xiuxiueig

Sussurros do desassossego.

Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Talvez nada disso seja grande coisa

"Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra".


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Eles dizem o tempo todo que tudo passa, não é mesmo? Eles também dizem que a vida é muito curta para preocupações profusas e sentimentos sorumbáticos. A vida é curta demais para deixar com que as coisas lindas tornem-se arrefecidas, adormecidas. E é ainda mais curta para bater em uma tecla que não funciona mais. Mas, céus, como é difícil abandonar velhos hábitos!

De fato, o ar fétido que respiramos não está assim tão agradável; manter relações nem sempre é uma atitude magnânima - sejam amorosas, familiares ou amistosas; e acreditar no divino tornou-se algo distante. É drama demais, é preocupação demais, é lorota demais. Quase morremos com a perda de um grande amor, quase nos afogamos em lágrimas quando alguém nos trai. De duas, uma: ou estamos cada vez mais ingênuos ou estamos completamente desesperados. Eu, particularmente, acho que me enquadro na segunda opção. A pressão que nos bombardeiam cotidianamente nos cerca de todos os lados - "seja alguém na vida, ganhe muito dinheiro, case, tenha uma família, uma boa casa, um bom carro, viaje muito, tenha lindos cachorros" - CÉUS! Onde está o botão que para tudo isso? Onde eu preciso apertar para ter um pouco de pachorra e viver com mais serenidade?

Quando algo se mostra muito errado ou quando as coisas tomam um rumo totalmente oposto ao que estava planejado, penso que talvez nada disso seja realmente grande coisa, talvez a graça da vida esteja em saber descomplicar os nós que a vida costura. Um dia morreremos, um dia voltaremos ao pó, então por que diabos me descabelo por tonterias de modo como se essas fossem durar eternamente? Lá fora o dia está tão lindo e eu estou aqui preocupada por fulana não gostar de mim. Poderia estar me divertindo mas prefiro ficar aqui, estagnada, por causa do emprego que perdi. Nos penalizamos tanto e aumentamos tanto as negatividades da vida que por um momento nos cegamos diante das simplicidades que tornam tudo mais leve. A desgraça existe? Sem dúvida. Rir de tudo é desespero? SEM DÚVIDA. Ninguém esta dizendo que a vida é uma comédia, mas o que precisa ser compreendido é que nem tudo são tragédias. A ligação que você não recebeu, o fora que você tomou, a crítica mal dada: talvez nada disso seja grande coisa. Uma reprovação, uma perda, uma discórdia: as coisas têm seu peso, mas até que ponto estamos sobrecarregando nossas dores? Saber sofrer é preciso, a vida vai te bater e chutar e esmagar e sangrar - mas quiçá estejamos atribuindo valor demasiado ao que não tem cifra.

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Sim, caros, todos temos dores. Mas a vida é tão imensamente preciosa que seria uma verdadeira bobagem perder tempo com dramas excessivos. É hora de soltar o peso das bagagens que te prendem ao que te destrói - ainda que custe muito a desprender-se de velhos costumes, pois, pasmem, nos acostumamos com a dor. Mas hei, nada disso é grande coisa. Tem um mundo girando lá fora, tem um universo prontinho pra te ajudar a encerrar ciclos e recomeçar novos, tem uma natureza branda te gritando que, só talvez, nada disso seja grande coisa, e que - novamente talvez - você esteja se agarrando demais ao que já esfriou, ao que já não é mais tão penetrante. Liberte-se, seja você uma grande coisa e deixe que as moléstias sejam obsoletas.

Você pode ler esse texto ao som de Florence and the Machine - The dog days are over (https://www.youtube.com/watch?v=iWOyfLBYtuU).


Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..
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