xiuxiueig

Sussurros do desassossego.

Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Egoísmo desumanizador

"Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes."


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É muito fácil, atualmente, ver gente jogando sua humanidade no lixo. Ser humano é, antes de qualquer definição, ser o outro. O tétrico é perceber que o ser humano está cada vez mais egocêntrico, cada vez buscando maior poder - e o problema disso está em quando você o faz matando o direito do outro de ser ou de existir: direito de ser, pensar, sentir e agir. Somos assassinos quando não levamos a sério a maneira de ser do outro, o sofrimento alheio; matamos um pouco sempre que, para sermos mais, anulamos um terceiro.

Estamos assim: tão corrompidos, tão facilmente desumanos. É desprezível saber que seres da sua mesma espécie, com um "eu" tão elevado, cometem atrocidades para "marcar território", para mostrar quem é que manda. Se as pessoas aceitassem derrotas, talvez fossemos mais humanos; se as pessoas compreendessem que há pessoas sabendo mais sobre determinada temática e que isso não exclui o fato de todos terem algo a ofertar ao mundo, não existiriam tantas competições. SE SOUBÉSSEMOS ACEITAR O DIFERENTE, seríamos mais dignos de portar o título de humano.

É tanta mesquinhez, tanto preconceito, tanto egoísmo, que o resultado das voltas do mundo estão sendo pautadas em sangue: sangue, lama, fogo, água. Quantos corações não estão quebrados por sua falta de humanidade? Quantas pessoas desabrigadas pelo mesmo motivo? Quantas vidas interrompidas pelas mãos de um desumano? Fazer jus à nossa espécie não significa se contentar e cumprir piamente sua destinação: nascer, procriar, morrer. Fazer jus ao ser humano significa ser capaz de ser o outro, viver o outro, ver sob a ótica do outro. Utópico? Infelizmente. Mas é algo tão óbvio que causa esmorecimento precisar falar sobre. Mas o marasmo do que é óbvio não ganha da indignação.

Todos somos, em algum momento da vida, influenciados e corrompidos pejorativamente; todos escutamos nossos egos vez ou outra; todos erramos: isso é ser humano. Debochar; ter prazer ao ver a dor; negar a identidade do outro para ressaltar a sua: isso é ser desprezível.

Você não precisa ganhar um Nobel da paz para justificar sua humanidade. Ser humano é refletido em atitudes aparentemente insignificantes, em pequenos gestos: desde o papel que você não joga no chão até a mão que você estende ao outro; desde a dor alheia que você ouve e se compadece até a devolver o troco certo na padaria. É você comungar com o outro sua dor, sua batalha. Ser humano é estar em um estado de comunhão e entender que VOCÊ NÃO É MAIS IMPORTANTE QUE NINGUÉM. Você não conhece a história de vida de quem passa por você na rua, no mercado, na farmácia. Você não sabe da dor que fulano enfrentou para chegar até ali. Não pense que sua existência é mais valiosa a ponto de desumanizar a do outro. Mais humanidade, menos indiferença, s'il vous plaît.


Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..
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