xiuxiueig

Sussurros do desassossego.

Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Sobre a infinitude de ser louco

"O infinito é mesmo um dos deuses mais lindos [...]"


Você pode ler esse texto ao som de "The Smiths - There is a light that never goes out".

Dia desses eu parei pra pensar na melhor sensação que já tive. Voltei ao meu passado e busquei nas minhas memórias meus dias mais felizes. Chego a conclusão de que os melhores momentos que vivemos são simples e não exigem muito - nem mesmo companhia; são momentos de contemplação, de sentir-se um e sentir-se vivo com o que te causa admiração. São momentos nos quais você se sente infinito. Sabe quando você é capaz de admirar as pequenices da vida? Ou quando você se surpreende com algo que passa despercebido ao olhas mais atento? Quando você se dá conta de que para ter tudo não é preciso nada (absolutamente nada)? Embora não seja possível traduzir essa sensação, quem a sente sabe muito bem do que se trata.

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Sentir-se infinito pode ser algo raro. A correria do dia a dia nos afasta das sutilezas que a vida carrega. É algo totalmente piegas, mas é fatídico: você se sente extremamente bem quando se permite ser um só com o universo. Nos dias de hoje nos topamos facilmente com pessoas que perdem a cabeça por qualquer coisa - inclusive nós mesmos o fazemos - e que cercam sua mente para que nada mude e nada entre: são os bitolados. Eles sempre estarão certos; sempre serão melhores; sempre te acusarão e te chamarão de louco. Irritantes na maioria do tempo, não entendem que viver não é algo que está pronto - é algo que se constrói na batalha diária.

Acho que a maioria dos "loucos" já se sentiu deslocado em muitos dos lugares por onde pisa - eu constantemente me sinto deslocada e absurda e anormal. Não conseguir se fazer compreendido é muito difícil; não te levarem a sério é uma chatice; conviver com pessoas que não sabem separar situações e lugares é quase que insuportável. E o resultado é que muitas vezes nos sentimos obrigados a usar máscaras, e tal erro é gravíssimo. Nós, sem querer, acabamos nos renunciando; nós, sem perceber, nos fingimos por normais, esquecendo que " arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal". Pois bem. Acho que os loucos são as melhores pessoas do mundo e jamais devem tentar impedir isso - nem muito menos deixar que alguém o faça.

O que quero dizer é que os loucos se permitem ser infinitos. Eles não criam regras e concepções em cima de tudo que surge na vida; eles não classificam todas suas sensações; não se privam do que é diferente e eles não apontam o dedo; eles sabem que podem falhar e sabem que dizer nunca é arriscado demais. Hoje você errou, mas amanhã eu posso errar. Por se sentirem infinitos, eles não se limitam, não se definem. É claro que "de santos e loucos todos temos um pouco", e muitas vezes cometemos o crime de nos importar com o que pensam e camuflamos essa loucura.

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Mas meu apelo é aos loucos: nunca sejam normais, nunca queiram ser perfeitos. É tão tedioso! Fazer apenas o que esperam de você, não se arriscar e não contestar é normal demais, é fácil demais. A loucura nos permite viver intensamente e de sentir com força. Ouso dizer que ser louco é o que nos aproxima do infinito: a loucura, por vias misteriosas, nos permite ter a mente bem aberta, tão aberta que tocamos o céu apenas olhando para ele. Ser infinito é ser livre.


Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..
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