Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos.

Tomates Verdes Fritos e Sua Lição Sobre Sororidade

Um clássico que nos ensina o que é a verdadeira amizade, e como os laços afetivos podem nos transformar através da sororidade, do companheirismo, da lealdade e do empoderamento. Aquele filme que é uma lição de vida, e toda vez que é assistido você pode acrescentar um ensinamento a sua listinha.

Tomates Verdes Fritos é essa mistura boa da vida, que nem sempre é feliz, nos faz chorar, nos faz ficar chateados, mas também nos faz rir, nos faz conhecer pessoas maravilhosas e nos prende em seu enredo cheio de receitas de como sermos melhores.


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Tomates Verdes Fritos, além de ser uma receita clássica americana e deliciosa, é também um belo e sensível filme lançado em 1991 e estrelado por Kathy Bates, Mary-Louise Parker, Mary Stuart Masterson, Jessica Tandy, entre outros. Apesar de terem se passado 25 anos, o filme ainda traz críticas muito vivas na sociedade e é obrigatório para quem gosta de histórias bem contadas sobre pessoas, inclusive boas histórias de mulheres, escrita e roteirizada por mulheres. O longa foi baseado no romance escrito por Fannie Flag e dirigido por Jon Avnet.

Temos como eixo central do filme, Evelyn (Kathy Bates), uma dona de casa entediada, que tenta apimentar sua relação com o marido, e desconta suas frustrações na comida, Ela vê sua vida tomar uma nova cor quando conhece Ninny(Jessica Tandy), uma senhora que vive num asilo, e adora contar histórias. E assim a trama se desenrola, conosco assistindo a história da família Threadgoode, principalmente de Idgie, ao mesmo tempo que vemos Evelyn se sentir cada vez mais viva, e reconstruindo uma vida que ela havia deixado de lado.

Ninny nos mostra então como era a vida de Idgie Threadgoode (Mary Stuart Masterson) na década de 20, uma garota totalmente fora dos padrões da época, que nos ensina que o importante é viver bem, independente do resto, Ela vive em Whistle Stop, no Alabama, numa época em que as mulheres não podiam ter vida própria, tinham idade para casar, e personalidade era um conto de fadas, além das adversidades que existiam na época, como o racismo generalizado que o país passava. Idgie era totalmente o contrário de tudo que se devia ser na época, fugia da igreja, não queria ser uma dama, era uma verdadeira justiceira, cuidando dos que precisavam e protegendo-os.

O filme é uma obra no quesito nos mostrar os problemas sociais que existiam na época, mas o que acho mais importante é como nos é mostrado o quanto amizades são importantes, como a lealdade e a sororidade, nos fazem ter forças para seguir em frente. E o que é essa tal de sororidade que o Word me corrige e diz que não existe? É a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo, em busca de alcançar objetivos em comum. É um dos principais alicerces do movimento feminista, e é algo que todos nós devíamos primar em nossas relações humanas.

Algo que tanto a amizade entre Evelyn e Ninny, quanto a amizade que existe entre Idgie e Ruth Jamison (Mary-Louise Parker), estão cheias e tem boas lições para nos ensinar.

Ninny contando as histórias para Evelyn faz nascer um laço sólido e sincero de amizade entre as duas, de forma transformadora sem saber, Ninny está ajudando Evelyn a se empoderar, a ser mais ela mesma, a se rebelar contra o que está errado em sua vida, a voltar a gostar de si, a construir algo para e por si própria. Quantas mulheres vêem sua vida se perder ao ter que cuidar de sua família, trabalho, e afins, quantas mulheres aprenderam ao longo da vida que elas tinham que se sacrificar pela felicidade dos outros, e só o que faltava para que elas voltassem a olhar para si próprias era um pequeno empurrãozinho. Nenhuma mulher deixa de ser sublime, por cuidar de si mesma, por correr atrás de seus sonhos, por finalmente, se olhar num espelho e ver a si própria, e Evelyn está aí para nos mostrar que nunca é tarde para isso, ela é a força motriz para muitas mulheres, desde a década de 90, pois mostra que mesmo uma mulher com filhos criados, com um casamento que caiu na rotina, pode transformar tudo com a força de “towanda”.

Idgie é essa “towanda”, uma mulher fora de seu tempo, que serviu de inspiração para Evelyn nos tempos atuais do filme, e serviu como inspiração no seu tempo para Ruth. Ruth era o oposto de Idgie, delicada, cuidadosa, recatada, mas com uma força interior sem tamanho, e as duas tinham em comum a bondade que carregavam consigo, e através de uma perda, elas se aproximaram de tal forma que se tornaram melhores amigas, e uma transformou a outra, Ruth ensinou Idgie a ser mais carinhosa, e Idgie ensinou Ruth a ser mais selvagem. Uma complementou a outra e ambas são extremamente fortes, inspiradoras e fora do padrão, cada uma ao seu jeito.

Existe um romance implícito entre as duas, pois ambas tem um amor muito grande uma pela outra e constroem uma família juntas, mas o que impera de mais importante é a luta por dias melhores e ambas serem agentes transformadoras. Idgie salva Ruth de um destino triste e Ruth salva Idgie de seu ímpeto inconsequente, mas sem uma prender a outra, sem julgamentos, elas são livres, mas querem estar uma com a outra, pois sabem que sozinhas não teriam a força necessária para enfrentar a vida.

E a vida é exatamente isso, uma mistura de adversidades, de belezas, de ânimos que devem ser tomados e o que seríamos sem nossos amigos? Somos uma mistura de todas as pessoas que já nos envolveram em sua teia de companheirismo, e isso nos faz de cada um, um ser único.

Tomates Verdes Fritos é essa mistura boa da vida, que nem sempre é feliz, nos faz chorar, nos faz ficar chateados, mas também nos faz rir, nos faz conhecer pessoas maravilhosas e nos prende em seu enredo cheio de receitas de como sermos melhores.


Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos..
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