Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos.

Como Eu Era Antes de Você: Polêmico e emocionante

Como todo filme baseado em romances literários, você pode preparar a caixa de lencinhos, pois lágrimas irão rolar, mas diferentemente dos outros, ele também te faz pensar muito sobre a preciosidade da vida e o peso que o amor tem em nossa passagem por esse mundo.


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"Como eu era antes de você", é um filme adaptado do livro de mesmo nome da autora Jojo Moyes, foi lançado no Brasil em Junho de 2016, e muito aclamado pelos fãs dos atores e da obra literária.

O filme é lindo, emocionante, tem um visual bacana e uma trilha sonora perfeita. Além disso tem um final bem diferente do que você está acostumado a ver nesse tipo de filme, pra mim foi como um soco no estômago, realmente não estava esperando.

Emilia Clarke está magnífica no papel da Lou, não imaginava que ela podia ser tão expressiva, a única imagem que tinha dela era a de Daenerys em Game of Thrones, não desmerecendo o papel dela na série, mas nesse filme ela está muito carismática.

O longa conta a história de Louisa Clark (Emilia Clarke) e Will Traynor (Sam Claffin). Will era um rapaz muito ativo, com uma vida profissional muito bem sucedida, rico, uma vida social agitada, fazia todos os tipos de esporte, viajava, até que sofreu um acidente e ficou tetraplégico, vendo toda sua vida mudar drasticamente, ele não consegue aceitar que aquele agora é seu cotidiano, não tem mais forças para viver, sorrir, conversar. Está mesmo muito desiludido com tudo. Enquanto muitos acham força em momentos drásticos como esse, o co-protagonista do filme não vê vantagem em nada que lhe aconteceu.

Já Louisa é bem destrambelhada, tem um senso de moda bem próprio e colorido, é muito bem humorada, feliz, em uma situação que muita gente não seria, ela tem 26 anos, mora numa cidade do interior da Inglaterra e não tem profissão, e nem sonha com isso. O filme mostra bem a situação de como é conseguir um emprego no interior e Louisa se preocupa muito com sua família e com o bem estar deles. Ela é o tipo de pessoa que põe todo mundo acima de si mesma, os pais, o namorado, e nem pensa em sonhos, ou planos.

O destino dos dois protagonistas se encontra quando Louisa consegue o emprego de ser cuidadora de Will, ela tem a missão de acompanhar Will aos lugares, fazer companhia pra ele na casa, ajudar no que for preciso, e aqui aparecem as cenas mais engraçadas do filme, eu cheguei a pensar em momentos que todas as pessoas que assistiram ao filme e disseram que choraram horrores estavam brincando com a minha cara, pois o filme é muito bem humorado, o humor da Louise é contagiante e o humor sarcástico do Will é muito engraçado, você chega a esquecer que ele está em uma cadeira de rodas, pois ele parece só mais um rico egoísta e mimado.

As únicas partes que me incomodaram no filme foram as do Patrick (Matthew Lewis), ele faz o namorado da Louisa, e é tão chato, tão desapegado, que tu fica pensando por que ela está com ele, à cada cena tu torce pra acabar logo.

Mas, ao decorrer do filme, você vai descobrindo qual o motivo da emoção generalizada, e pasmem, eu não consegui chorar no final, fiquei muito sensibilizada e pensativa, mas pela primeira vez não chorei num filme romântico. E agora vem a parte que vou falar um pouco desse final, e se você não quiser pegar spoilers, melhor parar de ler por aqui.

Pois é, o filme é bastante polêmico, pois além de tratar de romance, depressão, e falta de vontade de viver, ele trata também de suicídio assistido. Will se vê numa nova vida na qual ele não quer viver, e eu acho que ninguém pode julgar o quanto de dor ele sente, mas a decisão dele é um tapa na cara de quem está assistindo a história, eu li que no livro os problemas de saúde devido a tetraplegia foram bem mais descritivos, ele em dois anos fica no hospital por infindáveis vezes, sente muitas dores, além do mal que ele sente por estar na cadeira de rodas, e por isso decide pelo suicídio assistido, na clínica Dignitas na Suíça, que existe na vida real. A prática de suicídio assistido só é permitida em 5 países e da eutanásia somente em 4 países, então imagine o quão polêmico é esse assunto, coisa que nem imaginamos ser possível aqui no Brasil.

Assistindo ao filme, há momentos em que chegamos a acreditar que aquilo não vai realmente acontecer, já que começamos a nos envolver com os personagens e com a luta da Lou de fazer Will ter vontade de viver e de se alegrar. Os dois estão apaixonados, Lou está descobrindo um mundo com o qual ela nunca nem imaginou, está tudo correndo tão bem que pensamos que Will vai desistir daquela ideia.

O filme mostra uma troca de motivações, Will motiva Louisa a querer algo a mais da vida e Louisa motiva Will a viver. Torcemos pelos dois conseguirem e ficarem juntos. Sabemos por histórias reais que isso é possível, muitas pessoas vivem com algum tipo de deficiência, e aprendem a trespassar seus limites. Torcemos todo o tempo para que o amor deles seja maior que aquela vontade do Will. Mas, de forma bem realista, muitas vezes nem o amor é suficiente, e Will continua com a decisão inicial.

Eu fiquei muito pensativa, pois quando pensamos em eutanásia, lembramos de pessoas que estão em coma, em estado terminal, sabe, nunca em pessoas que tem total controle de seu estado mental, e isso me deixou o tempo todo no filme com uma pequena esperança. E não quero nem entrar no assunto religioso aqui, pois sou espírita, entendo como isso vai influenciar na evolução dele. Estamos tão acostumados a ver histórias de pessoas que vencem barreiras, limites, depressão, problemas, no cinema, que ver uma pessoa que decide que o melhor a ser feito é se desligar do mundo, nos leva a uma emoção muito forte de querermos nós também conversarmos com o personagem e dizermos pra ele “não, não desista”.

Lembrando que eu amei o filme e amei as atuações, o filme te pega mesmo, já que além de você se envolver na história, pode gerar um bom debate, em termos médicos, religiosos e de princípios morais. A história foi bem além do que eu imaginava, e entrou para os meus prediletos do gênero, apesar de eu ainda estar esperando um final alternativo.

Além de que dá aquela sensação de que tudo vale a pena de alguma forma, afinal, ele ajudou Lou a escrever uma página nova em sua vida, e o que mais queremos esperar são as novas aventuras dela. Tem pessoas que passam por nós exatamente para isso, para fazer nós enxergarmos a vida de outro ângulo.


Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos..
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