Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos.

Devaneios de uma Romântica Incurável

Ao menor sinal de desamor, caia fora. É o melhor conselho que eu posso te dar, e dar a mim mesma. Conselho que todos nós românticos incuráveis não conseguimos seguir nunca, à menos que no nosso coração outros amores se plantem.


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Eu tenho uma cena na minha cabeça.

Nós dois, num bar, eu rio de alguma coisa que tu me disseste, tu me olhas profundamente, eu meio envergonhada pergunto “o que foi? ”, e tu responde que me acha linda demais. Eu, meio sem graça, fico muda, só te olhando, e tu me dá um daqueles beijos cinematográficos, que ficam na memória para o resto da vida. Uma viagem meio do ego, meio do romance. Pode me chamar de romântica, de boba, de ingênua, mas é assim que eu imaginava nós dois.

Eu devo mesmo ter alguns parafusos a menos, mas achava que tudo isso ia acontecer, nunca imaginei que tu ias se afastar ao menor sinal de loucura de minha parte.

Ou que nossas longas conversas iam se tornar pequenos bom dias, primeiro diariamente, depois de semana em semana, depois muito esporádicos, como se já não nos conhecêssemos mais.

Fiquei esperando por um bom tempo tu terminar aquelas histórias que ias me contar, fiquei esperando a recomendação daquele filme que eu ia amar assistir, mas que tu tinhas esquecido o nome, fiquei esperando aquele café que a gente ia marcar, meio sem saber direito o que aconteceu. De repente, o interesse tinha sumido, e tu se tornou só uma história boba para eu contar para as amigas. Mais uma. O interesse esfriou, e toda aquela empolgação foi se esvaindo como pó em dia de ventania. Não sei se algum dia conseguirei entender a cabeça das pessoas que são mais racionais. Sentada aqui, sozinha, criando capítulos de futuras histórias, penso que queria ser menos assim, e mais firme, mais pé no chão e menos cabeça nas nuvens.

Eu ainda penso nessa cena imaginada da minha cabeça, quase todos os dias, mas me ensinaram de que se a pessoa não demonstra interesse, é por que realmente ela não quer.

Me ensinaram que quando alguém quer algo, ela corre atrás, sem dar moral para obstáculos. E no final, as pessoas e histórias que me ensinaram isso estão certas. Amores frios não merecem o nosso tempo, queremos momentos intensos, vidas únicas, olhares aprofundados em nós. Temos que dar espaço para que essas coisas aconteçam.

Ao menor sinal de desamor, caia fora. É o melhor conselho que eu posso te dar, e dar a mim mesma. Conselho que todos nós românticos incuráveis não conseguimos seguir nunca, à menos que no nosso coração outros amores se plantem.


Vivi Becker

30 anos, leonina com ascendente em câncer, aspirante a escritora das coisas, bruxa nas horas vagas, amante de café, gatos, vinho, livros, filmes, séries, moda, tarôs e misticismos..
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