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É necessário sair da ilha para ver a ilha.

Yasmin Corbo

Yasmin Corbo é publicitária, jornalista e escritora: adepta do olhar demorado, sincero e simples sobre si mesmo, as relações e a vida

O amor de Coríntios e nós

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. (1 Coríntios 13:13)


Você quer medir o poder da palavra amor? Basta detectar que na carta de Paulo ao povo de Corinto, no Novo Testamento da Bíblia Cristã, ele chega a dizer que dentre o amor, a esperança e a fé, o amor é o maior deles. Mas como na história da Esperança Viva – a ressurreição – e do povo que pela fé atravessa mares, um sentimento tão simples como o amor arde de forma tão superior?

De todos os sentimentos, o amor é o mais exigente e inflamável. É ele a gasolina de todas as outras emoções, bíblicas ou não. Haveria esperança sem uma ponta de amor? Como acreditar no que não se vê sem o mínimo de dedicação afetuosa? Talvez seja ele a motivação humana mais orgânica, que exige mais abatimento e sinceridade. Nele está a perfeita construção de um sentido universal, que nós teimamos em narrar, mas pouquíssimo conhecemos.

Isso porque o romantismo, a religião e as convenções sociais poluem essa força natural. Procuram-se mecanismos ritualísticos como quase na intenção de industrializá-lo, traçar atalhos para alcançar os benefícios desse sentimento. Diz-se que “Amor é aceitar tudo”; “é possível aprender a amar” ou “o amor acabou”... Se ele fosse tão flexível a ponto de caber em circunstâncias tão distintas, não poderia ser tão poderoso, porque o poder concentra, e só há poder onde há constância. A verdade é que nem a maior inteligência emocional, nem a maior boa vontade alcançaria essa fórmula descrita nas Escrituras.

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Porque o amor, neste ponto, necessita ser ante didático: o primeiro passo para saber amar é entender que não se sabe amar. Como tudo o que é poderoso, ele é independente. É uma expectativa perfeita e completa, que nunca se alcança completamente. Nossas emoções podem ter nos trazido até aqui com boas companhias, mas sem jamais saber se provamos de fato o amor original em nossos relacionamentos.

O amor e sua construção perfeita, que tudo crê, suporta e espera, sempre nos testará no dia seguinte, para saber a legitimidade do que dizemos conhecer.E quando entendemos que não somos embaixadores do amor - e sim, seus seguidores - estaremos prontos para amar o amor humano - Efêmero, líquido, circunstancial, predador e inconstante - e perseguir o Amor Coríntios até, minimamente, durante o trajeto, encontrarmos felicidade em nós e no outro.

A boa notícia é que o pouco que conhecemos tem sido poderoso o suficiente para mudar universos pessoais e coletivos. Dos tempos bíblicos até aqui, de Paulo até nós, Ele têm sido Universal e Popular; Simples e complexo: Leve e Destruidor, e sua mínima dosagem – ou apenas a intenção de tê-lo - têm quebrado muros e construído pontes. Ao amor, toda a nossa disposição em entendê-lo e vivê-lo.


Yasmin Corbo

Yasmin Corbo é publicitária, jornalista e escritora: adepta do olhar demorado, sincero e simples sobre si mesmo, as relações e a vida.
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