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Sussurros do desassossego.

Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

Abrace sua escuridão

“Mas veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Isso me alegra, montão". – Guimarães Rosa


A vida é efemeridade pura. Nunca estaremos constantes – é praticamente impossível. Não conseguimos manter o mesmo humor durante um único dia; somos frutos de circunstâncias e situações; somo regidos por momentos, sentimentos e pensamentos.

Conforme o tempo caminha, novas perspectivas surgem e aprendemos a ser mais flexíveis quanto ao que nos é apresentado – seja por outros ou por nós mesmos; somos edificados o dia inteiro, o tempo todo, com todas as situações. Isso é curioso e sadio.

Porém, como bons humanos, tendemos a negligenciar algumas considerações que surgem repentinamente; somos criados para focar no ‘mais’, e não no ‘melhor’; acabamos ficando apavorados com a ideia da inconstância e tememos muito o olhar do outro quando se referem a nossa metamorfose. Sim: as pessoas julgam nossas metamorfoses. Não sei quem escreveu a lei que diz que temos que ser iguais no berço ao túmulo; criticam nossas transmutações de opiniões como se fosse um genocídio. Eu fico meio assim com quem não muda nunca – passam-se anos e a pessoa continua ali, com as mesmas dúvidas e as mesmas certezas.

ABRACE SUA ESCURIDÃO.gif

O medo de autorreflexão gera pessoas estagnadas, sem movimento. E pra mim, movimento é vida. “Só o que está morto não muda”. Mas de onde surge esse medo? É que cada vez que fuçamos dentro da gente encontramos um lado sombrio que assusta. É nosso lado humano, rudimentar, arcaico. Ele dá medo. A gente não quer mexer muito pra que nada saia de lá de dentro. Mas aí está o erro: quando ele sai de lá, há a chance do escuro se transformar em claro, mas se ele permanece trancado, ele será pra sempre escuro. Medo de tentar e fracassar. Medo. Escuro. Medo do escuro – do nosso escuro.

E não se engane, é trabalho pra vida toda. Nunca estaremos totalmente afinados. As únicas certezas são: somos efêmeros (mude quando quiser, como quiser) e somos luz (apesar do lado mais sombrio que TODOS carregam, nosso potencial de iluminação é gigantesco). Não adianta passar a vida lutando contra seus defeitos, eles são intermináveis (que trágico), mas vale a pena passar a vida redescobrindo qualidades e transformando pequenas cinzas em faíscas luminosas.


Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..
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