xiuxiueig

Sussurros do desassossego.

Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Ideias terríveis - você não as ama?

Quantas e quantas ideias a gente procrastina por medo de serem realmente terríveis e insensatas? Quantas vezes expomos uma ideia supostamente maluca e recebemos em troca olhares indignados e julgamentos vorazes? Mas afinal, quem estamos querendo agradar? Esperamos a aprovação de quem, mesmo? Talvez seja hora de rever seu alvo.


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"Vou mudar de estado. Ou melhor: de país." "Cansei dese emprego, vou pedir as contas." "Tô querendo cortar o cabelo e tentar uma cor nova, o que acha?" "Aquela viajem que sempre deixo pra depois... Acho que é agora!" "Pensando bem, mudei de ideia: vou seguir outra carreira." "Comecei a estudar russo, sempre quis."

Ideias terríveis todos nós temos, mas são poucos os que possuem coragem de levá-las adiante. O medo nos paralisa tanto que ficamos cada vez mais cegos e não nos escutamos mais e não deixamos nosso lado de criança travessa chegar à superfície e, entenda-me: nosso "eu" sapeca precisa ser levado muito a sério as vezes.

Viver na mesmice é fácil demais: temos conforto, temos as mesmas atitudes, as mesmas visões, as mesmas ideias... Somos colocados todos os dias em câmbio automático: acordar, cumprir as obrigações, voltar para casa, aproveitar um pouco o ócio e dormir. Repetir. Repetir. Você pode até se perguntar: mas o que uma simples ideia pode mudar? Bem, sinceramente, nada - ideias são impulsionadoras de mudanças, mas são as atitudes posteriores que são capazes de abalar nosso ânimo. A vida anda monótona? Talvez seja hora de rever alguns conceitos. E entenda que você não precisa necessariamente mover montanhas para ter ideias terríveis. Tomar um banho de chuva já pode ser uma.

Podemos mudar coisas pequenas e grandes, mas temos que mudar. "Só o que é morto não muda". Seja mudar de roupa, mudar de café da manhã, mudar a franja, a cor das unhas,a armação do óculos, ou até mesmo os pensamentos. Mudar. Encarar que o mundo é grande demais pra pensar tão pequeno. É bonito demais pra ficar se lamentando pelo que já não volta mais. É intenso demais pra que você se doe pela metade. E as ideias terríveis têm disso: elas exigem que a pessoa se doe por inteira - sem metades vulgares. Intensidade. Ou vai ou fica. Ou soma ou some. Chegou no meio da graduação e não se encontrou? Tá esperando o que pra repaginar a sua vida? "Ah, mas todos vão dizer que sou um tolo, que desperdicei anos da minha vida". Meu bem, isso não existe. Entenda isso e você acolherá cada migalha que o universo distribui diariamente. Nada é em vão. Não importa sua idade ou condição: você sempre poderá abraçar uma ideia terrível (seja do outro lado do mundo, seja no quintal da sua casa).

Isso é fácil? Não, não é. A maioria das pessoas se assusta quando você diz algo supostamente maluco - incrível, mas as pessoas ainda se assustam quando você diz que vai viajar só, ou que resolveu abandonar tal coisa. Tudo bem, ninguém precisa realmente concordar comigo, mas me poupe dos julgamentos (mas pra falar a verdade, eu pouco me importo). Tenho um trato comigo mesma, tenho um pacto com a minha vida e exijo o maior respeito para com minha habilidade de ser terrível. Não nego e nunca neguei: sou dona de ideias absurdas e já tomei muito tapa na cara. Mas me sinto tão viva e ofereço a outra face. Vida: pode me usar. Ideias terríveis: eu as amo.

*Título inspirado em um dos diálogos do filme "Under the Tuscan sun".


Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..
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