xiuxiueig

Sussurros do desassossego.

Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Somos todos bárbaros

No mundo capitalista o crescimento da barbárie é alarmante. Somos capazes de atitudes que desafiam leis e vão contra o homem. Acreditamos piamente que somos seres livres, mas não enxergamos que, na verdade, nunca estivemos sendo tão controlados quanto agora.


evolução.jpg

A sociedade atual tem um mecanismo de controle próprio que pode ser visto nas mais variadas extensões: oprimidos e opressores. Ora, podemos dizer que este é um dos pilares do capitalismo – uns obedecem, outros mandam; uns são menos, outros são mais. O capital é produzido em torno disso e, como consequência, instala-se a barbárie. Como a sociedade aceita calada tamanhas injustiças? Como a sociedade educa seus cidadãos para que se calem frente ao que é bárbaro, ao que é selvagem? Nossa consciência é paralisada com uma pseudoformação?

Hoje vemos a tão falada inversão do sujeito com o objeto. O que é o sujeito sem o objeto? Nós somos controlados o tempo inteiro por coisas e acabamos por tornar-nos seres coisificados. Triste realidade: antigamente a máquina era a extensão do nosso corpo, e sempre tínhamos controle sob ela; hoje nós somos máquinas controladas por objetos. Acabamos sendo personificações de nossos objetos.

Certo, mas o que fazer com tudo isso? Como mudar tudo isso? Sofremos, segundo Adorno, de uma “claustrofobia de um mundo totalmente administrado”, ou seja, assim que chegamos ao mundo tudo já está estabelecido: vidas previsíveis e controladas. A racionalidade capitalista – que de racional não tem nada – já está instaurada. Somos tão incentivados a uma competição calculista que desde crianças criamos indiferença pelo outro; somos manipulados a subjetivamente depender de regras. Não somos livres e não sabemos ser livres. Nascemos com a pressão de sermos alguém, e temos que sê-lo custe o que custar, passe por cima de quem precisar. O capital nos move. A barbárie está declarada. O que vale é a lei da sobrevivência: os mais fortes apenas chegam ao cume, os outros ficarão por baixo e servirão de escada. Estamos cada vez mais parecidos com o homem da caverna. Somos oprimidos, opressores. Somos selvagens sedentos de capital e não somos capazes de negá-lo – o que automaticamente nos exclui do prazer de possuir coisas (até tornar-nos coisas). Não somos autônomos, nem críticos, nem muito menos estamos preocupados em fazer parte de uma história. Somos todos bárbaros.


Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/sociedade// @obvious, @obvioushp //Karina Angolini