xiuxiueig

Sussurros do desassossego.

Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.

O que é ser livre?

É uma questão de consciência.


Você pode ouvir esse texto ao som de "Call it what you want - Foster the people".

Muita gente acredita que liberdade é o direito de ir e vir sem amarras e de tomar as próprias decisões. Sim, está é uma vertente da liberdade física; mas acredite: nós podemos viver com o corpo preso, mas com a mente aprisionada, sobreviver torna-se um sufoco. O verdadeiro cárcere reside na mente humana. Não há fuga; não há escapatória – só é livre o homem que aprendeu a domar sua consciência.

Basta analisar a vida quando as preocupações e ansiedades tomam conta: a mente cheia é um convite para a perturbação – ela entra e logo se instala. É cobrança, julgamento, culpabilidade, temor, instabilidade… Quando se dá conta, já fomos engolidos por nós mesmos – é uma completa insanidade.

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Liberdade – eita palavra. Pra alguns ela é sinônimo de poder, de facilidades físicas, de conforto material, de bem-estar financeiro. Não sejamos hipócritas: sim, todas essas conquistas podem facilitar nosso encaixe na sociedade capitalista; mas todas essas mordomias não garantem conforto espiritual. Mas, afinal, o que garante conforto espiritual?

Em primeiro lugar, conhecer a si mesmo: preservar, em todas suas atitudes, seus valores. Ser fiel a si mesmo e aceitar quem você é; sentir prazer em habitar a pele que lhe foi designada. Depois, superar suas próprias barreiras – isso faz um bem danado! É ter consciência de suas emoções mais aterrorizantes e não recuar diante delas, é ajudar a si mesmo, todos os dias, a superar os fantasmas mais assustadores (e os mais bobos, também!). Em terceiro lugar, perdoar-se (e aos outros também). Sentimentos negativos não devem ser evitados, mas sim enfrentados. Se algo lhe tira o sono (inveja, ciúme, culpabilidade, ansiedade, raiva, ódio) encontre a raiz do problema e lute diariamente contra eles. Não adianta se sentir um péssimo ser humano por ter emoções como essas – SOMOS HUMANOS (eis um grande problema da sociedade moderna: nos ensinam desde pequenos que sentir raiva – ou qualquer emoção “malvada” – é proibido e é coisa de gente ruim; porém, sem exceções, todos sentimos raiva em determinados momentos da vida e, quando isso acontece, ao invés de lidar com essa emoção, nos culpamos por senti-la). É trabalho de formiguinha. Não se culpe por não conseguir perdoar imediatamente, mas não deixe – em hipótese alguma – esse sentimento derrotar você (seria o oposto de liberdade, pois estaria te dominando). APRENDA A DIZER NÃO, caramba! Por que isso é tão difícil? Dizer não está diretamente ligado a preservar seus valores em todas as situações; é conhecer-se e não ter medo de assumir quem é e onde quer chegar. Não, não, não!

Ao final de tudo, a gente percebe que liberdade é coisa de dentro. É se conhecer, é se aceitar, é se posicionar. É controlar seu próprio universo, mas jamais deixar de ser inflexível quando algo sai do planejado; é sentir raiva, vontade de socar, de gritar e até mesmo de odiar em alguns momentos, mas é lutar, diariamente, para ser transformação. Liberdade é sentir-se infinito; liberdade é saber que o que vem de fora é conforto, mas o que vem de dentro é divino. Liberdade é fazer o bem e fazer-se bem. Afinal, para onde quer que você vá, lá estará você.


Karina Angolini

A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida..
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