Vivi Becker

Acredita que o melhor está nas pequenas coisas e que viver sem paixão não é viver, é sobreviver.

Como Nossos Pais

Existe um momento em nossas vidas em que descobrimos que estamos vivendo como nossos pais: trabalhando para sobreviver, deixando os sonhos cada vez mais para o futuro, sem tempo para as coisas simples da vida. Somos pequenas flores resistindo no meio do asfalto,sedentas por um lufar de serenidade e compreensão.


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Existe um momento em nossas vidas, um momento reflexivo e com um que de desolador, cheio de nostalgia sonhadora e ansiedade angustiante, em que nos deparamos com o pensamento de que finalmente entendemos nossos pais e nos colocamos em seus lugares de tal forma, que parece que tudo que fizemos para não sermos eles, não deu em nada.

A vida de alguma forma, nos empurra todos os dias para repetir pensamentos, ideais, maus hábitos, manias, desistências, assim como nossos pais.

E nesse momento, finalmente entendemos a música de Belchior, e o que ele sentia no momento de compô-la: Um ciclo repetitivo de apatia perante um mundo que parece que nunca muda.

“Minha dor é perceber

Que apesar de termos feito tudo, tudo

Tudo o que fizemos

Ainda somos os mesmos

E vivemos como os nossos pais”

Fazemos tudo para que os sonhos não morram dentro de nós, mas a vida acontece e os sonhos ficam para depois. Fazemos tudo para que o amor seja a coisa mais importante, mas vem os boletos, e as coisas bonitas da vida ficam para mais tarde, quando der tempo.

Fazemos tudo para que as risadas sejam constantes, mas vem o quotidiano, e ele pede seriedade.

Nossas pais vão partindo aos poucos, e vamos ficando à deriva por esse mundão, sem saber mais do que eles fariam, para fazermos o contrário ou fazermos melhor, e assim vamos nos tornando eles.

Lutamos infinitamente para que a sociedade mude, a liberdade seja mais importante do que a aparência, mas o cansaço chega, e passamos horas demais dentro de escritórios, trabalhando para sobreviver, e essa luta vai se tornando cada dia menor, não temos tempo irmão.

Admiramos nossos pais, somos eles.

Os sonhos compartilhados são exatamente iguais, os heróis são iguais, as esperanças são as mesmas. E perante os olhos dos pais, eramos nós que iriamos mudar o mundo.

O descontentamento chega, no momento em que vemos que além de decepcionarmos a nós mesmos, vamos decepcionar também nossos pais.

Por isso, muitas vezes o sinal se fecha, e temos que esperar um novo lufar de fé, que nos encherá de precursor impulso, mais uma vez.

Não existe problema em sermos como nossos pais, existe problema em acharmos que estamos velhos demais para manter o sonho vivo.

Aguardemos o sinal se abrir novamente, para mostrarmos a nós mesmos, de que podemos e sim seremos, como nossos pais.

Movidos por ideais que nunca se apagarão.


Vivi Becker

Acredita que o melhor está nas pequenas coisas e que viver sem paixão não é viver, é sobreviver. .
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