desanimada pela situação atual, mas ao mesmo tempo, estou com raiva. E uma das coisas que aprendi há décadas atrás, é que quando estamos zangadas sobre algo tão ruim, tomamos atitudes contra esse algo.” (Trecho de uma das militantes feministas em She’s Beautiful When She’s Angry)

E não estamos todas com raiva?


Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/cinema// @obvious, @obvioushp //Vivi Becker
Site Meter