Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos.

A Invenção de Hugo Cabret

“Gosto de imaginar que o mundo é uma grande máquina. Você sabe, máquinas nunca tem partes extras. Elas têm o número e tipo exato das partes que precisam. Então imagino que se o mundo é uma grande máquina, eu também estou nele por algum motivo. E isso significa que você também está aqui por alguma razão. ”


hugo.jpg Um filme poético, com toda a beleza necessária a uma grande história. Com certeza faz parte da lista de preferidos de muita gente, incluindo desta humilde pessoa que vos fala.

Tudo foi muito bem planejado por Martin Scorsese, o roteiro, o figurino, a fotografia, os cenários, a magia que envolve a história. Scorsese é um verdadeiro amante da sétima arte, ele não só é um grande diretor, como fundou a The Film Foundation – organização responsável pela restauração de filmes antigos. E também serviu de chamariz para juntar um elenco maravilhoso recheado por Jude Law, Asa Butterfield, Ben Kingsley, Borat Sacha Baron Cohen e Chloë Grace Moretz.

É de filmes assim que precisamos no mundo difícil em que vivemos, filmes que nos façam sonhar! E essa produção é mesmo sobre sonhos e descobertas, sobre as reviravoltas que a vida pode dar e mistérios que nos levam ao caminho certo.

lua.jpg “Se o mundo fosse uma grande máquina eu não poderia ser uma peça sobressalente. ”

Na Paris pós Primeira Guerra Mundial, Hugo Cabret (Asa), vive sozinho na estação de trem Gare Montparnasse, mais precisamente no compartimento de engrenagens, acertando os relógios, trabalho que seu tio alcoólatra lhe ensinou antes de desaparecer. Hugo sobrevive diariamente roubando comida e mantimentos, enquanto foge do inspetor da estação e faz os relógios funcionarem para que ninguém descubra que seu tio foi embora e ele vá parar em um orfanato.

Seu único alento é um autômato (espécie de robô do início do século XX), que seu pai (Jude Law) deixa para ele antes de sua morte. Ele acredita que consertando o autômato ele terá uma mensagem importante de seu pai. Na busca das peças ele descobre muitas coisas sobre si mesmo e sobre as pessoas que o rodeiam. Nesse caminho para a descoberta de sua vida ele conhece o dono de uma loja de brinquedos Papa Georges (Kingsley) e sua sobrinha Isabelle (Moretz).

Com a amizade entre os dois crescendo, Hugo leva Isabelle ao cinema, lugar que Georges a proibia de ir, entrando clandestinamente através da habilidade de Hugo em abrir portas, e aqui é como se nos transportássemos para nossas primeiras experiências com a tela grande, duvido você não sentir aquele gostinho da paixão se acendendo dentro de si. Ela, por seu turno, o leva a uma livraria e o apresenta ao seu gentil e enigmático dono (Christopher Lee).

Vemos que tudo vai se encaixando através do enredo cativante e constatamos que realmente ninguém é uma peça sobressalente e que todos necessitam de outras pessoas que se completam numa grande rede de felicidade.

Um verdadeiro aprendizado com a perseverança e crença na vida que Hugo cabret possui e aquela vontade imensa de ver tudo com os olhos de criança.

Com frases de efeito e uma história comovente, Scorsese nos leva a um mundo cheio de sonhos, que muitas vezes acabamos por esquecer que existe.

O filme funciona também como uma homenagem ao pai dos efeitos especiais Georges Méliès, que produziu mais de 500 filmes, sendo o mais famoso deles “Le voyage dans la lune” (Viagem à lua) de 1902, de onde vem o desenho que é uma peça importante da história. Ele também construiu o primeiro estúdio cinematográfico da Europa. Para quem sabe o que é o Cinematógrafo e já assistiu Viagem à Lua (1902), torna-se uma experiência nostálgica e imperdível.


Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos..
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